A Sony, aparentemente, fez bem em rejeitar o EA Access Program

Quando a EA resolveu oferecer o seu programa de acesso pago, a Microsoft imediatamente disse que sim. Já a Sony negou a pensar nas consequências para o utilizador. E aparentemente tinha razão.

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O programa de acesso da Electronic Arts é um serviço pago sobre o Xbox Live e que permite aceder a alguns jogos desta empresa durante a duração do serviço.

Pagável ao mês ou ao ano (caso onde se torna bastante mais acessível), este serviço dá não só acesso a alguns jogos da empresa como Fifa 14, Battlefield 4, Peggle e Madden 25, bem como permite acessos a novos jogos 24 horas antes do seu lançamento oficial, e 10% de desconto em futuras compras de jogos da empresa.

Apesar de o serviço poder parecer prometedor, o mesmo acarreta um grave risco para a comunidade gamer. Um risco que a Microsoft não parece ter medido.

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Retomando o nosso artigo

Recentemente numa entrevista à Eurogamer, Shuhei Yoshida, referiu os motivos pelos quais a Sony rejeitou a oferta deste serviço na sua consola. E os motivos eram claros: a defesa dos interesses dos Gamers, os clientes da Sony.

A Eurogamer questionou:

Gostavamos de falar sobre o assunto do EA Access. A Sony colocou um comunicado bastante forte contra o mesmo, sugerindo que tal não era valor acrescentado aos clientes Playstation. A decisão de alguns foi que, gostávamos de ser nós a decidir por nós mesmos. Gostavamos da escolha. O que pensa dessa reacção?

Shuhei respondeu:

O comunicado pode parecer agressivo. Mas o raciocínio por detrás do mesmo é, que não nos limitamos a olhar para uma proposta, como o EA Acess. Olhamos para toda a oferta de títulos da plataforma e pensamos no impacto de ter algo assim como novidade. Se todos os produtores resolverem agir da mesma forma, e como consumidor fossem obrigados a escolher qual dos serviços queriam subscrever, isso não é certamente algo que acreditemos ser bom para o consumidor.

Daí que não olhamos apenas para essa proposta. Estávamos a pensar no impacto que tar poderia ter na futura oferta de produtos e serviços na Playstation.

Resumidamente, o que Shuhei refere é que a Sony resolveu tomar uma posição. Não deixar que alguns, porque não conseguem medir as consequências do facto, tomem decisões que possam prejudicar o mercado no seu global. Se a Ubisoft resolver fazer o mesmo, depois a Square Enix, depois a Activision, etc, daqui a nada estaríamos a pagar balúrdios por mês para podermos ter acesso àquilo que serviços como a PSN nos oferece agora: Jogos gratuitos todos os meses.

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E sinceramente aqui Shuhei nem vê a vertente mais macabra da coisa, que se prende com exclusividades futuras dentro do serviço, e em situações até hoje acessíveis a todos, de forma a aumentar as adesões. Algo que já aconteceu com a demo de Madden 25, um jogo que sempre teve uma demo gratuita antes do seu lançamento, e que este ano é exclusiva para os clientes do serviço da EA.

E de nada adianta pensar que a escolha seria maior. O pagamento também seria maior, e é utópico acreditar que todos os jogos que seriam disponibilizados nos interessariam verdadeiramente. Basta olhar para o que a EA ofereceu para perceber que Battlefield 4 é talvez o jogo da história com mais Bugs e que actualmente não vende nada por esse motivo, Peggle nem sequer é um jogo que interesse à maioria do mercado, e Fifa 14 e Madden são jogos anuais com as novas versões prestes a serem lançadas.

Mas o motivo deste artigo é que aquilo que Shuhei temia confirmou-se já. O presidente da Ubisoft, Yves Guillemot, está de olho no programa da EA e pondera algo do género para a sua empresa.

Em entrevista à Gameinformer este senhor deu a entender que a Ubisoft está disposta a explorar diferentes modelos de negócio e que está de olho no novo EA Access program na Xbox One:

Penso no que torna o publicador mais importante na mente dos jogadores. Muitas vezes as pessoas só estão interessadas em uma marca de um publicador, pelo que nem olham para outras marcas. Quando se compra algo como o Access, pode-se experimentar várias coisas gratuitamente e descobrir coisas que se gosta. É uma forma de os gamers poderem ter mais informação sobre o que fazemos e a diversidade do nosso portfolio.

Apesar de Yves se abster de abordar o assunto pela vertente económica, aborda-o pela perspectiva que tal é muito bom para o consumidor porque pode experimentar e conhecer mais da empresa.

Pois… mas para isso existe uma coisa chamada versões de demonstração. Algo que as empresas deixaram de fazer por serem gratuitas e nem sempre as pessoas gostarem do que experimentam, preferindo que paguem os 60 euros sem ver. Aqui a coisa é igual, mas como se paga para se ter o serviço, acaba-se sempre por ganhar, e com milhares de clientes a pagar, seriam uns bons milhões obtidos por aqueles que nao gostam dos jogos  e que de outra forma não seriam recebidos. Mais ainda, seria uma recente mensal e não apenas nas vésperas dos lançamentos dos jogos. E essa é verdadeira vantagem para a Ubisoft que o Snr. Yves não refere.

O que isto está claramente a dar a entender é que a situação não vai acabar bem. Com que desculpa vai a Microsoft negar um programa semelhante à Ubisoft caso este lhe seja proposto? E como o vai fazer à Square? E à Activision? E a todos os outros?

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