Exclusivos: Como eles vendem consolas, mas não são os únicos a fazê-lo!

Uma das formas de se cativar clientes numa consola é o lançamento de exclusivos. Mas qual a melhor altura para se lançar exclusivos, quantos devem ser lançados ao mesmo tempo, e são apenas estes que vendem consolas?

Torna-se inegável que possuir-se jogos de qualidade exclusivos é uma forma de se conseguir cativar pessoas numa plataforma. Sendo o jogo bom e desejável, saber-se que o mesmo apenas pode ser jogado na plataforma A ou B leva a que as pessoas ponderem a compra dessa mesma plataforma. Afinal só dessa forma poderão ter acesso ao jogo!

Parece por isso inegável que os exclusivos são e continuarão a ser uma forma de se atrair clientes para uma plataforma. No entanto a atual geração tem vindo a demonstrar que os exclusivos não são a única coisa que conta, e que há muitos mais argumentos que podem ser usados para se promover e vender uma plataforma.

Mas antes de entrarmos por aí vamos analisar umas questões relativas aos exclusivos.

Qual a melhor altura para se lançar um exclusivo?

Na realidade há uma série de alturas onde os exclusivos se revelam como uma ferramenta de interesse para aumentar vendas.

  • Alturas de menores vendas e distribuídos ao longo do ano de forma a manter-se a procura e vendas da consola em alta.
  • Alturas de elevada procura pelas consolas e/ou em que a concorrência apresente argumentos de compra acima do normal.

Basicamente o que podemos ver é que não existe exatamente uma altura má para se lançar exclusivos. No entanto separamos as duas situações de cima por serem as duas correntes ideológicas, distintas, de vendas.

Alturas de menores vendas distribuídas ao longo do ano

Por exemplo, ao longo do ano nas alturas de menores vendas o lançamento de um exclusivo poderá aumentar as mesmas. No entanto é preciso que se entenda quais as razões das menores vendas. Normalmente no período de férias as vendas são menores do que no resto do ano. E isto porque as famílias usam os seus recursos em outras situações dispendiosas (as férias). Por esse motivo, as alturas mais paradas do ano não são exatamente as ideais para o lançamento de exclusivos uma vez que a sua existência não invalida a maior dificuldade financeira na compra.

No entanto há outras alturas onde as vendas são menores e que se mostram interessantes. Basicamente a partir de finais de Fevereiro e o mês Março são alturas interessantes, e onde o lançamento de exclusivos tem mostrado bons resultados de vendas.

Acima de tudo a promoção de vendas nestes períodos levam a que se crie um certo volume de vendas que depois, por arrasto (o chamado momento), faz com que as vendas aumentem e se mantenham mais elevadas ao longo do ano. Basicamente sabe-se que a existência de uma base sólida de utilizadores é fundamental para que as vendas se mantenham altas.

Há ainda outros motivos que mostram que estes períodos são interessantes. Aos fabricantes de consolas interessa-lhes vender consolas, mas acima de tudo interessa-lhes vender jogos. É na venda de jogos e não nas consolas que está o maior lucro para estas empresas. E o colocar os seus exclusivos em alturas onde estes não concorrem com os jogos AAA de terceiros faz com que estes não compitam com as vendas dos produtos desses terceiros. Resumidamente é uma situação que agrada ao fabricante da consola, bem como os Third Party developers que podem assim ter volumes de vendas mais altos. E estes terem volumes de vendas mais altos implica que irão continuar a dar um excelente suporte à consola colocando mesmo a possibilidade de criarem jogos exclusivamente para a plataforma.

Alturas de elevada procura pelas consolas e em que a concorrência apresenta argumentos acima do normal

Naturalmente períodos de grande procura como o de Natal são uma altura excelente para se lançar exclusivos. Numa altura de grandes vendas, eles aumentam a oferta da consola e tornam-na mais apetecível podendo desequilibrar a balança. Daí que por norma, se esta é uma altura onde os fabricantes apresentam os seus argumentos para venda, sendo assim uma altura onde os exclusivos se entendem como extremamente interessantes para aparecerem.

Há no entanto que se ter em conta outros factores. E é aqui que as considerações paralelas entram em conta.

Quantos exclusivos se deve ter nestes períodos?

Há quem acredite que um, há quem acredite que dois, e há mesmo que acredite que quantos mais melhor.

Mas será mesmo assim?

Convenhamos que um exclusivo nunca fez mal a ninguém. E pode tornar a consola mais apetecível neste período ao oferecer um jogo de interesse que não pode ser jogado em mais lado nenhum.

Até seriamos tentados a pensar que dois exclusivos poderia ser ainda melhor. Teríamos mais variedade, poderíamos cobrir mais estilos de jogo e aumentávamos a tentadora oferta da consola.

E quem sabe… Três poderia ser ainda melhor?


Na realidade se dois poderemos ver como bom, três já será demais. Não podemos esquecer que os jogos possuem custos elevados a serem produzidos. E que ao serem lançados em conjunto neste período de larga oferta irão competir uns com os outros. E mais ainda, irão competir com os jogos de terceiros. Ora para quem compra uma consola a oferta de um Bundle com um jogo exclusivo poderá soar a muito atrativo pois pelo preço de uma consola leva já um jogo não necessitando verdadeiramente de gastar mais por algum tempo. Mas mesmo que compre mais jogos, ao haver uma oferta maior, o bolo das receitas geradas pela consola acaba por ser menor por cada jogo no mercado. E se os exclusivos ficarem com a grande fatia isso quer dizer que as Third Party irão ficar descontentes com as vendas nessa plataforma.

Daí que o número de exclusivos a serem lançados nestes períodos deverá ser muito bem ponderado, e apenas a necessidade imperativa de se vender consolas deverá ditar um volume muito grande de oferta First Party ou exclusiva.


Mas só os exclusivos é que vendem consolas?

Se há uma curiosidade que a atual geração nos veio mostrar é que as pessoas cada vez mais possuem consciência que exclusivos de qualidade há em ambos os lados e que uma consola vale pelos jogos lançados ao longo da sua vida e não pelos disponíveis na altura da sua compra. Naturalmente os exclusivos podem ser capazes de ditar uma preferência, mas na realidade eles são cada vez menos face ao volume de jogos Third Party. Digamos que se torna mais preocupante que uma empresa Third Party resolva não optimizar corretamente ou mesmo publicar os seus jogos numa determinada plataforma devido a um historial de fracas vendas do que ter mais um ou outro exclusivo lançado num mesmo periodo. Isto porque se uma Third Party se sente prejudicada a esse ponto, outras certamente se seguirão, e aqui poderemos no extremo ter aquilo que nenhum produtor de consolas deseja: A oferta à consola concorrente de exclusivos Third Party gratuitos.

Atualmente, com as consolas de nova geração a revelarem-se tão parecidas, a escolha recai sobre aquela que apresenta melhor qualidade e capacidade. E por norma geral, em 99% dos títulos, na atual geração, a consola com maior resolução/fps/ qualidade tem sido a PS4. São, ao longo de já dois anos, várias centenas de jogos que ao possuírem melhores características na consola da Sony atraem os clientes para a mesma. E esta situação, apesar de não ser um exclusivo conta tanto ou mais do que ele. Apesar de não sendo exclusivos, ter a melhor versão dos jogos multi plataforma é um fator considerado decisivo. Afinal como se referiu ao longo de um ano, os multi de qualidade são esmagadoramente mais do que os exclusivos. E neste natal se a Microsoft aposta em um elevado número de exclusivos, a PS4 aposta em acordos de promoção de jogos AAA de terceiros de elevada qualidade que possuem na consola a plataforma onde obtêm melhor resolução/qualidade.

Um bom exemplo de como um jogo não exclusivo pode desequilibrar a balança é Metal Gear Solid V: The Phantom Pain! No segundo maior mercado do mundo, o do Reino Unido, 72% do total de vendas na primeira semana em todas as consolas foi para a consola da Sony, aumentando o volume de vendas da consola. Da mesma forma no mercado Japonês o volume de vendas da PS4 subiu tremendamente, esgotando stocks, devido ao jogo. E não se trata de um exclusivo!

No presente caso a explicação para estas vendas não se prende apenas com as capacidades da consola ou base de utilizadores existente. Trata-se de um jogo que durante muitos anos esteve associado à Playstation, e que apesar de agora ser multi plataforma, continua na mente das pessoas associado à consola. E o facto de se saber que no jogo, como exclusivo na PS4, a meteorologia é dinâmica, e o jogo corre a 1080p 60 fps, tornam a consola a plataforma de excelência para o mesmo.

Resumidamente há que se perceber que o mercado é uma coisa complexa e não simples como muitos gostariam de crer. Não só interessa às empresas que os exclusivos vendam consolas, como que eles vendam igualmente em número suficiente para se pagarem e darem lucro. Tudo isto tendo o devido cuidado de não se prejudicar terceiros cujos volumes de vendas na plataforma significam qualidade no suporte futuro e igualmente lucros. E a melhor forma de uma empresa conseguir que os jogos multi plataforma para a sua consola sejam, no mínimo, igualmente tão optimizados como na consola concorrente, havendo boas relações entre as empresas, é garantir às Third Party boas vendas e não competir contra elas.

São duas ideologias diferentes e neste Natal Microsoft e Sony avançarão para o final do ano cada uma com a sua. A da Microsoft é a mais tradicional, e apesar dos riscos de prejudicar as Third Partys e as vendas dos seus próprios jogos, a que melhores garantias oferece para o período. A Sony avança com a alternativa que lhe pode sair mal. Mas o certo é que essa é uma alternativa à qual apenas quem está no topo se pode dar ao luxo! E é preciso ver que o que conta são os resultados anuais e não apenas os do período do Natal, pelo que a estratégia da Sony não pode ser contabilizada pela comparação direta das vendas só no final do ano.

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