Estaremos a ver o fim das consolas portáteis? O lado dos Pais.

Resolvi escrever este pequeno artigo face a alguns comentários que tenho lido em alguns foruns e relativos a pais de possuidores de consolas portáteis.

É que no mercado das consolas há dois tipos de utilizadores. Os que possuem independência económica e que como tal sabem o que querem e o que podem pagar, e os que não a tem, normalmente os menores de idade e que são os pais que lhes pagam consolas e jogos, sendo que nesse campo, e não  existindo uma real percepção do dinheiro e do que ele custa a ganhar, este tipo de utilizadores limita-se a pedir.

E foi exactamente um post de um pai que me levou a escrever este artigo. É que o Pai falava sobre o seu filho e a forma como ele é fanático por jogos e consolas, pedindo todo o tipo de hardware e software.



E tal como a maior parte dos pais, este acabou por ceder oferecendo-lhe uma consola Nintendo DSi que o filho naturalmente “devorou”.

Mas com a consola vieram os restantes gastos… Os jogos a 40 e 50 euros cada um que o filho se fartava de pedir. Ora era do Homem Aranha, ora era do Cars, ora era dos Pokemon, ora era de outra coisa qualquer, a realidade é que com a consola veio uma despesa acrescida de várias centenas e euros a acompanhar.

Acontece que a certa altura, e ainda dentro da garantia a DSi avariou. E naturalmente o filho pediu aos pais a reparação da consola.

A questão é que procurando pela factura a mesma não apareceu. E como o Pai refere, ele também não se deu muito ao trabalho para a encontrar, até porque sabia que a reparação só iria trazer era mais jogos e consequentemente mais despesa.

Não julguem porém que este pai estava a privar o seu filho dos jogos. É que os argumentos dele para a sua posição acabavam por ser mais do que válidos, pois segundo ele, o seu filho dava tanta atenção aos jogos pagos a 50 euros como dava aos jogos que ele jogava no iPad que o Pai lhe emprestava, e que iam sendo adquiridos gratuitamente. E realmente sob esta perspectiva o Pai questionava-se porque motivo havia de pagar 50 euros por um jogo que o filho jogava meia dúzia de vezes quando podia estar a fornecer-lhe gratuitamente outros jogos que conseguiam o mesmo efeito.



E efectivamente esta é uma situação que já abordamos aqui. Custa um bocado aceitar-se que alguma outra consola venha a ter o sucesso da DS com os seus jogos casuais face à diversidade de jogos gratuitos do género que se podem obter com um iPad.

Parece-nos assim que o sucesso das consolas parece passar pelos jogos mais hardcore e elaborados, com grafismos poderosos e de grande dimensão, pois os restantes jogos parecem actualmente ser difíceis de ser enquadrados num mercado onde a diversão simples e casual se obtém a custo zero.

Actualmente a PS Vita ainda se consegue actualmente enquadrar num patamar de qualidade que os dispositivos móveis ainda não oferecem, mas já a 3DS não parece oferecer nada que um iPad não possa oferecer. Mas mesmo a questão da PS Vita é efémera e é bom que a sua posição seja aproveitada rapidamente pois prevê-se que os dispositivos móveis acompanhem a consola muito rapidamente.

A realidade é só uma, os Tablets, particularmente o iPad, vieram alterar o mercado dos videojogos, e é bom que as empresas ganhem consciência dessa realidade. jogos gratuitos ou a 79 cêntimos são ofertas imbatíveis, e podemos mesmo encontrar títulos mais elaborados a preços como 5 ou 6 euros. E com esta realidade torna-se realmente difícil de justificar o pagamento de jogos de 50 euros, particularmente aos pais que não vêem outra coisa senão o facto que a atenção dispensada aos jogos caros não é melhor do que a dada aos gratuitos.

E jogos caros não são necessariamente a melhor forma de se rentabilizar um jogo, e isso já foi provado claramente.



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