As conferências da E3 de 2016

Há muito o que se possa dizer sobre o que se passou nesta E3. Muito mesmo!

Normalmente a E3 é uma altura de entusiasmo, e onde vemos as novidades das consolas. Mas pela primeira vez na vida a E3 foi uma desilusão que preferia não tivesse existido.

Eis um resumo e comentário das apresentações da Microsoft e Sony:

Microsoft

Vamos ver o essencial do apresentado:

O Software

Gears of War 4 – Já apresentado anteriormente! Exclusivo da plataforma Xbox.
Recore – Já apresentado anteriormente. Novo IP. Exclusivo da plataforma Xbox.
Forza Horizon 3 – Novo jogo de um IP conhecido. Exclusivo da plataforma Xbox.
Final Fantasy 15 – Já apresentado anteriormente. Multiplataforma.
Teken 7 –  Já apresentado anteriormente. Novo jogo de um IP conhecido. Multiplataforma.
Scalebound – Já apresentado anteriormente. Novo IP exclusivo da plataforma Xbox
Dead Rising 4 – Novo jogo de um IP conhecido. Exclusivo da plataforma Xbox
Sea of Thieves – Já apresentado anteriormente. Novo IP. Exclusivo da plataforma Xbox
Halo Wars 2 – Novo jogo de um IP conhecido. Exclusivo da plataforma Xbox.



Para além disto tivemos direito a alguns Indies ou jogos não AAA: Gwent, o jogo de cartas de Witcher 3, Deliver us the Moon, Flint Hook, Far, Slime Rancher, Inside, We Happy Few.

Ora olhando apenas para os AAA, basicamente os jogos que definem a imagem de marca da consola, vemos que a Microsoft apresentou um total 9 títulos. Mas desses 9, apenas 3 deles nunca tinham sido visualizados, o que implica que nesta E3 a Microsoft apenas nos presenteou com a apresentação de 3 jogos AAA como novidade.

Mas na realidade, apesar de novidade, desses três jogos, Forza Horizon 3 e Halo Wars 2, não foram verdadeiramente surpresas. Desde que a Xbox One foi lançada não há um ano em que não tenhamos direito a um jogo Forza e um jogo Halo. Daí que era mais do que esperado que este fosse o ano de Horizon 3 e, segundo já se falava, de Halo Wars 2.

Apesar de as linhas de cima poderem parecer algo críticas, na realidade estas limitam-se a relatar a realidade, e só parecem críticas porque quem as ler, está com uma ideia na cabeça um pouco criada pela realidade das E3 dos últimos anos. E aí o que temos visto são jogos e mais jogos, novidades e mais novidades, mas que passado um ano, e perante nova E3, ainda continuam a ser promessas. Nesse aspecto, apesar de não podermos negar que o conteúdo apresentado pela Microsoft a nível de novidades e surpresas foi fraco, o que foi apresentado foi algo terra a terra, e constituído por jogos que os fans poderão efetivamente jogar nos próximos tempos. No fundo as E3 deveriam ser um pouco isso mesmo, uma apresentação do que está para vir em breve, e não uma feira de promessas a longo prazo.

O Hardware

Mas a apresentação da Microsoft não foi marcada pelas apresentações do software, mas sim do hardware! E aí poderemos dizer que aquilo que vimos foi uma verdadeira decepção para quem acompanha as consolas à tantos anos pois marca o fim de um ciclo como o conhecíamos.

Faz cerca de 3 ou 4 meses surgiram rumores sobre uma possível PS4 mais potente que não teria direito a exclusivos, mas que apenas correria, e melhor, os jogos da atual PS4. E os rumores foram acompanhados de um coro de críticas que vieram de todos os lados, quer dos fans da Sony que estavam decepcionados, quer dos fans da Microsoft que de certa forma gozavam com a situação de haver uma fragmentação do mercado.

Nesta conferência a Microsoft começou acom uma apresentação de uma nova versão Slim da Xbox One, a Xbox One S. Trata-se de uma nova revisão da consola com pequenas afinações de performance, e ainda é mais pequena, aquece menos e possui a fonte embutida. Seria, só por si, motivo de notícia e júbilo entre os fans, com muitos a ponderarem a troca da consola atual por esta nova versão.

Mas se a Xbox One S foi apresentada no início da conferência, mesmo no fim a Microsoft anuncia que daqui a um ano teremos uma consola mais potente, com 6 TFlops, a Scorpio, e que segue todas as políticas que surgiram como rumores para a Playstation Neo. É uma consola que não terá direito a exclusivos e que se limitará a fazer melhor aquilo que é feito para a plataforma. E essa plataforma tem uma base, a consola de atual geração, a Xbox One original! Basicamente ambas as consolas correrão os mesmos jogos, mas a One correrá em TVs 1080p e a Neo fará o mesmo mas em TVs 4K. Pelo menos isto é o prometido, mas será que podemos confiar que será assim e só assim? Isso é que se torna mais difícil de crer!

Pois bem… aquilo que tanto se criticou na Sony pela NEO e que se julgava que a Microsoft não iria fazer, foi anunciado oficialmente, como existente igualmente na Xbox!

E isto não faz com que a Microsoft me tenha decepcionado (porque como lerão depois, a Sony também já confirmou oficialmente que vai fazer o mesmo, e numa consola aparentemente bem menos potente), mas sim com que a decepção aconteça com a industria dos videojogos em geral.

É que visualizando as criticas e comentários feitos à Neo, quando do surgimento dos rumores, quer pelos fans da Sony, quer pelos fans da Xbox One, esta Scorpio não pode de forma alguma ter caído bem para ninguém. Porque diga-se que se tal não for a realidade, perante estas revelações de algo exactamente idêntico, então estaremos perante uma enorme hipocrisia e o total descrédito de quem tanto criticou as políticas da Neo nos rumores que a rodearam.

Este novo conceito trazido por consolas como a Neo e Scorpio, apresentadas pela Microsoft como algo que transcende as gerações, são no fundo um fragmentar de um mercado que em mais de 40 anos sempre foi uno. Uma criação de um mercado onde o hardware não é único e onde um video de apresentação deixa de mostrar o resultado na nossa consola, mas sim num dos modelos da consola. É o fim das consolas tal como as conhecemos!



Mas porque apresentar a Scorpio agora? Se a consola só sai em finais de 2017 como se compreende a revelação da Scorpio apenas umas dezenas de minutos depois da apresentação da Xbox One S. Porque não aguardar uns tempos? Pelo menos deixar a notícia da Slim assentar? Não será que a Microsoft condicionou imediatamente as vendas da Slim ao anunciar já a Scorpio?

Vejamos: Quem já tem uma Xbox One e pretende a Scorpio, não tem necessidade de, por apenas um ano, perder dinheiro com uma troca para a versão Slim. Afinal havendo uma compatibilidade a 100% não justifica manter mais do que uma consola!

Quem ainda não tem uma Xbox, ou espera pela Scorpio, ou caso queira mesmo investir será preferível apanham um dos modelos antigos mais baratos em detrimento da S. Afinal, mais uma vez, é por apenas algum tempo, e a consola original é perfeitamente capaz.

Completamente alheios a estas realidades sobram aqueles que ou não tem o que fazer ao dinheiro, ou não pretendem investir na Scorpio tão cedo.



Sim, a Scorpio será uma consola MEGA POTENTE, e certamente a preços que a tornam compensadora face aos PCs, mas será coerente de depois de todo o investimento na criação de uma versão Slim, colocar o anuncio da Scorpio apenas umas dezenas de minutos depois da sua apresentação?

Não seria mais lógico ter-se aguentado a revelação por uns meses, permitindo a corrida às trocas pela Slim e um aumento de vendas por alguns meses?

Coerência e lógica associada a esta decisão de fazer tudo na mesma apresentação… sinceramente tenho dificuldade em ver!

Mas ainda nesse aspecto, tendo escrito tantas vezes que, apesar de compreender os motivos da sua existência, via na Neo uma traição ao consumidor inicial que permitiu o sucesso da atual geração, ver que a Scorpio segue as mesmas políticas, colocando-se lado a lado com a NEO, deixa-me completamente decepcionado. Sinceramente, tinha preferido uma nova geração!

Sony

Aqui, por uma questão de coerência do que vinhamos a falar vamos inverter a ordem e falar do hardware primeiro:

Hardware

Apesar de não terem apresentado qualquer nova consola, na realidade a decepção com a Sony terá de ser igual à que aconteceu com a Microsoft e a Scorpio. É que horas antes da E3, Andrew House confirmou a existência de uma consola superior que coabitará com a PS4. A tão falada PS4 Neo.

Basicamente, mesmo sem se ter falado da Neo da E3, a mesma acabou, pelo menos para mim, por ensombrar toda a conferência. Talvez por ver a apresentação da Scorpio e as poucas novidades a nível de jogos da Microsoft, não conseguia deixar de pensar que tanto a Microsoft como a Sony, apesar de um leque de jogos melhor para o lado desta última, estavam ambas com a cabeça em outras paragens.

Daí que nesse aspecto, tudo o que foi dito sobre a Scorpio em cima poderia ser repetido aqui. Porque mesmo sem a apresentação na E3, a decepção da confirmação de que a Sony tambem terá uma nova consola melhorada face à anterior, mas que não terá exclusivos, existe aqui também.

De resto, foi abordado o VR que será colocado à venda em Outubro, e mostrou-se 4 jogos exclusivos para ele:

Farpoint
Star Wars Battlefront X-Wing VR
Batman Arkham VR
FF XV

Mas vamos aos jogos apresentados para a PS4 sem qualquer periférico adicional:

Software

God of War – Novo anuncio de Exclusivo – Nova perspectiva, mundo 3D!
Days Gone – Novo IP exclusivo
The Last Guardian – Exclusivo. Já previamente anunciado, mais um trailer e data de lançamento.
Horizon Zero Dawn – Exclusivo. Novo IP, Já previamente anunciado
Detroit – Exclusivo. Novo IP. Já previamente anunciado
Resident Evil VII – Novo jogo. Multiplataforma, suporte VR.
Call of Duty Infinite Warfare – Já apresentado. Multiplataforma
Call of Duty: Modern Warfare – Já apresentado. Remastered
Lego Star Wars: The force Awakens, novo jogo, Multiplataforma
Death Stranding: Novo jogo, novo IP, Exclusivo
Spiderman – Novo jogo, Exclusivo

A sony deu ainda a conhecer a criação de três remasterizações de Crash Bandicoot.

No global, falando apenas dos AAA não VR, a Sony falou de 11 jogos, sendo que apenas 3 eram multi plataforma. 8 dos jogos apresentados eram exclusivos, e 4 foram novidade absoluta, sendo que 3 desses são novos IPs (excluimos Spiderman por já haver jogos com essa temática).

Sem dúvida, a nível de novidades apresentadas tivemos uma performance algo superior à da Microsoft!

Conclusões

A E3 2016 ficou para mim marcada pela apresentação das novas consolas com políticas de compatibilidade e co-existência muito especiais (no caso da Sony, a confirmação pré E3 da existência da Neo). Esta novidade representa o fim de um ciclo de gerações com quase 40 anos, e uma mudança com a qual nem todos saberemos lidar da mesma forma. Vai-se mexer no mercado, acabar com a unicidade do hardware, e criar de uma forma inédita, reações das mais diversas, especialmente no que toca à base mais fiel de utilizadores, pelo que não sei sequer como comentar estas novas consolas. Mas o certo é que seja com Sony ou com Microsoft… não estou exatamente feliz com o que tomei conhecimento!

Nos próximos dias irei criar artigos comparativos sobre as especificações que correm em rumor das novas consolas!

 



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