A prova definitiva sobre o Traffic Shapping nos ISP’s nacionais

O que é o Traffic Shaping? Trata-se de uma priorização de trafego de forma a limitar larguras de banda a determinados tipos de ligação. O intuito é a optimização de larguras de banda, mas no caso de este ser realizado pelos ISP’s acaba por ser danoso para o cliente.

Quantos de vocês não se ligaram já a redes P2P conseguindo inicialmente velocidades boas, apenas para uns segundos depois elas descerem e estabilizarem em valores bastante mais baixos? Isso é Traffic Shaping, e sendo detectado o protocolo em causa e o exceder do limite de velocidade imposta é suficiente para o mesmo ser imediatamente activado.

Normalmente esta situação é danosa para o cliente que não pode assim desfrutar das velocidades contratadas, mesmo que aquilo que faz dentro do protocolo não seja minimamente violador da lei. Diga-se aliás que o protocolo Peer to Peer (P2P) não é de forma alguma ilegal, e é usado para transferência de ficheiros legais e mesmo em alguns jogos. O problema a existir dá-se com a utilização abusiva do mesmo para conteúdos protegidos, mas no entanto, acaba por ser o protocolo na sua totalidade que é penalizado.

Mas o traffic shaping não se limita apenas ao P2P podendo mesmo ser utilizado nos downloads HTTP normais. A simples identificação do local onde o download é executado pode activar limites de velocidade.



Como detectar então o Traffic Shaping ? Bem, no caso dos protocolos P2P há maneiras que o utilizador pode usar para detectar o mesmo. O simples facto de após a conexão as velocidades subirem a valores normais, mas imediatamente caírem é imediatamente um grande indício da presença do mesmo. Há igualmente outros métodos que podem ser usados em alguns programas P2P que, após a activação do TS permitem enganar o ISP por algum tempo, desactivando-o. Se com esses métodos a velocidade voltar a subir, apenas para cair novamente passado algum tempo, é motivo para confirmação da presença do Traffic Shaping.

Já no download HTTP é mais difícil detectar o mesmo, mas os princípios são semelhantes. Início a boas velocidades com quebra logo de seguida, mantendo-se a velocidade baixa, mas de vez em quando conseguindo picos elevados são os principais indícios.

A questão é que nada disto são efectivamente provas, apenas indícios, e quando o ISP é confrontado com os mesmos limita-se a negar tudo e a afirmar que não há qualquer tipo de Traffic Shaping efectuado.

E isto tem sido algo comum desde já à alguns anos.

Mas agora a coisa muda de figura. Agora há provas definitivas sobre se os ISP’s fazem ou não Traffic Shaping (TS) aos clientes, e estas provas os ISP’s não podem negar.

Um grupo americano denominado de SOCIAL SCIENCE RESEARCH ON DEEP PACKET INSPECTION dedica-se a analisar o tráfego dos diversos ISP’s mundiais, verificando se há ou não manipulação do tráfego solicitado pelos clientes. E as conclusões a que chega para Portugal são peremptórias. SIM, HÁ TRAFFIC SHAPPING.



O estudo acompanha os diversos ISP’s nacionais desde o segundo quarto de 2008 (Abril de 2008) até ao primeiro quarto de 2010 (fins de Março de 2010) (Dados posteriores a essa altura não foram ainda divulgados) e confirmam a manipulação de dados.

Na frente da lista, e líder na manipulação de dados temos a Zon Multimédia, onde nos testes efectuados, se mediu a maior intromissão do ISP, chegando-se a verificar a existência de TS em 86% das ligações testadas. Este valor máximo foi obtido no segundo quarto de 2009, tendo descido entretanto, mas mesmo com os valores actuais de 61%, a ZON continua a líder nesta situação que tanto desagrada os clientes.

Curiosamente, em segundo lugar surge a Cabovisão. Ora este sendo um operador de menores dimensões, seria de esperar que primasse pela qualidade de serviço para conseguir conquistar uma maior fatia do mercado. No entanto, isso não é verdade, chegando-se a medir a existência de TS em 42% das conexões testadas. Curiosamente este valor foi obtido na ultima medição divulgada, o que indicia que o nível de TS neste operador se encontra em fase ascendente.

A Clix aparece em terceiro, com valores já mais baixos que os seus concorrentes, de apenas 25%. Estes valores tem vindo igualmente a descer nas últimas medições.

Em ultimo lugar da lista, mas que mesmo assim não merece os nossos aplausos, uma vez que estes valores deveriam ser de 0%, aparece a MEO com um máximo de 22%. No entanto, e apesar da sua posição, convêm referir que na média global este operador aplica mais TS do que a Clix que colocamos anteriormente.

Da próxima vez que se queixarem ao vosso ISP que não conseguem fazer downloads a velocidades decentes nos programas P2P e o operador vos disser que não fazem Traffic Shaping, já podem argumentar de forma válida que isso é uma mentira descarada. Mas mesmo assim não esperem milagres a não ser que sejam vocês mesmos a tomar atitudes.

Pessoalmente sou cliente ZON, e não tenho tido razões de queixa (muitas), o que poderá indicar que os valores de cima desceram ou que apenas tenho tido sorte. Seja como for, agora já sei… em caso de problemas a MEO é para mim a alternativa válida.

Aguardemos porém a ver se este site liberta dados mais recentes para uma ideia da situação actual.



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