Análise PS Vita – Parte 2

Introdução

A PS Vita é, sem sombras de dúvidas, a consola portátil mais poderosa que alguma vez foi fabricada, sendo que, numa análise à concorrência, a 3DS da Nintendo, actualmente a única outra alternativa de mercado, não se encontram verdadeiramente argumentos para a que a mesma possa concorrer directamente com esta consola da Sony.

Efectivamente se as especificações técnicas da PSP já eram esmagadoras face à Nintendo DS, a pequena consola da Nintendo apresentava uma capacidade de interacção com a qual a PSP não podia concorrer, e tudo graças ao seu ecrã táctil. Mas na PS Vita, absolutamente tudo é superior ao oferecido pela Nintendo e, com excepção do ecrã 3D, cujo interesse é deveras questionável, particularmente face às possíveis consequências adversas resultantes do seu mau uso, a PS Vita bate a 3DS em absolutamente todos os pontos. E se o 3D pode para muitos ser importante a qualidade gráfica será certamente mais, e nesse campo, apesar de argumentos interessantes da 3DS, a Vita deixa a consola da Nintendo a algumas milhas de distância, fazendo mesmo sombra às consolas de secretária.

A Playstation Vita

A PS Vita possui não um, mas dois processadores quad-core, um ecrã OLED de 5 polegadas, duplos joysticks analógicos, um ecrã e um sensor traseiros, ambos tácteis, duas câmaras, uma frontal e uma traseira, e toda uma panóplia de outro hardware que a completam, e do qual iremos falando neste artigo, que a tornam nua consola com capacidades até à bem pouco tempo inimagináveis numa portátil.

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A PS Vita mantêm o formato fisico que foi introduzido pela PSP, e que em termos ergonómicos é bem superior ao que a concorrência oferece. Mas se em termos estéticos a consola não parece muito diferente da sua antecessora, tal é meramente uma ilusão, pois por baixo da sua aparência normal está um monstro de potência.

Comparativo das consolas – Imagem do protótipo

A consola possui 18,28 cm de comprimento, com uma altura de 8,38 cm e uma espessura de 1,8 cm. E neste pequeno espaço está não só a consola portátil mais poderosa do mundo (e enfatiza-se esta situação pelo facto de, pela primeira vez, a linha que a separa das consolas de secretária se ter tornado muito fina), como também está uma série de hardware que impressiona, com a versão wi-fi a pesar apenas 260 gramas, isto é, 20 gramas menos do que a PSP original.

Visualizando a consola pela sua parte frontal ela é bastante mais completa do que a PSP. Os duplos comandos analógicos são a grande diferenças, e estes são agora dois pequenos joysticks como nos comandos da PS3, e não um botão deslizante como acontecia na PSP. Aqui ainda estão presentes um comando de botões clássico (D-Pad), um botão Home com o símbolo da Playstation, um par de colunas stereo, os tradicionais botões Playstation (quadrado, circulo, X e triangulo), um botão Select e um botão Start. Temos ainda uma câmara frontal com 0.3 Megapixels (VGA – 640*480).

Já no topo da Vita temos os botões de ombro já conhecidos da PSP, sendo que no espaço entre eles está o botão de energia, os controlos de volume, a slot para os cartões de jogos e um terminal de expansão para ligação a periféricos de momento desconhecidos.

Na sua base temos a abertura para a ligação do carregador/conector USB (que usa uma ficha proprietária), o jack para microfone e auscultadores e a slot para os cartões de armazenamento interno.

Finalmente a traseira, onde temos a grande inovação da PS Vita, o touchpad traseiro, o microfone embutido, e uma segunda câmara, igualmente com 0,3 Megapixels (e aqui a Sony podia ter optado por uma coisinha melhor, com um mínimo de 1.3 Mpixels que já permitiria fotos e vídeo a 720p).

A PS Vita vista de todos os lados – Imagens do Protótipo

Para usar este hardware todo a Vita possui um processador 32 bits ARM Cortex A9 com quatro núcleos, o mesmo tipo de processadores usados em Tablets, como é o caso do iPad 2 (que apenas possui 2 núcleos). A nível de processamento gráfico temos igualmente uma placa gráfica com quatro núcleos, uma PowerVr Série 5XT SGXMP+. Este conjunto de processadores, apesar do preço da consola poder não aparentar, colocam a Vita num patamar de performances que nenhum tablet ou smartphone actualmente atinge.

A memória é inclusive superior à apresentada por uma Xbox 360 ou PS3, com 512 MB Ram + 128 MB Vram, o que perfaz um total de 640 MB de memória disponível.

As performances da PS Vita são deveras impressionantes para um sistema alimentado a bateria e portátil, mas no entanto as performances atingidas não são as mesmas que podemos ver numa Xbox 360 ou PS3 (pelo menos com estes jogos iniciais), sendo que acreditamos que actualmente consola estará a apresentar certa de 70 a 75% da potência das consolas de mesa. Mesmo assim, tal não é contudo impeditivo da apresentação de jogos com visuais assombrosos, como é o caso de Uncharted Golden Abiss, que apesar de estar uns furos abaixo de Uncharted 2 ou 3, chega a bater aos pontos o primeiro Uncharted, Drake’s Fortune, um jogo que, segundo os programadores, apenas utilizava cerca de 60% da potência da PS3. Esperamos contudo que, futuramente, com um melhor uso do hardware, essas performances cheguem a valores ainda mais altos.

Os pontos fortes e fracos, meramente na perspectiva de consola

Um dos pormenores de relevo da Vita é a possibilidade de se sair do jogo/software para os menus da consola e retornar ao jogo no ponto em que o mesmo foi interrompido. E isto mesmo que a consola entre em “sleep mode” por várias horas.

O controlo dos jogos é feito pelo D-Pad, Joysticks analógicos, ecrã táctil traseiro, ecrã táctil frontal e pelos inclinómetros/acelerómetros, podendo estes ser usados todos em conjunto, ou então em separado, consoante a implementação realizada no jogo.

O ecrã de 5 polegadas possui uma qualidade extraordinária, deixando para trás em termos de qualidade qualquer ecrã LCD. Tudo graças à tecnologia OLED com uma resolução de 960*640, uma resolução idêntica à do iPhone 4S, mas que aqui não consegue o efeito de Retina Display devido à densidade de pontos por polegada neste ecrã maior, ser de apenas 220 ppp (seriam necessários 326 ppp para um efeito Retina).

O inteface da consola, denominada de Live Area é totalmente baseado no toque, sendo bastante bem pensado e fácil de usar. No entanto todo aspecto geral do mesmo é um bocado acriançado, com icones pouso sérios e sinceramente pouco adequados ao mercado Europeu. No fundo há uma tentativa de colagem a certos conceitos da Nintendo que não resultaram muito bem. Os icones são redondos e cada icone representa uma aplicação diferente, sendo que absolutamente tudo funciona sob a forma de um aplicativo. Cada ecrã é personalizaável a nível de cores e por defeito há uma música irritante de “elevador” que toca em fundo, em tudo semelhante às musicas Nintendo. O sistema operativo é intuitivo e simples, sendo bastante diferente de tudo o que já vimos até hoje, sendo inclusivé que a Sony até o pondera vir a usar em alguns smartphones seus. Mas no entanto o tipo de icones mostra-se mais adequado a uma consola de 50 euros do que a uma consola supostamente séria como a Vita pretende ser.

Um dos problemas da PS Vita é a ausência de memória interna de armazenamento, o que obriga à colocação de um cartão de memória, sendo que estes são proprietários da Sony que optou por não usar os tradicionais cartões SD. E aqui a Sony pretende explorar esta exclusividade, uma vez que os cartões são extremamente caros, com os cartões de 4 GB a custarem 20 euros, e os de 16 GB com preços de 50 euros, situando-se os cartões de 8GB num preço intermédio que deve rondar os 35 euros.

Quer isto dizer que com este custo o armazenamento interno sai bastante caro, e como tal há que ponderar se a aquisição de uma versão digital a um preço um pouco mais reduzido compensa o uso do espaço no cartão. Como já alertamos anteriormente, com estes preços nos cartões aquilo que parece barato pode na prática ficar bastante mais caro.

O funcionamento da consola e os seus softwares

A Vita herda da PS3 algumas das suas caracteristicas de funcionamento, sendo que o botão Playstation, tal como com a sua irmã mais velha, pausa o jogo e permite o abandono do mesmo. Para tal, após o botão ser pressionado o ecrã da aplicação passa a ser mostrado como uma folha com o canto superior direito dobrado. E o fecho da aplicação faz-se mediante o arrasto com o dedo desse canto que desliza a imagem, fechando assim a aplicação. Uma ideia e conceito extremamente interessante e bem conseguido, sendo que funciona de forma eficaz e gratificante.

De origem a consola traz a possibilidade de download de vários jogos de realidade virtual que estão disponíveis de forma gratuita na PSN, local onde poderemos encontrar igualmente todos os jogos disponíveis nas lojas, alguns ao mesmo preço, outros com ligeiros descontos (relembramos a nossa chamada de atenção para a eventual falsa economia destes descontos). Mas é aqui que encontraremos igualmente todos os jogos PSP compatíveis com esta consola, bem como uma série de Minis, jogos pequenos e extremamamente baratos que servem para uns minutos gratificantes de jogo.

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Outras aplicações incluem o “Festa”, uma aplicação de conversação por voz que pode ser usada em simultâneo com os jogos de forma a permitir a conversação com quem se partilha a diversão, o “Amigos” que permite adicionar e gerir amigos da PSN (ou Sony Entertainement Network se preferirem), o “Espaço de boas vindas” que inclui alguns mini jogos pré incluidos que permitem explorar as diversas caracteristicas técnicas do harware da consola, o icone da PS Store que dá acesso à loja da PSN que já falamos em cima, o “Near” que permite descobrir amigos nas proximidades e saber o que eles estão a jogar, as “Mensagens de grupo” que permitem chats entre amigos, os “Trofeus” que permitem ver os trofeus desbloqueados quer do jogador, quer dos seus amigos, as “Fotografias” que permite ver as fotos tiradas, bem como as capturas de ecrã (obtidas com o pressionar simultâneo das teclas PS+Start), bem como activar a mediocre câmara da consola, e o “Navegador” que é o mais do que mediocre browser da consola.

Ainda disponível com a consola estão algumas aplicações que requerem serviços ou software externo. É o caso do leitor de música que requer, naturalmente, música, e o leitor de video que pode não só reproduzir os videos filmados com a câmara, mas igualmente videos inseridos no formato Mpeg 4 .h264. No entanto esta colocação de conteudo na consola não é simples, e requer o uso do aplicação “Gestor de Conteúdo”, bem como um software da Sony instalado no PC, e que limita as transferências entre a consola e o PC a este tipo de multimédia (certamente uma medida adicional no sentido de se tentar impedir a pirataria e a fácil colocação de software no cartão da consola).

Eis os formatos suportados pela consola:

Musica: MP3 MPEG-1/2 Audio Layer 3, MPEG-4 AAC, WAVE (Linear PCM)

Video: MPEG-4 Simple Profile (AAC), H.264/MPEG-4 AVC Hi/Main/Baseline Profile (AAC)

Foto: JPEG (Exif 2.2.1), TIFF, BMP, GIF, PNG

Existe ainda a aplicação “Mapas”, disponibilizada com o firmware 1.61, e que permite um acesso aos google maps num formato em tudo semelhante ao oferecido pelos tablets.

Mas voltando ao Browser, a peça de software mais mediocre do conjunto, há que referir que o mesmo possui performances execráveis, não possui suporte javascript e nem aceita qualquer tipo de cookies. O Flash não é suportado, mas curiosamente o HTML 5 tambem não! A reorientação do ecrã com a inclinação da consola, apesar da existência de hardware capaz de detectar essas mudanças de orientação, tambem não é uma realidade.

Recomendamos que visualizem a primeira parte deste artigo para um video com o funcionamento deste browser.

O Remote Play

Teoricamente o Remote Play deveria justificar um capítulo desta análise, mas como poderão reparar só vai ter direito a umas linhas. Esta é uma opção que deveria permitir à PS Vita tomar o controlo sobre a PS3, permitindo visualizar remotamente, no seu ecrã, o conteúdo apresentado no ecrã da sua irmã de mesa. E isto deveria funcionar sobre uma rede wireless, e mesmo, apesar de com menor qualidade, sobre a internet.

No entanto, para nossa decepção, apesar dos rumores de que todos os jogos poderiam ter esta funcionalidade na PS Vita, o número de jogos que suporta esta funcionalidade é extremamente reduzido, e normalmente tratam-se de jogos com um volume de vendas reduzido, ou seja, pouco atractivos e conhecidos, o que quer dizer que, actualmente, esta é uma caracteristica que, não sendo o trunfo esperado, é apenas algo que está a ocupar espaço na memória da consola.

Espera-se contudo que tal possa mudar no futuro de forma oficial, uma vez que como a comunidade de hackers já revelou, é possivel colocar jogos que não suportam esta funcionalidade a funcionar sem problemas com a mesma.

A Bateria

Devido ao poder de processamento e aos resultados apresentados no ecrã, torna-se difícil falar sobre a bateria e/ou criticar a mesma. Mas seja como for, reduzindo a coisa à realidade nua e crua, a sua duração não é nada de extraordinário.

No entanto, face às suas performances, a duração da bateria ajusta-se perfeitamente. Um iPad2, com um processador com metade dos núcleos e uma placa gráfica deveras inferior, aguenta-se cerca de 10 horas em funcionamento contínuo.

Aqui, para conseguirmos tirar 5h de uso desta bateria temos de usar um jogo pouco pesado, reduzir o brilho do ecrã para o mínimo e desligar as capacidades de rede.

É certo que a bateria não dura sempre o mesmo, dependendo muito do software executado, pelo que um valor mais mediano e realista apontará para algo como quatro horas, mas dado que falamos de uma média há que referir que o valor pode ser maior… mas tambem pode ser menor.

Felizmente, apesar da sua duração ser reduzida, a bateria até nem é das mais lentas a carregar, mas esperem pelo menos duas horas e meia de carga até obterem a carga total.

Já de forma infeliz a bateria não pode ser trocada, o que quer dizer que uma bateria de reserva não é uma possibilidade.

De referir igualmente que a consola em standby tem um consumo de bateria quase nulo.

Os tempos de carga

Apesar de a consola não possuir componentes móveis e funcionar exclusivamente sobre cartões de memória, os tempos de carga não são os melhores. É certo que alguns jogos, e Uncharted: Golden Abyss é um bom exemplo, até carregam a velocidades aceitáveis, mas outros chegam a ser desesperantes. Se a culpa é de má programação ou dos cartões de memória não sabemos, mas neste momento, após uma análise mais ponderada e uma boa exploração de jogos como Uncharted, apontamos mais para a primeira hipótese, algo que não acontecia quando da altura da escrita do primeiro artigo.

O Cross Play

O cross play é uma das caracteristicas especiais da PS Vita e que poderá vir a ser um grande factor de vendas.

Basicamente esta caracteristica permite aos jogadores de jogos PS Vita jogarem contra outros jogadores numa PS3.

E apesar de vários jogos estarem previstos a suportar esta caracteristica, actualmente apenas Wipeout 2048 a suporta, e de forma limitada, pois é possível jogar-se contra os possuidores de Wipeout HD na PS3, mas apenas em certas pistas.

O painel traseiro

Vamos terminar este artigo abordando uma das peças mais inovadoras desta consola, o seu painel táctil traseiro.

Basicamente este painel pode substituir o painel frontal, evitando-se assim que os dedos obstruam o ecrã. Mas no entanto, apesar de tal ser uma realidade, a Sony tem explorado igualmente o ecrã de outras formas, quer permitindo interacções com ambos os lados do universo 3D (por exemplo pelo ar e por baixo da terra), quer colocando certas acções especiais a serem realizadas com o ecrã traseiro.

Exemplos dos casos de cima aparecem em mini jogos do jogo Little Deviants, onde no ecrã tactil superior interagimos com os icones do ecrã, mas no ecrã inferior deformamos o terreno por baixo dos pés da nossa personagem, para a podermos empurrar.

Fifa 12, por exemplo, usa o ecrã superior para definir por intermédio de toque, zonas precisas de passe, sejam elas outro jogador ou um espaço no terreno. Mas o ecrã de baixo representa a baliza e a zona de toque o ponto da baliza para onde queremos rematar.

Desta forma consegue-se uma muito maior precisão no remate, mas teremos de referir que com este ecrã activo, neste jogo, e devido ao facto de a função em causa estar sempre activa, um toque acidental dá direito a um remate. E infelizmente, dadas as dimensões do ecrã, essa situação torna-se mais frequente do que o desejado, uma vez que não há por onde recolher os dedos.

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Uncharted: Golden Abyss é mais inteligente nesse aspecto, sendo que os toques no ecrã de trás só são reconhecidos se efectivamente forem necessários, permitindo-se assim segurar de forma adequada na consola.

Mas de forma original temos o jogo Frobisher Says que força a acções simultâneas nos dois ecrãs (como para se pegar em objectos), usando igualmente o ecrã frontal para interagir com a frente dos objectos e o traseiro para interagir com a parte de trás (por exemplo, coçar as costas do boneco).

Conclusão:

A Ps Vita tem um potencial incrivel, e pode mesmo ser uma substituta temporária de um tablet caso sejam feitas as melhorias necessárias no seu software (particularmente no browser).

O seu preço é igualmente impressionante, custando metade de um iPad 16 BG, mas contendo um harware com mais do dobro da potência e muito mais completo.

Mas o seu ponto mais forte são os jogos e as suas performances que deixam qualquer um de boca aberta. A consola é realmente impressionante, e se nunca viste uma vai a qualquer sitio onde possas pegar nela e testa-a por ti mesmo.

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