DFC refere que a Microsoft matou a Xbox One S à partida e irá abandonar os videojogos

A DFC intelligence é uma companhia de análises de mercado e gestão financeira, tendo deixado a Microsoft nas ruas da amargura após a sua apresentação na E3.

Não é preciso mais do que dois neurónios para se perceber que a apresentação da Xbox One S na E3 2016 foi desastrosa. A Microsoft basicamente condicionou a consola que acabava de apresentar menos de 40 minutos depois ao apresentar a sua Scorpio que sairá para o ano.

Mas mais do que isso, as palavras dos responsáveis da Microsoft pós E3 eram contraditórias, e as mensagens eram confusas e pouco claras, dando ideia de falta de orientação a nível das políticas a seguir .

Há mesmo quem refira, e tal poderá ter alguma lógica, que a Microsoft não desejaria verdadeiramente fazer o que fez, mas dado que a E3 é a feira que mais atenções cria a nível mundial junto do público gamer, a Scorpio foi apresentada perante a possibilidade de um lançamento antecipado da Neo da Sony, e o receio que, sem algo mais, tal pudesse aniquilar de vez as vendas da Xbox One, e consequentemente a Xbox One S. Assim a Microsoft arriscou e “deu um tiro” com a apresentação da Scorpio que, sabemos agora… lhe saiu pela culatra.

Para piorar a situação, perante os olhos do mundo, e apesar de este assunto ter sido pouco relevado pela imprensa, a Microsoft recorreu mesmo a publicidade enganosa na apresentação mundial da Xbox One S.



A consequência de tudo o que se passou é que a DFC Global, escreveu na sua secção Dossier, um artigo de alerta para os seus clientes referindo as atitudes e mensagens confusas da empresa. Nada que já não tenhamos comentado ou referido aqui na PCManias, mas que surge agora vindo de uma empresa reputada de análises de mercado.

O problema mais imediato é que a Microsoft efectivamente matou a Xbox One mal ela saiu da porta.

Se haviam muitos clientes Xbox 360, WiiU ou mesmo Playstation 4 interessados numa Xbox One para este ano a mensagem que lhes foi transmitida foi basicamente que esperem até que a Scorpio saia em 2017. Neste momento a Microsoft só pode esperar que o burburinho em torno da Scorpio desapareça, mas depois desta revelação é improvável que tal aconteça.

Há todo o tipo de problemas com as mensagens mistas e confusas da Microsoft. O preço na Xbox original é excelente e a Slim é muito bonita, mas todos os novos jogos importantes estão no PC, pelo que investir numa consola? Basta fazer upgrade ao PC. E se queres mesmo uma consola para que a comprar agora se a Scorpio sai para o ano. Tudo isto é uma rede que abranda as vendas de novo hardware e que abre as portas bem abertas para a Sony  e para a Nintendo com a sua NX.

De referir que a DFC acrescenta que apesar de a Sony ter um problema similar com a sua NEO, a sua não apresentação na feira abre um ar de mistério que a pode beneficiar. Para além do mais, a Sony não desperdiçou dinheiro e esforço na criação de uma PS4 Slim que fosse potencialmente abafada por uma nova consola.

Mas a empresa coloca questões bastante mais sérias sobre a Microsoft.

A grande dúvida aqui é se a Microsoft ainda terá uma divisão de videojogos na altura do lançamento da Scorpio. Não é apenas uma pequena ironia que os eventos da E3 tenham acontecido no exacto momento em que o CEO da Microsoft, Satya Nadella estava a anunciar a aquisição por 26 mil milhões da LinkedIn.

Quando a Playstation 3 foi lançada a Sony era uma empresa mais diversificada que tentava usar o seu sistema para promover o Blu-Ray. Agora a Sony é uma empresa menor e a marca Playstation é o seu produto de maior sucesso. A Playstation é agora a cauda que torna o cão feliz, e o antigo chefe da divisão de jogos, Kaz Hirai, agora gere toda a Sony. Do outro lado, com a Microsoft, a divisão de jogos  é o feio felho adoptado que de alguma forma tem de se integrar com a estratégia do sistema operativo da empresa.



A grande questão agora não parece ser se a Microsoft irá sair do negócio dos videojogos, mas como e quando. Claro, isso leva a muitas outras questões tais como será o actual negócio dos videojogos gerido? Será a Xbox vendida? Será que a Microsoft encontra um comprador? Ou será que a empresa fecha a Xbox? A DFC acredita que a última opção não ocorrerá, mas é claro que algo necessita de ser feito.

Infelizmente o valor da marca Xbox está num fluxo sério onde muitas das suas vantagens estão ligadas ao sistema operativo Microsoft Windows 10.

Sobre esta última parte, ela não passa de uma especulação! No entanto o referido pela DFC não é completamente desprovido de sentido. Aliás temos uma ideia semelhante à da DFC no que toca ao que a Microsoft pretende no futuro, mas não no sentido de a Xbox acabar, coisa na qual não acreditamos. No entanto, é nossa ideia de que a Microsoft acabará, mais cedo ou mais tarde, com as consolas, e a plataforma Xbox passará a ser aplicável às máquinas com Windows 10 que passarão a ter características de consolas para quem o pretender. Isso acontecerá perante um processo gradual que culminará com o lançamento de um software com a Dashboard da consola e que correrá sobre o Windows 10, automatizando e optimizando o PC para aqueles que o querem usar como máquina de video jogos, tornando qualquer PC numa consola Xbox. E nessa altura as consolas tornar-se-ão desnecessárias ficando a Microsoft apenas a vender periféricos como controladores ou outros, e os respectivos jogos. Basicamente, um corte na parte de investimento, investigação e hardware, a parte relativa à despesa associada ao Hardware Xbox, ficando a empresa a fazer basicamente aquilo que sempre foi o seu “core business”, a venda de software.

Não posso deixar de terminar este artigo sem uma referência que penso ser muito importante. É que a DFC não é um gamer qualquer, ou uma página de videojogos que quem normalmente refuta artigos de comentários a estas situações, possam apelidar de ser parcial. Trata-se de uma empresa com mais de 20 anos de experiência na análise desta industria, abrangendo 30 paises e com mais de 300 empresas líderes de mercado como clientes (cita-se a Activision Blizzard, a Gamestop, a Nvidia e a Turtle Beach, como exemplos referidos no website. Sabemos igualmente que a Valve é cliente).  E o certo é que tudo o que é dito neste relatório, foi dito porque é lógico, é coerente, realmente aconteceu, e saltou à vista, mesmo a quem não percebe muito sobre o assunto.



O surpreendente é que apesar de estes serem erros notórios e crassos, eles não surgem de uma empresa de fundo de quintal qualquer, mas sim da Microsoft, uma das maiores empresas do mundo, com capacidades financeira para contratar os melhores dos melhores a nível de Marketing e publicidade.

Daí que surge uma questão coerente: Como é que isto é sequer possível de acontecer? Ao termos empresas como a DFC a escreverem artigos como estes para clientes que são potenciais investidores ou parceiros, a Microsoft não só se prejudica face ao seu mercado alvo, mas também na sua imagem junto dos ramos empresariais.

Infelizmente, tal como os com os erros cometidos no lançamento da Xbox One, o que se passou nesta E3 foram situações “amadoras” demais para uma empresa desta dimensão.

Fica igualmente a nota sobre uma discordância da nossa parte com as afirmações da DFC no que toca à Sony, pois apesar de não ter existido uma apresentação ou uma data para a PS Neo, a mesma foi confirmada por Andrew House. E isso, dê lá por onde der é igualmente uma atitude que condiciona as vendas da PS4, nem que seja por colagem com a apresentação da Microsoft. Ou seja, não é só a Microsoft que anda a nhonhar, pois a Sony, ao não estar calada sobre a Neo, tambem se enterrou nesta apresentação, e caso a Neo seja ainda apresentada na Paris Game Week como certos rumores indicam, é bom que seja lançada ainda este ano, ou a Sony cai não só no mesmo erro de condicionar as vendas da PS4, mas se o lançamento for em 2017 nem sequer tem um produto capaz de concorrer verdadeiramente com a Scorpio.

 



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