As mensagens codificadas na missiva aos funcionários de Satya Nadela

Satya Nadela, CEO da Microsoft escreveu uma carta aberta a todos os funcionários em que define as prioridades da empresa. Eis as mensagens indirectas que estão ali contidas.

SatyaNadella

Antes do mais, e dado que não vamos reproduzir a carta aberta e Satya, recomendamos que os interessados em saber o seu conteúdo a leiam no website da Microsoft.

Apesar de certas questões não estarem escritas textualmente, há situações e indirectas que são perceptíveis no texto.

A Primeira pode ser percebida quando Satya refere:



While the devices and services description was helpful in starting our transformation, we now need to hone in on our unique strategy.

Traduzindo:

Apesar de a descrição de dispositivos e serviços ter sido útil para iniciar a nossa transformação, agora precisamos de nos aprimorar na nossa estratégia única.

Há aqui uma clara indicação que Satya quer deixar claro que a empresa já não segue o rumo traçado por Steve Ballmer. É uma diferença muito grande visão que suprime a carência de estratégias a longo prazo que existiam nessa altura.

Por outras palavras, os tempos de Balmer acabaram.

Satya transmite então a imagem do que será a sua Microsoft. Uma empresa baseada em experiências e não em produtos ou serviços. E a frase “trabalho digital e experiências de vida” aparece cerca de 10 vezes fazendo ressaltar a ideia clara que há que unir as experiências Microsoft para que estas sejam usadas não só no trabalho ou na escola, mas igualmente em casa

We will think of every user as a potential “dual user” – people who will use technology for their work or school and also deeply use it in their personal digital life.

Traduzindo:

Vamos ver cada utilizador como um potencial “duplo utilizador” – pessoas que irão utilizar a tecnologia para o seu trabalho ou escola e também usá-la profundamente na sua vida pessoal digital.

A marca Windows e Office são igualmente repetidas até à exaustão fazendo ressaltar que é aqui que está o núcleo da Microsoft. Há referências a um Windows 13 e a todo o tipo de versões do Windows e respectivas aplicações, ou seja, todo o ecossistema Windows. É a marca mais exaltada por Satya.



A Azure tem igualmente direito a menções, bem como o Skype que com o seu tradutor é referido com uma ferramenta que “mudará o mundo”.

A Xbox é igualmente referida num parágrafo algo longo e que contêm referências sobre a sua importância para a Microsoft, certamente uma indirecta a quem defende que a empresa se deveria desfazer da consola.

The single biggest digital life category, measured in both time and money spent, in a mobile-first world is gaming. We are fortunate to have Xbox in our family to go after this opportunity… We also benefit from many technologies flowing from our gaming efforts into our productivity efforts….

A única e maior categoria da vida digital, medida em termos de tempo e dinheiro gasto, em um mundo móvel, é o gaming. Temos a sorte de ter Xbox em nossa família para ir atrás dessa oportunidade … Nós também beneficiamos de muitas das tecnologias que fluem de nossos esforços no gaming para os nossos esforços de produtividade ….

Satya deixa assim claro que a Xbox One é igualmente parte da família Microsoft e algo a manter e prezar.

A outra imagem a reter que passa igualmente é que a Microsoft planeia actuar a uma escala global quer nos smartphones, quer nos computadores, quer na Cloud. E Satya dá mesmo a entender que para se abranger pequenas empresas a Microsoft poderá mesmo criar software para outros ecosistemas que não o Windows, como o iOS ou o Android.

All of these apps will be explicitly engineered so anybody can find, try and then buy them in friction-free ways. They will be built for other ecosystems so as people move from device to device, so will their content and the richness of their services – it’s one way we keep people, not devices, at the center.

Traduzindo:

Todos esses aplicativos serão explicitamente projectados para que qualquer pessoa pode encontrar, experimentar e depois comprar de forma livre de atrito. Eles serão construídos para outros ecossistemas, de modo a que as pessoas possam deslocar-se de dispositivo para dispositivo, tambem se moverá o o seu conteúdo e a riqueza de seus serviços – é uma maneira de manter as pessoas, e não os dispositivos, no centro.

Sem dúvida a visão de Satya é muito mais interessante do que a de Balmer.



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