Análise: Tomb Raider

O Reboot de um dos maiores franchisings dos video jogos está aí. Tomb Raider traz uma nova Lara Croft, e consegue reviver um título que caíra na repetição e exaustão. A questão é que não só o revive, mas deixa os fans a ansiar por mais… muito mais.

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Ao longo dos anos vimos muitos reboots a acontecerem. Mas se normalmente esses reboots ou não satisfizeram ou perderam o ADN que os ligava aos jogos anteriores, Tomb Raider faz um reboot como deve ser: Trata-se de um jogo fantástico que quebra muito com a antiga série de jogos, mas mantêm o suficiente para que o jogador se identifique com o que está a jogar. E é certamente um Tomb Raider. Apenas diferente ao ponto de ser o melhor Tomb Raider de sempre.

Quem é Lara? Porque motivo Lara usa duas pistolas? Porque Lara é capaz de matar sem sequer pestanejar? Essas e outras questões sempre levaram os fans a questionar-se. Lara é uma personagem feminina e atlética, mas ao mesmo tempo uma assassina impiedosa e capaz de matar sem qualquer remorso. Como se explica isso? O que levou a que Lara fosse assim?

É exactamente a essas questões que esse jogo tenta responder. E consegue-o de uma forma fantástica. Aqui estamos perante a primeira aventura a sério da Lara Croft, uma adolescente acabada de sair da faculdade e que parte para o mundo em busca de aventura. Mas como ela própria refere, a aventura é que a encontra.



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Partindo num barco, o mesmo é apanhado numa tempestade que o leva a encalhar numa ilha. E aqui na ilha algo de sobrenatural domina. Mas o que é será algo que só saberemos perto do final do jogo.

A verdade é que a ilha é habitada por centenas de sobreviventes de outros barcos que ao longo dos anos foram ali ficando. E uma maldição impede-os de sair da ilha.

As semelhanças com Lost é algo que vem logo à cabeça, mas aqui Lara não está morta. Lara e os restantes sobreviventes estão bem vivos e terão de descobrir como acabar com a maldição que os impede de abandonar a ilha.

A questão é que tal não é fácil. Os restantes habitantes da ilha são liderados por Mathias, um líder fanático que criou um culto religioso em torno de tudo o que ali se passa, sendo que a chacina e a morte é algo de normal para aqueles habitantes.

Lara é assim apanhada no meio de uma ilha desconhecida e com habitantes que a querem matar. E é neste ambiente que Lara vai crescer como mulher e definir a sua personalidade. Começando como uma menina assustada a evolução da personalidade da personagem ao longo do jogo é assombrosa. Lara inicialmente treme e quase cai em tudo o que faz, sendo muito insegura nas suas acções, mas com o avançar do jogo vai dominando as suas habilidades. E tal é feito à base de um sistema de pontos de evolução que vão sendo atribuídos às capacidades de Lara à medida que vão sendo ganhos com a experiência adquirida.

Lara mata o seu primeiro animal para comer. E chora ao faze-lo. Mata o seu primeiro homem quando este a tenta violar. E chora. Mas as dificuldades não se ficam por aqui e Lara vai matar novamente. E a evolução que tal necessidade de sobrevivência provoca na personagem é tal que Lara passa de presa a caçador, sendo que no final do jogo são os assassinos impiedosos que a temem e Lara que os caça. Uma inversão assombrosa de papeis e que mostram o crescimento de uma menina assustada a uma personagem forte e decidida.

Diga-se que Lara passa por aquilo que vulgarmente se define como “as passas do Algarve”. Tudo está contra ela, e esta é obrigada a crescer e a definir-se como aquilo que conhecemos. A Crystal Dinamics faz aqui um jogo que nesse aspecto é absolutamente assombroso. E isso é acompanhado de modelos e expressões da personagem cada vez mais convictos e decididos. E tudo isto num mundo violento a um ponto que torna este um jogo apenas adequado a adultos.

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Mas a qualidade do jogo não se fica pela evolução da personagem. Graficamente o jogo é assombroso, e curiosamente nem é assim muito exigente a nível das especificações requeridas. E Lara é neste jogo das personagens, senão mesmo a personagem, mais credível da história dos videojogos, quer pela sua modelação, quer pela forma como a sua personalidade é moldada ao longo do jogo.

Talvez a única opção polémica do jogo é o suporte TressFX, Uma tecnologia desenvolvida pela AMD e que usa o Direct Compute standard no Direct X 11 e que permite cabelos realistas a moverem-se ao vento, mas à custa de grande impacto nas performances. Diga-se que mesmo as placas topo de gama sofrem tremendas penalizações nas performances ao activar esta opção que, apesar de interessante acaba por ser um extra quase de luxo.

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Lara e a sua modelo na vida real

Mas mesmo sem ser extremamente exigente, Tomb Raider consegue visuais assombrosos e efeitos fantásticos. As mudanças dos ângulos de câmara estão bem conseguidos fornecendo o dramatismo necessário a cada uma das situações, e os cenários são realmente visualmente deslumbrantes. Mas mais ainda os efeitos de suspense e dramatismo com as animações realizadas que mostram uma Lara em risco de vida a cada instante ajudam a manter um ambiente tenso e a viver melhor a história.

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Tomb Raider é sem dúvida o melhor jogo da série de sempre, e será mesmo um dos melhores jogos alguma vez realizados. Sinceramente numa altura em que os jogos se revelam cada vez mais um repetir de formulas já gastas, com apenas melhorias gráficas, Tomb Raider surge como uma brisa fresca nesse panorama. É diferente, e é inovador em muitos aspectos. Mas é acima de tudo um grande jogo, e talvez um dos melhores de sempre.

Tenho mesmo que referir que se tivesse de adicionar novos jogos à minha lista de melhores jogos de sempre, Tomb Raider estaria certamente lá. Um jogo que recomendo a todos.

Análise Tomb Raider
Gráficoswww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Usando um motor relativamente leve e pouco exigente a nível de hardware, Tomb Raider consegue um grafismo de topo ao nível do que actualmente se faz de melhor. Tomb Raider acaba por ser um excelente exemplo de qualidade de programação gráfica, apresentando efeitos de luz, fumo e outros de uma qualidade estonteante, tudo associado a modelações de qualidade extrema e modelos de personagens assombrosos.
Somwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
O som é usado da melhor forma. Não só a banda sonora é mais do que adequada, como o som é usado para fornecer pistas diversas ao utilizador. Não é pela banda sonora que Tomb Raider se destaca mas o certo é que também não é por ela que perde. O som é posicional e com umas colunas 5.1 podemos detectar a posição de animais ou pessoas usando o mesmo.
Jogabilidadewww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Sendo jogador à vários anos (desde o ZX Spectrum), poucos são os jogos actuais que me cativam ao nível que Tomb Raider o fez. Nesse sentido considero-o os dos grandes jogos de sempre, e um título que deverá fazer parte da biblioteca de jogos de qualquer amante dos videojogos.
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O jogo consegue prender desde o seu início. E os ângulos de câmara são usados de forma a transmitir uma ideia de uma Lara inicialmente indefesa mas que sofre grandes alterações na sua personalidade e na forma como encara a vida ao longo do jogo. E é a evolução da personagem juntamente com a história que ajudam a manter o jogador cativo. Depois com cenários deslumbrantes, e uma história cativante que vai revelando os seus segredos com o avançar do jogo, torna-se difícil não nos mantermos presos ao jogo.
Overallwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Tomb Raider renasceu. Lara renasceu. E foi para melhor, talvez para tão bom que dificilmente será possível superar-se o que foi feito aqui. Recomenda-se vivamente.



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