Análises a Star Wars Battlefront estão a sofrer do mesmo que The Order 1886?

Star_Wars_battlefront

Avaliar um jogo não pelo que oferece, mas pelo que poderia ter oferecido, tem sido algo cada vez mais comum. E quando se cai no erro de dar ao jogo o nome de algo que já existiu e era mais completo, o problema agrava-se!

The Order 1886 foi um jogo de novas elevadíssimas e de notas baixíssimas. Mas o jogo nunca foi criticado pelas suas competências técnicas, ou pela sua falta de qualidade, mas sim apenas pelo conceito daquilo que um jogo de 70 euros deveria oferecer. E sendo considerado pouco, o jogo foi massacrado!

Agora Star Wars: Battlefront está a sofrer algo parecido! Apesar da elevadíssima qualidade do jogo, as criticas caem em cima do mesmo por aquilo que ele poderia ter sido e pelo que e considera ausência de conteúdo face a outros jogos da saga.

Não é que discorde que a ausência de conteúdo tenha de se refletir na nota. Muito pelo contrário! Acho que uma avaliação acima de tudo deve refletir se o jogo vale aquilo que custa. Mas no entanto quando um jogo consegue ser uma proeza técnica e atingir um patamar de elevadíssima qualidade há igualmente que se dar valor a tal, e acima de tudo aceitar-se que o conteúdo não é tudo!

Mas mesmo concordando com a penalização da ausência de conteúdo não posso concordar com outras referências. E frases que referem que o jogo não seria tão bom ou tão bem aceite se não fosse ligado ao universo Star Wars são, a meu ver, completamente ridículas! O jogo é ligado ao universo Star Wars e traduz o mesmo com uma fidelidade gráfica e sonora como nenhum até hoje o fez, e com performances de sonho. E não vale a pena especular mais nada, o universo Star Wars é o que faz o jogo ser o que é.

Com ou sem conteúdo face a jogos antigos da série, penso que acima de tudo o que deveria ser avaliado neste jogo é até que ponto ele consegue trazer até nós o universo Star Wars. E isso ele consegue-o fazer de forma inédita! Pela primeira vez podemos sentir realmente que fazemos parte integrante desse universo graças à tremenda fidelidade gráfica e sonora com uma qualidade CGI.

Como um exemplo comparativo refiro o seguinte: Naturalmente uma action figure pintada à mão e com todos os detalhes e pormenores de uma personagem, vendida a 200 euros pode parecer cara face a uma versão em plástico barato e industrializada e vendida a 20 euros. Mas o que se paga ali não é só o plástico e o boneco, é a qualidade e dedicação colocada no produto. E se o boneco mais barato até permitir colocar e tirar espadas da mão, oferecendo mais diversidade, isso não torna o produto mais caro com o seu trabalho de pormenor,  inferior!

Battlefront2vsBattlefront

Battlefront 2 vs Battlefront 2015

Daí que, a nosso ver, para uma avaliação correta do jogo não devemos ver o que ele tem a mais ou a menos que outros shooters do mercado. Não o devemos comparar com Battlefield, com Call of Duty ou mesmo com outros Battlefronts mais antigos. E acima de tudo não devemos avaliar a saturação que o jogo traz por conhecermos outros com mais oferta e por este ter mais ou menos conteúdo. Devemos isso sim avaliar exclusivamente o que temos: É bom? é mau? Como relata e como nos transporta para o universo Star Wars? É divertido? E enquadrado nessa perspectiva, vale o que custa?


The Order 1886 e agora Star Wars Battlefront são acima de tudo proezas técnicas. Jogos que graficamente quebram barreiras, e Star Wars ainda o faz de uma maneira muito mais agressiva ao conseguir 60 fps a 99% do tempo. Tal qualidade quase cinematográfica a esse número de fotogramas é uma proeza que torna este jogo na action figure pintada à mão que acima referimos. Poderá ser um objecto mais direcionado a colecionadores, mas será o objecto que todos gostariam de ter.

filmevsjogo

Filme vs Jogo

Sim, é certo que há quebra de conteúdo. E muita! Se formos pela comparação com os anteriores jogos da série teremos efetivamente de deitar o jogo para baixo. Não é uma evolução! Mas aí há que dizer que o erro está em assumir uma comparação só porque o jogo tem o mesmo nome, e o nome foi uma mera questão de marketing. E vendo o teor das análise, questiono-me seriamente se o jogo tivesse outro nome, como por exemplo Star Wars: Battles, se seria tão penalizado!

Aliás quando websites como o GamesRadar penaliza Star Wars Battlefront por não ter “opções de jogador único decentes”, e vem escrever um outro artigo em que refere que talvez seja altura de Call of Duty largar o modo campanha, algo está mal!


Mas no entanto não posso deixar de dar razão às criticas. Não pela comparação do nível de conteúdo com jogos anteriores, ou pela ausência de modo campanha, mas pelo conhecimento da existência do futuro DLC que custará 50 dólares/euros

Não é que a expansão, analisada separadamente, não possa valer os 50 euros. Ela inclui novos veículos, cartas, mapas e modos de jogo, bem como novos heróis e vilões. Inclui ainda novas armas, e 16 mapas multi jogador!

É efetivamente conteúdo em quantidade que, numa análise a frio, poderá parecer justificar o custo.

A questão é que isto não é um jogo… É um DLC! E um DLC não é mais do que conteúdo adicional para um jogo! Ora quando vemos que o jogo em causa e que custa 60 dólares/euros, apenas possui 12 mapas, subitamente o DLC com os seus 16 soa a absurdo. É um DLC que tem mais conteúdo que o jogo, mas que assenta sobre o jogo. Claramente caça ao dinheiro! E atenção que aqui falamos apenas das edições standard pois a Deluxe, essa é o absurdo total e aquilo que só posso considerar como a “roubalheira” completa!

Mas de certa forma avaliar um jogo por aquilo que aí vem e não por o que ele tem pode parecer injusto. Agora o certo é que é a EA que está por detrás disto, e o jogo comete vários erros. Comete o erro ao ser chamado de Battlefront dando azo a comparações, e comete o erro de dar a conhecer o conteúdo do DLC para o season pass. E com os erros cometidos, agora tem de sofrer as consequências.

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