E3 2015: O ano em revisão

E3

A E3 2015  é daqui a duas semanas e como não podia deixar de ser, o sentimento de hype e antecipação é geral por todos os jogadores. A antecipar o evento, este é o primeiro de uma série de artigos que incidirão sobre as previsões e expectativas em torno dos anúncios que os grandes nomes indústria irão fazer, enquanto se digladiam entre si para conquistar o primeiro lugar no mercado e a nossa preferência. Contudo e antes de começarmos, convém recordar o último evento e os doze meses que se seguiram.

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Nota: Artigo do nosso leitor/colaborador Bruno Ribeiro

A E3 2014 serviu para apresentar ao público as razões para a aquisição da nova geração de consolas, lançadas no mercado 7 meses antes, isto é jogos. O balanço foi muito positivo mas com um gostinho agridoce. É que apesar do evento ter sido rico em anúncios, infelizmente uma boa parte dos títulos anunciados não viria a luz do dia nos doze meses seguintes. Além disso, muitos dos anúncios incluíram trailers cinemáticos CGI, não representativos da qualidade final dos jogos, os quais só serão revelados com qualidade próxima do produto final daqui a duas semanas, ficando o público sem saber com o que contar.

A Microsoft, depois de um começo difícil rodeado de escândalo e de uma mensagem que não foi bem transmitida ao público teve que aproveitar esta oportunidade para fazer as pazes com todos. A sua conferência focou-se nos jogos, sem sequer qualquer indicação de serviços de TV, ou outros assuntos que pudessem desviar as atenções. Gameplay de Sunsett Overdrive, Assassins Creed Unity, Evolve, The Witcher 3, The Division, Project Spark e Fable Legends mostraram a nova geração em todo o seu esplendor. Call of Duty Advanced Warfare e Dragon Age Inquisition foram os dois titulos cross-gen anunciados que nem por isso espantaram menos. Forza Horizon 2 (cross-gen) e Halo MCC, foram os grandes exclusivos apresentados para o Outono. A empresa também piscou o olho aos Indies anunciando Ori and the Blind Forest e Inside, novo título da polaca Playdead responsável por Limbo. Mas não ficou por aqui. Também não faltaram promessas mais para o futuro, nomeadamente os exclusivos Halo 5, que arrancou aplausos, Scalebound, da Platinum Games, o remake de Phantom Dust, Crackdown e a estreia do trailer de Rise of the Tomb Raider, que alguns meses depois acabaria por ser anunciado como exclusivo temporário. A mensagem da Microsoft foi clara: o foco da xbox ONE são os jogos, a xbox ONE é para os jogadores. Foram tantos que a coisa até pareceu em excesso.

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A arquirrival Sony, não se deixou ficar por menos. Depois de na E3 2013 ter dado várias alfinetadas, vendendo a PS4 como a máquina mais barata, mais rápida e o melhor lugar para jogar, teria agora que provar o que disse. Houve alguns momentos mortos como a leitura de cartas dos fãs, o anúncio da app Youtube para a ps4, bem como a data de lançamento e o preço da PS TV. No entanto, foram acompanhados de anúncios bem recebidos como a possibilidade de carregar clips diretamente para o Youtube e a possibilidade de convidar amigos para jogar online mesmo que não possuíssem cópia do jogo. E jogos não faltaram. Nos indies foram anunciados muitos, incluindo Hot Line Miami 2. Nos remasters tivemos The Last Of Us, GTA V e Grim Fandango. Trailers de Destiny, Driveclub, Bloodbourne, Dead Island 2, primeiro gameplay de Farcry 4 e de The Order 1886 mostraram a nova geração. Anunciou o Little Big Planet 3 para o Outono,  Let it Die, um exclusivo da Suda 51, e Magicka 2. No man’s Sky foi apresentado, com um aspecto fantástico, bem como Abzu novo jogo dos criadores de Journey. A seguir foram as gameplays de Mortal Kombat X e Batman Arkham Knight, o qual impressionou pela escala e aspecto gráfico. E como se não bastasse fechou em grande com o trailer in-engine de Uncharted 4. Se a conferência da Microsoft ganhou no número de jogos, a Sony roubou as atenções com os inúmeros momentos WOW.

Relativamente à Nintendo, esta apostou num evento digital ao invés de gastar dinheiro numa conferência própria. O evento foi curto, simples, mas eficaz e engraçado. Começou com uma abertura hilariante com o selo da equipa de Robot Chicken, e logo de seguida vieram os jogos. Super Smash Bros para a Wii-U e 3DS, com o anúncio da possibilidade de importar os nossos Mii para o jogo. Anunciaram as Amiibo, Yoshi’s Wooly World e Captain Toad. Depois com pompa e circunstância foi revelado o trailer de The Legend of Zelda, para a Wii U, satisfazendo os fãs. Seguiram-se a data de lançamento de Pokemon Alpha Ruby and Omega Sapphire, Bayonetta 2, Hyrule Warriors, Kirby and Rainbow Curse, Xenoblade Chronicles X e um shooter online: Splatoon. No campo das Apps, anunciou Mario Maker, uma ferramenta de criação que permite desenhar níveis do Mário com peças encontradas no original Super Mario Brothers.

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A Ubisoft pôs toda a gente a suar com Shape Up, anunciou Valiant Hearts, jogo 2D ao estilo de Raymond Origins, primeiro gameplay de Rainbow Six: Siege, e mais sobre Assassins Creed Unity. A EA seguiu com o costume: FIFA 15, NHL 15, Madden 15, EA Sports UFC e PGA Golfe foram anunciado. Houve The Sims 4 e um jogo da Criterion, o qual ainda não foi lançado.

Resumindo, a E3 2014 prometeu e muito. Assassins Creed Unity roubou as atenções com o seu aspecto estrondoso. Sunsett Overdrive estava espetacular. Project Spark era mágico. The Witcher 3 deslumbrou. Driveclub parecia cada vez melhor. Batman Arkham Knight foi de cortar a respiração.The Order prometia. Uncharted 4 pareceu dar um pequeno vislumbre dos excelentes gráficos que poderíamos esperar para o resto da geração. Mas a partir daqui foi sempre a descer.

Começando com os dowgrades, tema que se tornou constante nesta geração, a Ubisoft decidiu adicionar ao infeliz Watch Dogs,  AC Unity, jogo que corria a resolução inferior ao prometido, com framerate que não conseguia a chegar sequer aos 30 fps nas consolas de nova geração. Driveclub foi o senhor que se seguiu, com muitos a clamarem que o jogo não parecia tão espetacular como anunciado.  Depois chega-nos a Playstation Experience e mais outro murro no estômago: primeiro gameplay de Uncharted 4 é revelado, com gráficos inferiores ao primeiro trailer. Por último, tivemos The Witcher 3, jogo que também ficou manchado por uma massiva perda de características gráficas. A verdade é que com isto, os anúncios, trailers e mesmo as gameplays reveladas têm perdido a credibilidade. As pessoas já não conseguem acreditar no que é mostrado e já não sabem o que realmente esperar.

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Depois o segundo flagelo que assombrou os grandes lançamentos: as falhas que os tornavam injogáveis. Driveclub foi um valentíssimo tiro de bazuca que a Sony deu no próprio pé. O jogo entregue estava inferior ao prometido em muita coisa, a experiencia não convencia, e o jogo chegava a ser chato. Mas o pior foi mesmo a falha dos servidores, o qual, num jogo que aposta fortemente na componente social para definir a gameplay, é gravíssimo. A isso adicionou-se o facto da versão grátis para os utilizadores da PS Plus não ter sido lançada até agora. A Microsoft também teve os seus problemas em Halo MCC, com os servidores a não aguentarem o matchmaking do multijogador, a característica que os fãs mais esperavam. Depois tivemos AC Unity, jogo que chegou cheio de bugs que comprometiam e muito a experiência. Isto envolvido no escândalo do facto do jogo estar incluído no programa Gameworks da nVidia, tal como Watch Dogs, o qual tem tido uma péssima influencia na performance dos títulos mesmo em PC. Todos estes jogos receberam posteriormente patches que corrigiram e melhoraram a performance, mas o mal estava feito.

Em terceiro os adiamentos. The Order 1886, Uncharted 4, Inside, Let it Die, Evolve, Quantum Break, The Division, Deep Down, Batman Arkham Knight, foram jogos que foram sendo sucessivamente adiados. The Order e Evolve já foram lançados, Batman é lançado no próximo mês, e todos os outros não têm data de lançamento definida. A Nintendo, que parecia seguir o seu próprio caminho imune a tudo isto, sofre também um adiamento com The Legend of Zelda para a Wii-U.

Chegamos a esta altura e perguntamos: porquê? Porque é que companhias lançam os seus jogos inacabados? Porque é que anunciam jogos com visuais deslumbrantes, que posteriormente acabam por cortar? Sobretudo quando o produto final até passava bem sem isso? Porquê anunciar jogos com demasiada antecedência obrigando muitas vezes a mostrar trabalho não representativo da qualidade final? Concluímos que a industria em vez de fazer, parece querer viver do hype gerado, levando a lançamentos de produtos em mau estado e que não correspondem ao anunciado, de modo a lucrar das vendas inciais e pré-reservas. Infelizmente,  não jogamos promessas, embora queiramos jogá-las.

Isto levou a um sério ambiente de descontentamento. Aprendemos a desconfiar da indústria e não sabemos o que esperar. Perdemos a fé no poder das novas consolas e nas suas capacidades. E sobretudo andamos mergulhados em detalhes técnicos, que muitas vezes nos distraem do essencial – os jogos e a experiência que dele resultam. Com tudo isto, não paramos para ver o que foi entregue. O divertido Little Big Planet3. O excelente Sunsett Overdrive. O fantástico Farcry 4. O viciante Bloodbourne. Jogos que cumprem, sobretudo porque apostam numa história envolvente e numa gameplay fantástica. Não reparamos no que de bom a nova geração entregou. E no quanto ela já cumpriu, mesmo com downgrades em cima em alguns casos, face à geração anterior.


A E3 2015 será, por estes motivos, um evento especial. Em primeiro lugar, porque o anuncio do DX 12, do Vulkan e todas as promessas em seu redor, apontam para que se consiga aproximar mais as consolas e PCs, permitindo uma mais fácil conversão de títulos de uma para outra plataforma. Além disso, depois de revelações sobre vários títulos a serem programados em DX11, o qual poderá ter tido um efeito na sua performance, é altura das produtoras mostrarem que as pessoas podem ter confiança na nova geração e na qualidade dos seus jogos, os quais, esperamos, vão mostrar coisas nunca antes vistas. Em segundo, porque muitos grandes títulos já anunciados, vão finalmente ser revelados em qualidade quase final. Em terceiro, porque dentro de alguns meses as consolas de nova geração farão 2 anos de mercado e há inúmeros rumores sobe o lançamento de novo hardware e descidas permanentes de preço. E por último, porque este ano contaremos com mais 3 conferências face ao ano passado, o que significa que anúncios de grandes jogos poderão estar por aí. É altura da nova geração entrar numa nova fase de desempenho, atingindo o nível que sempre quisemos que tivesse.

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