Análise: Soundbar Yamaha YAS-207

Uma excelente Soundbar, e que se mantêm à três anos como sendo a melhor soundbar do ano na sua gama de preços pela What Hifi?, com um custo baixo, um som impressionante, e efeitos sonoros 3D.

Um dos grandes problemas das actuais TVs é que, ao primarem por serem cada vez mais finas, as mesmas ficam sem grande espaço para uma caixa de baixos decente. E isto quer dizer que, independentemente do suporte sonoro que possam ter, a qualidade do seu som é sempre débil, ao faltar-lhes a pujança, vivacidade, clareza e definição no som que reproduzem.

Independentemente da qualidade que se possa achar que as colunas de uma Tv possam ter, nada se compara ao som que pode ser obtido com um sistema audio dedicado, com colunas criadas e pensadas de raiz para a reprodução do melhor audio possível. E cada vez mais a coisa é assim. As TVs trazem colunas, muitas vezes anunciadas como suportado uma série de tecnologias audio, mas a realidade é que o seu audio é um pouco um desenrasque, e uma forma de a TV poder ser autónoma.

Nesse sentido o mercado das soundbars tem crescido tremendamente, colmatando esta lacuna das TVs.

As soundbars são formas muito acessíveis de se conseguir um som com bastante qualidade, e por isso tornaram-se extremamente populares. São mais acessíveis que os sistemas audio com diversas colunas e, apesar de não conseguirem substituir os mesmos, oferecem uma qualidade de audio elevada.



Tendo adquirido uma TV Samsung Qled, rapidamente me apercebi que o som não era o melhor que poderia ter, e assim, pretendendo melhorar a qualidade do som da mesma, parti à procura de uma soundbar. Os requisitos eram básicos: A melhor qualidade possível no menor preço possível, mas mantendo a melhor relação possível entre os dois.

No entanto, tendo na sala um sistema 5.1 baseado num Denon AVR 985, com suporte DTS Neo:6, a base de comparação era exigente. A Soundbar tinha de ser acessível, mas capaz de competir com o standard audio que eu conhecia e a que já estava habituado.

Naturalmente que assim sendo, e não tendo as soundbars colunas envolventes, as soundbars com som projectado, mais especificamente com Dolby Atmos foram a minha primeira ideia, mas rapidamente desisti da mesma ao verificar que o seu custo era demasiadamente elevado, e acima de tudo os seus efeitos eram demasiadamente limitados. Basicamente as soundbars ao funcionarem à base de som projectado, conseguem bons efeitos, mas pelo menos nos modelos entrada de gama (se é que podemos chamar entrada de gama a uma soundbar de 600 euros), o som estava longe do que é conseguido com colunas físicas presentes no local. E nesse sentido, uma soundbar com um preço que ia forçosamente para a zona dos 600 euros com um Dolby Atmos que me soava a limitado era algo fora de hipótese.

Havia assim que encontrar uma alternativa.

E ela existia… a preços bem acessíveis.

O DTS e o Dolby Digital são basicamente codecs concorrentes. Ambos oferecem basicamente a mesma coisa, e a discussão sobre qual dos dois é melhor é um pouco eterna, com defensores de ambos os lados. Ora a DTS tem também uma alternativa ao Dolby Atmos, o seu DTS:X, um standard relativamente novo no mercado, e igualmente capaz de criar som posicional 3D, tal como este.

Infelizmente, e isto foi referido na review da Samsung Qled Q70R, a Samsung pura e simplesmente deixou de suportar audio DTS nas suas TVs. E isto implica que se o DTS não funciona e nem sequer é passado para a Soundbar, o DTS:X também não seria suportado.

Mas felizmente há soundbars com suporte DTS:Virtual X. Basicamente estas barras conseguem criar os seus efeitos 3D usando um processador interno, partindo de uma fonte Dolby Digital normal (5.1 ou 7.1), ou mesmo uma PCM com codificação Pro Logic.

E seria por aqui que eu iria. Não só o preço é inferior às colunas Atmos, como tem a vantagem de se ter som 3D projectado posicional basicamente a partir de qualquer fonte sonora.

Mas qual escolher? Porque promessas de som posicional há muitas, mas a realidade é que muitas colunas não são minimamente efectivas naquilo que prometem fazer, E eu já tinha visto isso com colunas Atmos de 600 euros.

Ora foi aqui que a What Hifi?, uma publicação dedicada a audio nos valeu, pois ali rapidamente encontramos a Yamaha YAS-207.

O que nos chamou a atenção nesta coluna? Bem, ela teria algo que poderia não abonar muito a seu favor, pois foi lançada em 2017. E isso quer dizer que é um produto com mais de 2 anos.

Mas ela tinha muito a seu favor. Para começar, quando foi lançada em 2017, ela foi a vencedora do prémio de melhor soundbar da What Hifi?

Mas 2017 foi 2017… Provavelmente já apareceram melhores, certo?

E é aqui que aparece a surpresa. A questão é que desde o seu lançamento esta soundbar tem-se mantido nos prémios das melhores soundbars da What Hifi?. E mesmo em 2019, ela volta a ganhar o prémio de melhor soundbar.

Um achado? Talvez!

Basicamente o que podemos dizer dela é que o que nos foi mostrado não decepcionou nem um pouco?

A Yahama YAS-207 é uma soundbar, com suporte DOLBY DIGITAL, DTS,  e capacidade de virtualização do audio a 3D, com o DTS Virtual:X.

A coluna apoia-se na tecnologia premiada Yamaha Sound Projection (YSP), que cria uma experiência surround completa a partir de uma única soundbar, e um subwoofer externo. O que é aqui oferecido é um excelente compromisso entre as grandes performances e a simplicidade de um sistema soundbar.



Basicamente a coluna tenta, com um nível de sucesso que se revela bastante acima da média, criar o som de um sistema 7.1.4 (tantos canais como um teórico sistema 11.1), com um som nítido, perspicaz e dinâmico, com um desempenho 3D espaçoso e envolvente.



Basicamente o DTS Virtual X funciona de forma diferente do DTS:X e do Dolby Atmos que requerem os efeitos codificados nativamente na pista audio. Ms aqui este sistema faz um pós processamento em tempo real e cria a virtualização audio, desde que o audio original seja destinado a sistemas com mais do que 2 colunas, o que inclui o Dolby Digital (5.1 e 7.1), o DTS, e mesmo o Prologic e Prologic II. De notar que a virtualização não engloba apenas a direita esquerda, a frente e a traseira, mas igualmente o cima e o baixo. Por outras palavras, o som é projectado em todas as dimensões.

A barra possui uma ligação optica, um input jack de 3.5mm e HDMI in e Out 2.0b que permite passar conteúdo 4K e HDR. Possui ainda suporte ARC, o que lhe permite receber audio do televisor pelo HDMI, bem como ser controlada pelo comando da televisão.

Talvez neste ponto seja de se esclarecer que, apesar dos elogios ao som virtualizado, ele não se equivale exactamente ao obtido com a presença física de colunas. Isso, por muito que se deseje, não é algo que consiga ser feito.

Mas face ao que há no mercado baseado inclusive em tecnologias de som projectado Dolby Atmos, esta Yamaha consegue efeitos deveras impressionantes, com um som que “desafia as proporções físicas da barra, e levando o campo sonoro projectado a um nível superior aos dos rivais, num ambiente mais espaçoso e mais envolvente” (citação da Whats Hifi? que posso confirmar existir, apenas não podendo confirmar a parte dos rivais por, ao contrário deles, não ter acesso a basicamente todos os produtos concorrentes).

A barra possui ainda ligação Bluetooth, que pode ser usada por smartphones ou mesmo a TV (apesar de não ser recomendado que se ligue a TV desta forma), e uma aplicação para telemóvel que permite saltar entre as diversas configurações de som com apenas um toque.

Aquando da compra, dado que apenas tinha lido as reviews, mas nunca tinha ouvido a soundbar, solicitei ao técnico da Worten se a podia ligar para testar. O som que enviei do meu smartphone e que tinha preparado para teste, não só me impressionou, como impressionou o vendedor e as pessoas que ali estavam que pararam a ouvir e a fazer perguntas sobre qual era a barra usada.

Inclusive uma vendedora que estava do outro lado da Worten veio ao nosso lado comentar o som, e questionar qual era a soundbar que estava a ser usada.

A presença de opções como a Bass Extension que aumenta os baixos e o Crlear Voice que aumenta a clareza das vozes, especialmente em cenas com muito ruído são extras excelentes que funcionam de forma exemplar.

A barra tem 93 cm de comprimento e 6 cm de altura (não medi a largura), e vem acompanhada do subwoofer da imagem e de um comando.

O comando é, como já foi referido, basicamente substituível se a barra for ligada por ARC ao HDMI. O comando da TV passa a controlar o volume, e o ligar e desligar da barra (que passa a acontecer ao mesmo tempo que a TV). O que resta pode ser acedido pela APP do smartphone, o que torna o comando um extra.

Conclusões

Basicamente não podia estar mais satisfeito com a soundbar adquirida. Os efeitos 3D são notórios, apesar de não serem equivalentes aos obtidos com colunas físicas. Por exemplo, os sons que supostamente deveriam vir de trás de nós não vem, mas soam a algo ao nosso lado. É uma redução do efeito, mas que mesmo assim, para algo virtualizado é impressionante.

Confesso que a virtualização 3D, apesar de impressionante, sacrifica um pouco o balanço sonoro. No entanto o desactivar do Bass Boost e a activação do Clear Voice neste modo aparentam repor parte do equilibrio perdido, criando assim um resultado surpreendentemente bom.

Mais impressionante fica quando o preço de custo de 349.99 desceu para 249.99 pelas promoções de Haloween da Worten.

Daí que eventuais interessados estejam atentos à Black Friday onde eventualmente o preço poderá voltar a descer para algo semelhante!

 



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Felipe Leite
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Felipe Leite

Essas reviews são sempre muito úteis.
Mais um excelente artigo.

Julio
Visitante
Julio

Ótimo artigo Mário. Por coincidência estava em busca de uma soundbar para minha tv. Vou ficar de olho nas promoções de Black Friday.

José Galvão
Membro

Por acaso já tinha andado a ver as soundbar mas não tinha ficado convencido, com esta análise do Mário já tenho umas luzes para quando quiser uma boa soundbar sem pagar uma fortuna, também estive a ver a YAS-209 mas básicamente é o mesmo mas com mais futilidades, é mais cara e pior, sem entrada de headphones, portanto esta até é mesmo o ideal.

Excelente análise e se comprar uma soundbar será esta.

Livio
Visitante
Livio

Um excelente artigo.

Iniciei minha vida com Home Theater por volta de 2010/2011, quando um parente me deixou lá em casa um NKS HT1100(5.1) com defeito para eu brincar! O HT, pelo que lembro, não tinha saída de som e só veio com 3 caixinhas(são 5 no total) e o sub. Fiz a manutenção e como ele foi dado resolvi testar com o PS3 e mesmo não tendo entrada HDMI ou óptica, somente as RCA estéreo, gostei do que vi, na verdade ouvi!

Com base na última experiência em “sistema de áudio” adquiri no final de 2012 um BDV-N990W (5.1) da Sony (tá resistindo até hoje porém já com sinais de problema próximo) cujo diferencial são as caixas traseiras sem fio e gostei.

Também tive a dúvida em saber qual era melhor, se era o Dolby ou DTS e acabei escolhendo o DTS.

Como disse acima o meu atual HT apresenta sintomas de que quase está em fim de vida e já prevendo isso desde o ano passado venho pesquisando por algum aparelho substituto mas percebi que as marcas que vendiam Home Theater praticamente estão investindo em Sound Bar(SB) e sempre fico com um pé atrás pois vi SB que prometia 5.1 sendo que só tem 2 alto-falantes(sei que isso não é impeditivo porque tem fones que dizem simular 7.1)

Sei que o Sound Bar não substitui um Home Theater, mas tenho receio de ter que comprar um SB por não ter mais HT disponível no mercado.

David Martins
Visitante
David Martins

Por coincidência é a soundbar que estou namorando (testei de outras marcas mas nenhuma me impressionou, fiquei com receio pelo preço alto), estou ansioso pelas impressões nos testes de jogos e filmes, principalmente a capacidade de resposta nos graves e os reais ganhos em comparação a experiência somente com os auto falantes da TV, e se consegue resgatar alguma parcela de experiência obtida nos cinemas.