Assassins Creed – Uma análise posterior

Recentemente joguei um jogo que me tinha passado. Apesar de o ter visto e me ter fascinado na altura que saiu, a realidade é que não o joguei e agora, tendo-o adquirido por 19.90 euros (versão PS3), resolvi finalmente joga-lo.

O jogo é o Assassins Creed, e pura e simplesmente deixou-me fascinado pela sua qualidade gráfica e de animações. Está simplesmente deslumbrante com todo um ambiente de uma qualidade fora de série.

Caso o jogo fosse novo, seria motivo para receber uma análise aqui na PCManias, mas dada a sua idade isto irá antes ser uma visão critica a um jogo que apesar de ter adorado, planeando por isso adquirir a sua sequela mal esta esteja disponível, me deixou a pensar sobre alguns dos seus aspectos.

O jogo mistura o presente com o passado através de uma personagem que se encontra cativa num laboratório e que por intermédio de uma máquina vive as memórias de um seu parente distante que foi um notório assassino no Médio Oriente pertencendo a uma seita organizada de assassinos.

Publicidade

Retomando o nosso artigo

No tocante à história presente esta pouco se desvenda durante o jogo, mas  aqueles que acederam ao computador da assistente que opera a máquina onde vivemos as memórias passadas, bem como roubaram a pen drive com a password ao doutor na altura em que este se encontra encostado à janela, e que permite posteriormente aceder ao seu computador bem como o que está presente na sala de reuniões, terão acesso a informação extra não contada na história e que permite melhor compreender o que se está a passar. Esta é uma lacuna do jogo, pois quem deixar passar a oportunidade de roubar a chave de acesso ao doutor na altura certa, ficará para sempre vedado ao acesso a esta informação, terminando o jogo sem conseguir obter o acesso aos computadores.

Uma outra lacuna é relacionada com os diálogos: A determinada altura a personagem do presente, Desmond, diz que ele é a pessoa errada pois foi em tempos um assassino, mas que já não o é actualmente. Uma frase que deixa muito em que pensar, como se deixar de ser um assassino fosse algo que se largasse, como deixar de fumar ou de tomar café.

Publicidade

Retomando o nosso artigo

Ainda no presente, já perto do final do jogo a assistente, Lucy, pega na mão de Desmond e coloca-a sobre o seu peito dizendo-lhe que se acalme. Esta situação passa despercebida a todos passando por um gesto banalíssimo. Na realidade este gesto é cheio de significado, pois para os mais atentos poderá ver-se que Lucy recolhe o dedo mindinho da mão.

A intenção da Lucy com este gesto é mostrar na sua mão o dedo mindinho da mão direita em falta. Apesar de tal já não ser prática corrente, como o prova o facto de o Desmond ter os dedos todos, o corte do dedo mindinho da mão direita era um ritual de iniciação dos assassinos e ao recolher o dedo nesta cena, a Lucy pretendia mostrar a Desmond que se tratava de uma assassina infiltrada. O problema é que não há durante o jogo nada que indicie a importância deste gesto e ele passa totalmente despercebido.

Já no tocante ao passado, Altair, a personagem principal, apesar de ser originária do médio oriente e de a história se passar em locais como Jerusalém, Damasco, Acre, etc, deambula numa cidade onde a língua usada por todos é o Inglês. Mesmo os pedintes pedem em inglês. Sem dúvida curioso não se ouvir uma única palavra em árabe durante o jogo todo.

Quem jogou Assassins Creed apercebe-se imediatamente da semelhança das capacidades físicas de Altair com as da personagem do jogo Prince of Persia. Aqui só faltam mesmo as sands of time!, ou areias do tempo.

Curiosamente a principal personagem a abater denomina-se Robert de Sable. Ora Robert  lê-se quase igual a Rober que em português significa ladrão, “de sable” em francês quer dizer “das areias”. Ladrão das areias, mera coincidência?

Aliás, durante a missão onde deveríamos matar o Robert de Sable, a cena do assassinato passa-se num cemitério. É curioso ver que de Muçulmano o enterro não tem absolutamente nada, pois para alem de ser totalmente falado em Inglês, o que não deveria acontecer, pois nestes funerais muçulmanos apenas há uma oração silenciosa, possuía mulheres na audiência (que não são permitidas) e uma campa com flores (que nestes funerais não existe). Para terminar todos os presentes dão um Ámen, que também questiono se deveria ali estar, até porque o discurso da altura era mais politico do que religioso.

Curioso também é como o jogador simpatiza rapidamente com uma personagem, o Altair, que numa altura em que duas facções (Muçulmanos e Cruzados) se encontram em disputa anda pelas ruas a matar, usando tácticas de guerrilha, membros dos dois lados do conflito. Nos dias actuais, e ainda por cima sendo Muçulmano o Altair seria considerado um Terrorista.

Finalmente o final. Sem o revelar. para não estragar o jogo, fica a dúvida se irão alguma vez explicar como é que no tempo do Altair poderia existir tal coisa. É que essa é a questão mais premente que fica por responder.

Publicidade

Posts Relacionados