Dois grandes investidores da Microsoft insistem na venda da Xbox, Bing e Surface

O washington Post relata que pelo menos dois dos grandes investidores da Microsoft insistem que a empresa deve vender a divisão Xbox, o Bing e o Surface.

 

SatyaNadellaSatya Nadella está apenas há dias como CEO da Microsoft, mas está já perante difíceis decisões na escolha do rumo a tomar para a empresa.

Dois accionistas de peso da Microsoft estão a pressionar a empresa a abandonar aquilo que eles vêem como produtos não essenciais, permitindo que haja maior foco naquilo que é a sua verdadeira essência e o núcleo do seu negócio, a venda de software empresarial.

Apesar de a escolha poder ser bem vista sob determinadas perspectivas, esse tipo de decisão iria um pouco contra o legado deixado por Bill Gates e Steve Balmer que sempre acreditaram que a empresa tem de actuar directo ao consumidor e não apenas às empresas.

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Por outras palavras, compete a Nadella fazer ver aos investidores que o negócio da Microsoft é… o negócio da Microsoft, e não apenas parte dele.

A visão do antigo CEO, Steve Balmer era de uma empresa capaz de servir os clientes com os aparelhos e os respectivos serviços, e a empresa foi adaptada a essa visão. Mas com a saída de Balmer os accionistas tentam implementar a sua visão de uma empresa apenas virada para o software empresarial, e Madella está sob pressão.

Este será um dos desafios que se colocam ao novo CEO neste momento: definir o rumo que a empresa vai tomar, e decidir se as pressões dos accionistas são ou não justificadas.

Um dos seus possíveis argumentos na defesa da diversidade é que a divisão Windows tem vindo a perder lucros, fazendo 9.5 mil milhões em 2013, um valor que apesar de impressionante é inferior aos 11,6 de 2012, e que poderá demonstrar que face ao desinteresse que tem vindo a existir pelo mercado PC face aos tablets, este negócio pode vir a sofrer grandes alterações no futuro.

No entanto, 9.5 mil milhões de lucro é muito dinheiro, e mesmo em queda bate os 900 milhões de prejuízo apresentados pelos tablets Surface, ou os 1.3 mil milhões de prejuizos do Bing registados no mesmo ano.

Assim, no meio de toda esta ideia de abandono a situações não relacionadas com software para empresas, o nome da divisão Xbox aparece igualmente metido, e a divisão tem um historial de perdas e lucros demasiadamente variável, motivo pelo qual já no início de 2013 esta ideia andou em cima da mesa. Aliás, e de acordo com esta análise da Forbes ao relatório de contas de 2012 da Microsoft, a divisão Xbox deu zero de lucro.

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E com estes historiais torna-se difícil argumentar com os accionistas, motivo pelo qual a tarefa de Nadella não se afigura fácil.

Assim, a proposta dos investidores é vender as secções e re-utilizar o dinheiro anteriormente canalizado para estas na área de software de empresas, de forma a melhorar os seus lucros e tentando abranger outras plataformas e não apenas o Windows (e o OSX em alguns produtos).

No entanto certamente tal não acontecerá. Tal implicaria entrar numa reunião de accionistas e dizer cara a cara a Bill gates e a Steve Balmer que a sua visão para a empresa estava incorrecta. Mas a verdade é que os negócios não são uma matemática e as realidades e mercado alteram-se, o que quer dizer que o cancelamento dessas ideologias não significa forçosamente que as decisões foram erradas, mas apenas que o mercado está a tomar outro rumo ao qual a empresa se tem de ajustar.

Existem rumores que Nadella poderá efectivamente optar por virar o rumo da empresa, e os mesmos baseiam-se numa frase enviada pelo CEO num e-mail interno da empresa onde refere “A nossa indústria não respeita a tradição. Apenas respeita a inovação”. E apesar de que, muito certamente, se está a tentar ver mais do que está escrito, há quem refira que esta frase é um claro sinal que a empresa necessita de mudar de rumo e inovar.

Mas claro, mudar de rumo não implica necessariamente descontinuar seja o que for.

A questão é que a Microsoft gasta anualmente 10.4 mil milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos que não estão a ser lucrativos, e este dinheiro gasto no desenvolvimento de software poderia permitir à empresa alcançar mercados nunca atingidos nessa área. Criar uma marca virada para o consumidor e meter o nome Microsoft em tudo o que é tecnologia desde máquinas multibanco a todo o tipo de terminais e plataformas, mostrando que o software Microsoft é a inovação tecnológica que as pessoas procuram.

Balmer lutou durante 10 anos para tornar a Microsoft virada para o consumidor, mas os resultados nessas novas áreas não são positivos e os accionistas não gostam. Agora Nadella tem de decidir se continua a tentar implementar essa estratégia ou quebra com a mesma apostando nas áreas onde a Microsoft é claramente líder.

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