Escolher uma fonte de alimentação para um PC

Neste artigo explicaremos tudo o que há a saber sobre fontes de alimentação, de forma a que possam fazer a escolha daquilo que é o melhor para o vosso PC.

fonte

Não modular, semi-modular ou modular?

Quando verificamos fontes de alimentação uma das situações com que nos deparamos é a existência de termos como semi-modular ou modular.

O que são, e fazem diferença?

Eis uma imagem explicativa:



Fontes

Na foto temos três fontes de um conceituado fabricante, a Corsair. Primeira fonte (esquerda) não é modular, o que quer dizer que todos os cabos são soldados na fonte e necessitam de estar presentes no interior da caixa.

A segunda fonte (centro) é semi-modular. Isso quer dizer que os cabos de energia para a motherboard são soldados à fonte, mas os restantes são colocados nos encaixes disponíveis de acordo com as necessidades.

A terceira fonte é completamente modular. Isso quer dizer que não possui qualquer cabo soldado e os mesmos são usados de acordo com as necessidades.

Naturalmente as fontes semi-modulares e modulares são vantajosas, sendo mesmo difícil encontrarem-se actualmente fontes não modulares.

No entanto a fonte não modular é considerada como a melhor escolha a nível de electrónica uma vez que não há conectores intermédios entre a fonte e os componentes. Os encaixes utilizados nas fontes semi-modulares e modulares acrescentam resistência e pontos de falha intermédios (os encaixes podem ganhar folgas). No fundo, este acréscimo de resistência traduz-se em perda de eficiência.

No entanto essa perda é algo mínimo e não é motivo de preocupação para o utilizador, sendo que por esse motivo as restantes fontes são preferíveis por manterem o aspecto interior da caixa mais limpo.

Entre uma fonte semi-modular e uma modular, a primeira acaba por juntar o melhor dos dois mundos uma vez que o cabo de alimentação da motherboard é obrigatoriamente sempre usado. E essas fontes são um pouco mais baratas que as completamente modulares.

A desvantagem é a possibilidade de alteração do formato do cabo de alimentação que caso seja algo que possa existir, apenas pode ser compensado numa fonte completamente modular.

Os rails

O debate sobre os rails é já antigo. Para além dos dados relativos à potência em Watts e Amperes que são fornecidos pelos fabricantes é costume identificar-se o número de Rails de 12V que a fonte contêm.

Uma fonte com um único rail possui todos os seus amperes disponíveis em cada um dos conectores de 12V o que permite sem problemas alimentar qualquer componente do sistema. Por exemplo, em uma fonte com 40 Amperes, o utilizador pode ligar um aparelho que gaste 25 amperes usando qualquer dos conectores disponíveis.

Mas uma fonte com mais do que um rail, pode criar problemas. Num exemplo de uma fonte com 40 amperes mas dois rails, onde cada um deles possui 20 Amperes, não pode ligar o aparelho em questão uma vez que a energia dos Rails não pode ser partilhada.

Claro que esse é um exemplo utópico, nenhum componente requer assim tantos Amperes, mas serve para mostrar que facilmente podem haver amperes desaproveitados com uma fonte com mais do que um rail.

No entanto nem tudo nos sistemas de rail único são vantagens. As fontes multi-rail verificam a alimentação de cada rail e encerram toda a fonte em caso de problemas. Mas com um único Rail, devido à maior amperagem disponível a protecção só activa perante valores muito mais altos o que elevas as probabilidades de se queimar o sistema.

Na realidade as diferenças práticas entre as duas modalidades são pouco pronunciadas. Ambas funcionam bastante bem e ambas são bastante seguras, mas o que se recomenda é que em sistemas particularmente potentes se use fontes multi-rail.

Os Amperes

Apesar de que actualmente a maior parte das fontes do mercado possuem a sua potência bem distribuída, há que verificar e procurar por uma tabela como a que se segue.

Amps-on-12v

Esta tabela é fundamental para se auferir a qualidade da fonte. Neste caso estamos perante uma fonte de 750 watts e que é capaz de atribuir 744 w aos rails de 12v. Ora como num sistema informático os componentes mais exigentes a nível de energia são alimentados com essa voltagem isso quer dizer que estamos perante uma excelente fonte.

Esta é uma situação extremamente importante. Caso a amperagem esteja distribuída de forma a limitar a amperagem disponível nos rails de 12v a fonte é de evitar.

A eficiência

Uma fonte de alimentação não debita sempre o mesmo, apresentando uma eficiência variável de acordo com a carga que lhe é solicitada.



eficiência psu

No exemplo de cima temos uma fonte e a sua eficiência nas configurações de 230v e 115v. Por aqui vemos que a sua eficiência varia com a rede, mas igualmente varia com a solicitação de carga.

Assim vemos que a fonte, configurada para 230V se estiver a ser solicitada apenas a 20% debita perto de 88,5% da sua potência máxima, um valor que sobe para os 91% com a fonte a meia carga e desce para os 88% com a fonte na sua carga máxima.

E é extremamente importante perceber essa realidade uma vez que deverá sempre ser para a carga máxima que deveremos escolher uma fonte.

E o que acontece é que esta eficiência varia de fonte para fonte, mas como se percebe, por exemplo uma fonte de 600w apenas debita 528 watts com o sistema ao máximo, e no máximo 546watts a meia carga.

Como saber então qual a eficiência das fontes?

Bem, para começar há que fugir das fontes mais baratas. Essa fontes por muita potência que anunciem possuem normalmente curvas de eficiência bastante acentuadas, com perdas muito grandes. Isso quer dizer que uma fonte de 400 watts com uma eficiência de 91% pode bater uma fonte de 500 watts com uma eficiência de 70%.

Para regulamentar, standarizar e informar sobre as eficiências das fontes surgiu a certificação 80+. Trata-se de uma certificação que garante que as fontes atingem no seu débito máximo uma eficiência energética de 80%.

Essa certificação foi sendo evoluída e actualmente envolve as seguintes categorias.

80 plus

Estes são os actuais parâmetros de certificação, 80+, 80+ bronze, 80+ silver, 80+ gold, 80+ platinum, e 80+ titanium, e todos correspondem a aproveitamentos diferentes situados acima dos 80%.

Eis uma lista com os aproveitamentos de cada uma destas certificações, para as redes de 115v e 230v e para vários níveis de carga.

Teste 80 Plus

115V internos não redundantes

230V internos redundantes

Percentagem de carga

10%

20%

50%

100%

10%

20%

50%

100%

80 Plus   80% 80% 80%        
80 Plus Bronze   82% 85% 82%   81% 85% 81%
80 Plus Silver   85% 88% 85%   85% 89% 85%
80 Plus Gold   87% 90% 87%   88% 92% 88%
80 Plus Platinum   90% 92% 89%   90% 94% 91%
80 Plus Titanium 90% 92% 94% 90% 90% 94% 96% 91%

Como se pode ver uma fonte 80+ Bronze atinge uma eficiência maxima de 85% e de 81% a 100% numa rede de 230v, a prata atinge 89% máximo e 85% a 100% de carga, e a ouro já atinge valores de 92% máximo e 99% a 100% de carga. E estes valores sobem ainda mais na versão Platinum e Titanium.

Por aqui vemos que a fonte usada no gráfico de eficiência de cima era basicamente uma 80+ Gold.

Apesar de a tabela não indicar, a versão base 80+ deverá comportar-se a 230v com a mesma qualidade que a 115v, nunca descendo abaixo dos 80%.

O que cada vez se vê mais são fabricantes a usar símbolos que iludem o cliente, como por exemplo o seguinte:

85+

Usando uma cor em tudo semelhante à usada na certificação 80+ Bronze que obtém igualmente 85% de eficiência como máximo, este símbolo não pertence à certificação.



Isso não quer dizer necessariamente que não estamos perante uma fonte que atinja exactamente as mesmas performances de uma 80+ Bronze, mas estamos perante uma fonte que não foi certificada oficialmente, e como tal estamos meramente a acreditar na palavra do fabricante. E a certificação existe para que isso não tenha de acontecer, oferecendo garantias de entidades independentes.

Mas qual a fonte a escolher?

Bem, agora já quase que sabes como escolher uma fonte, mas mesmo assim qual a capacidade de fonte a escolher para o meu sistema?

Isso é uma pergunta sem resposta uma vez que as necessidades reais variam de computador para computador. Mas podes calcular aquilo que o teu sistema precisa ao visitar este website.

Preenche os campos com os dados do teu computador (e basicamente só precisas de saber o processador e a placa gráfica uma vez que as restantes situações são de fácil preenchimento), e coloca os campos de CPU Utilization (TDP) e System Load a 100%.

No final pressiona o botão calculate e vais ter uma ideia do que o teu sistema precisa.



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