3DS ou NGP… Qual será a vencedora da próxima geração?

As consolas antigas

3DS e NGP são as novas ofertas da Nintendo e da Sony para a nova geração no universo das consolas portáteis. Mas qual escolher?

Quando tive acesso à primeira versão da DS e da PSP, ainda antes de as mesmas serem colocadas à venda, a minha primeira impressão foi que a Nintendo estava condenada ao fracasso.

O jogo que testei não tirava qualquer partido do ecrã táctil e a consola possuía uma qualidade de construção e uns ecrãs deveras fracos que eram completamente arrasados pela qualidade da PSP e o seu poderio de processamento e gráfico.

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Sinceramente a primeira ideia que me passou pela cabeça foi “A Nintendo com esta consolazinha sem grande potência e que parece uma caixa de sardinhas não tem grandes hipóteses”

A DS original e a PSP 1000

Tal não foi bem assim, mas quase. A verdade é que a DS inicial vendeu muito menos do que a PSP, e foi só com o lançamento da versão Light que a DS arrancou. Ecrãs renovados e de muito melhor qualidade e um design em tudo comparável ao apresentado pela Apple nos seus produtos, acompanhado do lançamento de jogos de qualidade que tiravam excelente partido das especificações da consola nomeadamente o seu ecrã táctil e microfone, foram o ponto de viragem.

E foi na altura do lançamento da DS Light que me fascinei pelas consolas portáteis e optei por uma delas. E a DS Light foi a minha escolha.

Efectivamente os preconceitos que havia criado inicialmente desvaneceram-se totalmente com a versão Light. Já não se tratava daquela consola horrível com aspecto de lata de sardinhas e os jogos que havia eram efectivamente divertidos e fabulosos.

Já a PSP, apesar de fascinante decepcionava por vários motivos. Comparativamente a interactividade era inferior, apesar do seu maior poderio, mas os jogos que tiravam partido das capacidades da consola eram normalmente versões reduzidas dos jogos PS2, consola que possuía.

Assim sendo, e como não pretendia jogar os mesmos jogos, mas com menor qualidade e dotados de um esquema de jogo “amputado” pela falta de um segundo analógico, a escolha sobre uma consola que oferecia efectivamente algo diferente pareceu-me a mais lógica.

E a verdade é que o mercado me deu razão. A DS apesar de tecnologicamente inferior soube aproveitar ao máximo as suas capacidades e tornou-se a consola mais vendida do mundo. Já a PSP continuou sempre a sofrer dos mesmos problemas e apesar de alguns jogos muito interessantes que vendiam consolas aqui e ali, nunca chegou a atingir o patamar de excelência na inovação da DS.

Possuía ainda outro problema que a Sony apenas reconheceu e eliminou na versão GO. O Seu UMD era demasiado exigente no consumo da bateria, e se uma DS Light oferecia entre 8 a 9 horas de diversão (até 14h na DSi), a PSP com o uso do UMD por vezes não passava das 3h. Algo decepcionante para uma consola portátil

Os resultados da situação da PSP estão à vista, com fracas vendas, e abandono do formato UMD. Aliás mesmo na votação do jogo do ano 2010, a PSP foi uma das consolas que esteve ausente, isto apesar de a sua concorrente tecnologicamente inferior, a DS ter tido vários votos em títulos seus.

As novas consolas

Mas eis que surgem as novas consolas. É altura de deitar tudo para trás e pensar de novo face às novas características que nos surgem e que trarão uma nova dimensão aos jogos. Efectivamente, qualquer relação com a geração anterior parece mesmo mera coincidência.

A 3DS

A 3DS é a nova aposta da Nintendo, mas e o que traz de novo?

Analisando friamente, a realidade é que traz muito pouca coisa:

É uma realidade que o seu hardware é bastante melhorado, e incomparavelmente superior à anterior geração, mas que mesmo assim mantêm o patamar demasiadamente baixo face à concorrência. Se isto em tempos não se revelou problemático devido a possuir outras características que a concorrência não apresentava como a sua capacidade de interactividade oferecida pelo ecrã táctil, essa vantagem desvanece-se agora dada a estandardização desse tipo de ecrãs. E a 3DS ainda irá usar o estilete, quando actualmente os dedos são a ferramenta de controlo usada na maior parte do hardware com este tipo de ecrã.

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No entanto, tal como a DS original, a 3DS inova ao apresentar pela primeira vez um ecrã 3D. Mas será que isso é efectivamente uma vantagem?

O 3D é fabuloso, mas o abuso no mesmo pode causar sérios problemas mentais e visuais. Trata-se de enganar o cérebro e não de obter 3D real, pelo que a sua utilização causa cansaço mental e visual. E infelizmente as referências públicas de quem testou a consola é que a mesma se torna intolerável no uso do 3D ao fim de 10 minutos.

Apesar de ter tomado esta informação com uma pitada de sal, a verdade é que recentemente tive oportunidade de falar com alguem que possuí um familiar que numa deslocação ao Japão experimentou já a 3DS, e que me confirmou que efectivamente a fadiga visual e mental se tornam tremendamente evidentes ao ponto de se ter de desligar o 3D ao final desses referidos 10 minutos.

Ora assim sendo, a inovação da 3DS torna-se uma característica meramente engraçada para mostrar aos amigos, mas que de utilidade prática não traz efectivamente nada.

E se efectivamente assim for, a maior arma de venda da 3DS acaba por se revelar um ponto negativo contra a consola.

As restantes novidades da consola estão relacionadas com o seu software e elevada conectividade wi-fi que permitirá interagir com outras consolas na rua. Um ponto de real utilidade discutível, mas que muitos até poderiam achar interessante não fosse o facto de tal ter um impacto tremendo na vida da bateria que passa assim de valores que tornavam a DS na consola de maior autonomia do mercado para os valores da primeira PSP e que tanto pesaram negativamente na escolha da compra.

Há ainda a câmara 3D, mas que não se revela só por si como sendo um factor decisivo na compra da consola.

A NGP

A NGP é a nova versão da PSP, e quase que podemos dizer que da PSP só herda parte do seu aspecto.

Efectivamente o seu hardware é impressionante para uma consola portátil, com uma potência que se estima andar perto de 40% do oferecido pela PS3.

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Mas como já vimos pela PSP, gráficos e remakes de jogos da consola mais potente não são reais argumentos de venda. No entanto a NGP elimina totalmente todos os pontos negativos da PSP permitindo assim unir o mundo da PS3 com o mundo da DS.

Para começar, foi incluído o segundo analógico, permitindo-se assim uma experiência de jogo total e não “amputada” ou complexa.

Depois, a NGP corta o fosso para a DS ao incluir igualmente um ecrã táctil, mas inova ao tornar o mesmo de alta definição e ao acrescentar uma superfície táctil na traseira da consola que revoluciona completamente ao permitir a interacção directa com o ecrã sem ter de obstruir a visão com os dedos.

Câmara traseira e frontal com alta resolução passam a ser uma realidade permitindo assim interactividade alargada em jogos como Eye Pet que deixam de requerer hardware adicional.

Depois, o acréscimo de acelerómetros, GPS, e 3G tornam o leque de capacidades da consola super atractivo e muito superior à oferta da Nintendo.

Caso a Sony consiga efectivamente, tal como referido de forma não oficial por alguém interno da empresa, manter a autonomia da consola idêntica à da versão anterior (5 a 6 horas), não haja dúvidas que na próxima geração a Sony irá aparecer por cima.

Conclusão

Se é verdade que a 3DS usa o prestígio da DS para o lançamento, a NGP conta com o seu poderoso hardware para se auto-promover.
Somente as opções do mercado e o software que vier a sair ditarão o futuro das consolas, mas a realidade é que a nova Nintendo parece condenada a ter de viver da fórmula antiga dado que a sua maior inovação, o 3D, se revela inadequado para usos superiores a 10 m. E isso associado a uma bateria de autonomia reduzida.

Já a NGP apresenta-se como uma revolução. Potente, com uma interactividade inovadora e mesmo muito mais completa do que a oferecida pela 3DS que pode conjugar tudo o que vemos hoje em dia na DS com tudo o que vemos hoje em dia num iPhone.

Caso o software para ambas se revele inovador e a um custo acessível a NGP tem um futuro que nos parece mais brilhante do que o da 3DS, mas tudo dependerá se a Sony nos vai querer impingir os títulos da PS3 em versão reduzida ou se vai apostar em títulos novos e inovadores que realmente tirem partido das características da consola. Dependendo das escolhas a serem tomadas no campo do software, a NGP será, a nosso ver o futuro!

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