Como se defende um produto mais caro a apresentar resultados inferiores?

Nos últimos tempos a PCManias tem vindo a ser inundada de comentários a tudo que é notícia sobre consolas. E o motivo é que as consolas arrastam consigo paixões e os conhecidos fanboys. A questão aqui é, como é que alguém pode esperar que uma pessoa isenta defenda um produto mais caro que apresenta resultados inferiores?

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Sempre foi nossa convicção, que o entusiasta da tecnologia, quando vai comprar um novo produto, tenta ter a certeza de que aquilo que compra vai não só satisfazer as suas necessidades e oferecer uma melhoria tecnológica, mas acima de tudo, que é efectivamente a melhor escolha face aos produtos existentes no mercado, e o melhor investimento para o seu dinheiro. Parece apenas lógico que seja imperativo que o dinheiro que tanto custa a ganhar, seja investido no produto melhor e que mais garantias oferece para o futuro.

Estaremos a ver mal a situação? Não é por isso que apareceram os websites com análises e testes? Não é o seu objectivo o fornecer dados ao utilizador para que a sua escolha seja acertada?

Pelos vistos, pelo menos quando toca a consolas, para alguns isso não será assim!

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Desde a E3 e as primeiras conversas com os programadores, que havia rumores que a Xbox possuía sérias dificuldades em libertar a sua performance. Nunca negamos existir performance na Xbox (isso seria mera estupidez), mas uma simples olhada para as especificações das consolas mostrava a realidade: A PS4 é, a nível de hardware, 50% mais potente que a XBox One. E quando se conjugava isso com os rumores que vinham desde a E3 sobre a dificuldade em se obter as performances existentes na XBox, a situação era problemática.

Assim, nessa fase, tal como a maioria da imprensa escrita, aqui na PCManias noticiamos as situações, mas tendo sempre o cuidado de referir as mesmas como rumores que não deveriam ser tomados como necessariamente verdadeiros.

Mas os meses passavam-se e os rumores cresciam e acumulavam-se, sendo alguns dos mais credenciados insiders do Neogaf como CBOAT, Thuway e Famousmortimer (Peter Dodd) referiam à boca cheia que os problemas da Xbox eram tais que a consola iria ficar para sempre tecnologicamente atrás da curva de performances da PS4. E estas referências batiam certas com aquilo que há vários meses nos assaltava a mente, a limitação dos 32 MB de ESRAM, o que com o tempo viemos a confirmar.

Mas eis que os primeiros jogos multiplataforma que realmente puxam um pouco pelas consolas aparecem e a realidade destes rumores transparece.

Battlefield 4 é um jogo que possui um dos motores mais versáteis existentes no mercado. É um motor capaz de explorar quase tudo (menos o GPGPU) de melhor que um sistema possui, e desta forma, sendo que nas consolas o grande objectivo foi manter os 60 fps uma constante, as resoluções acabaram por ser 1600*900 na PS4 e 1280*720 na Xbox One.

Aqui, ao que tudo indica, o jogo superou as limitações da ESRAM da Xbox One, mas manteve para a PS4 uma diferença igual àquela que os números do hardware mostravam, perto de 50% (no caso 56%).

Já o outro caso foi mais chocante. Call of Duty é conhecido por usar um motor tecnologicamente ultrapassado e desequilibrado, mas é no entanto um motor bastante simples que se sabe puxar bastante por certas características das placas gráficas, negligenciando outras. E com uma Xbox tão equilibrada na sua concepção (de acordo com as frases dos Engenheiros da Microsoft na entrevista dada à Eurogamer), a consola falhou redondamente ao ficar-se pelos 720p ao passo que a consola concorrente corre a 1080p (2,25x mais resolução).

Não será contudo de estranhar que se possam ultrapassar estas limitações, e que estes jogos possam vir a ter patchs que corrijam os problemas. Mas tal vai requerer tempo, adaptação e certamente alguns sacrifícios. É que ao contrário do que muitos pensam, a programação de equilibrada não tem nada, havendo um pouco de tudo, e a Xbox One está mal preparada para essa realidade.

De forma resumida: os rumores da E3 eram verdadeiros.

O que se passou após o conhecimento desta realidade é, na nossa maneira de ver as coisas, algo vergonhoso para muita da imprensa escrita que tem o dever de informar e ser isenta, pactuando com paixões exacerbadas que sabem existir nestes domínios, e pactuando com a desinformação de forma a não prejudicarem a sua imagem.

É que se muitos websites, como é o nosso caso, deram a conhecer que o sistema 100 euros mais caro está a oferecer performances gráficas extremamente inferiores ao que a concorrência oferece, outros (alguns de renome) tomaram uma abordagem diferente, politicamente correcta, mas algo hipócrita, naquilo que é o seu dever como fontes de informação credíveis: o de informar de forma isenta.

Assim, alguns websites, talvez devido a receios de perda das suas grandes receitas publicitárias, ou quebra de volumes de tráfego, tomaram o caminho seguro da desculpa, e em vez de seguirem a mesma ideologia que seguem em absolutamente todos os produtos que analisam, e onde a análise comparativa e os benchmarks são reis e senhores, estes resolvem publicar artigos onde, para não prejudicarem um sistema face ao outro, referem frases como “apesar de os números tendencialmente não mentirem, podem levar ao engano“.

Ora da última vez que eu vi, por exemplo, quando um GPU esmaga outro, sejam da mesma marca ou de marcas diferentes, com o mesmo número de frames estáveis mas com 2,25x mais resolução, nem sequer há debates sobre a longevidade, eficiência, capacidade, semelhança de imagem ou seja o que for. O mundo reconhece que aquele é o melhor produto, e fim da discussão, e isto independentemente de um poder ter características secundárias que o outro não tem.

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E nem sequer consigo imaginar que houvesse sequer uma única pessoa a defender o GPU derrotado e com metade das performances se esse custasse mais 100 euros. E certamente não imagino nenhum website a defender a placa mais lenta dizendo que uma vez re-escalada a imagem, as diferenças são reduzidas.

Desde quando uma diferença de 518.400 pixels em BF4 é uma diferença reduzida? Será que vão dizer o mesmo dos 1.152.000 pixels de COD: Ghosts? Estamos a brincar ou a ser sérios?

Note-se com isto que não se está a dizer que a Xbox One não é melhor do que aquilo que apresenta. Já o disse várias vezes que é!. A XBox One vai apresentar melhores resultados no futuro, e as diferenças de resolução deverão diminuir. E certamente tem performances para isso, sendo no global uma excelente consola.

Mas também já se disse que comparar esta situação com o que se passou com a PS3 é pouco realista. A PS3 era mais difícil de programar, tal como a Xbox One é, mas a diferença é que a PS3 era no papel mais potente que a Xbox 360, e aqui é o contrário, com a Xbox One a ser, no papel, mais lenta 50%. E desta forma, o futuro é uma incerteza mas, tendencialmente nada brilhante para a Xbox One.

Questiono assim: Será que, se os fabricantes de placas gráficas resolverem implementar nas suas drivers o re-escalamento de resoluções mais baixas para 1080p, se acaba com a diferença entre as resoluções?

Claro que não! Não brinquemos!

É por isso vergonhoso quando vejo websites que não fazem outra coisa senão benchmarks e análises de hardware, incluindo placas gráficas, por motivos incompreensíveis (tráfego, publicidade??), virem agora dizer:

As notícias realmente parecem ser uma coisa em grande, com o sistema da Sony a mostrar entre 50 a 100% mais pixeis nativos do que os jogos idênticos da Microsoft no lançamento das consolas. Mas por muito que tente, não consigo ficar impressionado por aquilo que na prática é uma diferença no output tão pequena.

Esta frase é o negar das qualidades reconhecidas do HD nativo. Quase como que a dizer que na realidade os Blu-rays são uma treta e que os DVDs desde que re-escalados para 1080p são praticamente iguais.

É triste em websites de tecnologia, e acima de tudo leva a questionar se estes realmente se justificam existir uma vez que a sua imparcialidade e justiça fica em causa.

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O grande problema aqui é aquilo que existe claramente neste mundo das consolas, e que na gíria se chama de  fanboy. Fanáticos para os quais a realidade das coisas se altera quando o seu produto favorito entra em discussão. E perante estes toda e qualquer discussão racional que se aplicaria em outras situações, deixa de ser válida, daí que estes websites prefiram jogar pelo seguro não querendo perder potenciais leitores.

Na parte que nos toca, chamar-se Xbox Ou Playstation é exactamente igual. Não nos enganamos a nós próprios, e a escolha recai sobre aquele que for o sistema superior. Sempre foi assim, e sempre o será, e marcas são irrelevantes. Na presente geração e perante todos os dados a escolha recai na PS4, mas poderia não o ser. Se um dia a realidade se alterar, alteraremos também a nossa opinião, mas no entanto, lidando apenas com os dados reais que temos em mão, e não com desejos e futurologias que certamente sites de Tarot estarão mais habilitados do que nós a fornecer, essa é a nossa recomendação a todos os nossos leitores que pretendam uma nova consola. Aqui lidamos com a realidade, e a realidade é o que vemos e não o que queremos que seja.

Usarei no entanto uma frase que refiro desde sempre: A PS2 era mais fraca que a Xbox e a Gamecube… e foi um portento de consola. A Wii era mais fraca que a PS3 e a Xbox 360, e foi um portento de consola. A Xbox One também poderá ser um sucesso, mas dado que a PCManias é um website de tecnologia, até prova em contrário, tecnologicamente, tal como a PS2 e a Wii foram, ela será sempre encarada como inferior. E isso não invalida que a PS2 e a Wii sejam consolas que, num gosto pessoal, incluímos como das favoritas.

É nossa opinião que gastar cerca de 650 euros (incluindo consola, periféricos e jogos), numa PS4 ou 750 numa Xbox One, é uma despesa considerável nos dias que correm. E daí que uma análise que se baseia apenas na realidade concreta do que existe e que não parte de teorias sobre os possíveis futuros desconhecidos e incertos (o que inclui serviços e optimização do software) será a melhor abordagem (quanto mais não seja porque mesmo por essa perspectiva não vemos a Xbox One a passar a PS4). E é por essa perspectiva que, de forma honesta e clara, nos guiamos.

Há contudo outras perspectivas que cada utilizador terá de avaliar por si. Os serviços, a integração com a TV, etc, poderão ser mais convenientes para si do que a maior resolução nos jogos. E nesse caso a sua escolha, como sempre, deverá recair sobre aquilo que mais lhe convêm. Aliás esse será um ponto que quando houver mais dados iremos também tomar em conta em qualquer comparação existente, e que só não o fazemos nesta fase porque os serviços, a sua implementação, suporte e qualidade são ainda uma incógnita. Nunca esqueceremos porém que uma consola é feita para… jogos.

Mas se a actual realidade porque nos guiamos desagradar a alguém… ninguém tem de ficar chateado. Podem sempre ir ler o que lhes interessa a outros sítios. Mas infelizmente, por muito que leiam, a realidade será sempre só uma, e a que a PCManias relatará, sendo que se um dia a Xbox One se revelar superior, seja no global ou pontualmente, podem apostar que irão ler isso aqui.

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