Jan 112009
 

Recentemente joguei um jogo que me tinha passado. Apesar de o ter visto e me ter fascinado na altura que saiu, a realidade é que não o joguei e agora, tendo-o adquirido por 19.90 euros (versão PS3), resolvi finalmente joga-lo.

O jogo é o Assassins Creed, e pura e simplesmente deixou-me fascinado pela sua qualidade gráfica e de animações. Está simplesmente deslumbrante com todo um ambiente de uma qualidade fora de série.

Caso o jogo fosse novo, seria motivo para receber uma análise aqui na PCManias, mas dada a sua idade isto irá antes ser uma visão critica a um jogo que apesar de ter adorado, planeando por isso adquirir a sua sequela mal esta esteja disponível, me deixou a pensar sobre alguns dos seus aspectos.

O jogo mistura o presente com o passado através de uma personagem que se encontra cativa num laboratório e que por intermédio de uma máquina vive as memórias de um seu parente distante que foi um notório assassino no Médio Oriente pertencendo a uma seita organizada de assassinos.

No tocante à história presente esta pouco se desvenda durante o jogo, mas  aqueles que acederam ao computador da assistente que opera a máquina onde vivemos as memórias passadas, bem como roubaram a pen drive com a password ao doutor na altura em que este se encontra encostado à janela, e que permite posteriormente aceder ao seu computador bem como o que está presente na sala de reuniões, terão acesso a informação extra não contada na história e que permite melhor compreender o que se está a passar. Esta é uma lacuna do jogo, pois quem deixar passar a oportunidade de roubar a chave de acesso ao doutor na altura certa, ficará para sempre vedado ao acesso a esta informação, terminando o jogo sem conseguir obter o acesso aos computadores.

Uma outra lacuna é relacionada com os diálogos: A determinada altura a personagem do presente, Desmond, diz que ele é a pessoa errada pois foi em tempos um assassino, mas que já não o é actualmente. Uma frase que deixa muito em que pensar, como se deixar de ser um assassino fosse algo que se largasse, como deixar de fumar ou de tomar café.

Ainda no presente, já perto do final do jogo a assistente, Lucy, pega na mão de Desmond e coloca-a sobre o seu peito dizendo-lhe que se acalme. Esta situação passa despercebida a todos passando por um gesto banalíssimo. Na realidade este gesto é cheio de significado, pois para os mais atentos poderá ver-se que Lucy recolhe o dedo mindinho da mão.

A intenção da Lucy com este gesto é mostrar na sua mão o dedo mindinho da mão direita em falta. Apesar de tal já não ser prática corrente, como o prova o facto de o Desmond ter os dedos todos, o corte do dedo mindinho da mão direita era um ritual de iniciação dos assassinos e ao recolher o dedo nesta cena, a Lucy pretendia mostrar a Desmond que se tratava de uma assassina infiltrada. O problema é que não há durante o jogo nada que indicie a importância deste gesto e ele passa totalmente despercebido.

Já no tocante ao passado, Altair, a personagem principal, apesar de ser originária do médio oriente e de a história se passar em locais como Jerusalém, Damasco, Acre, etc, deambula numa cidade onde a língua usada por todos é o Inglês. Mesmo os pedintes pedem em inglês. Sem dúvida curioso não se ouvir uma única palavra em árabe durante o jogo todo.

Quem jogou Assassins Creed apercebe-se imediatamente da semelhança das capacidades físicas de Altair com as da personagem do jogo Prince of Persia. Aqui só faltam mesmo as sands of time!, ou areias do tempo.

Curiosamente a principal personagem a abater denomina-se Robert de Sable. Ora Robert  lê-se quase igual a Rober que em português significa ladrão, “de sable” em francês quer dizer “das areias”. Ladrão das areias, mera coincidência?

Aliás, durante a missão onde deveríamos matar o Robert de Sable, a cena do assassinato passa-se num cemitério. É curioso ver que de Muçulmano o enterro não tem absolutamente nada, pois para alem de ser totalmente falado em Inglês, o que não deveria acontecer, pois nestes funerais muçulmanos apenas há uma oração silenciosa, possuía mulheres na audiência (que não são permitidas) e uma campa com flores (que nestes funerais não existe). Para terminar todos os presentes dão um Ámen, que também questiono se deveria ali estar, até porque o discurso da altura era mais politico do que religioso.

Curioso também é como o jogador simpatiza rapidamente com uma personagem, o Altair, que numa altura em que duas facções (Muçulmanos e Cruzados) se encontram em disputa anda pelas ruas a matar, usando tácticas de guerrilha, membros dos dois lados do conflito. Nos dias actuais, e ainda por cima sendo Muçulmano o Altair seria considerado um Terrorista.

Finalmente o final. Sem o revelar. para não estragar o jogo, fica a dúvida se irão alguma vez explicar como é que no tempo do Altair poderia existir tal coisa. É que essa é a questão mais premente que fica por responder.

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