Fim da neutralidade da Internet pode afectar-nos a todos de forma inimagináveis

Em certos casos, o fim da neutralidade na internet pode fazer-nos recuar anos e anos.

Antes do mais, o que é a neutralidade da Internet?

Trata-se de um acordo assinado por Barrack Obama e aderido em todo o mundo que obriga a que todas as informações que circulam na rede sejam tratadas da mesma forma, e com a mesma velocidade.

É basicamente o princípio que garante o livre acesso a qualquer tipo de informação na rede, um conceito que esteve na base dos princípios da criação da internet

Infelizmente, por motivos diversos que a serem explicados requeriam um artigo completo, as larguras de banda e tráfego dos ISPs estão a ser abusadas pelos utilizadores com alguns tipos de ligações e práticas usadas que tem vindo a criar junto destes práticas de defesa dos seus interesses, como os limites de tráfego ou o “traffic shaping”.



A realidade é que é a neutralidade da internet que permite muito do que temos e tomamos como garantido hoje em dia, mas isso pode vir a acabar pois a Federal Communications Commission planeia votar alterações a esta lei e que caso venham a ser aprovadas medidas que protejam os ISPs prejudicando o cliente, rapidamente serão assumidas mundialmente por questões economicistas.

Querem exemplos?

Usas o Twitter ou o Facebook? Terás de pagar para o pacote de redes sociais.

Vês filmes no Netflix ou Youtube?  Só terás de acrescentar o pacote de streaming.

Jogas jogos? Boas notícias… poderás pagar pelo pacote que te permite ligações com melhor qualidade para te garantir boa experiência de jogo.

O problema de tudo isto é que não só tal irá causar mossa nas nossas carteiras, como poderá mesmo afastar muita gente de serviços online. E a maior parte dos Gamers, aqueles que acham que 70 euros por um jogo já é um preço pesado, certamente não irão achar grande piada a ter de pagar mais para poderem igualar a qualidade de jogo dos outros. Note-se que a qualidade de ligações nos videojogos é apenas um exemplo. Há mil e uma formas de se monetizar o uso da internet nos videojogos, como por exemplo obrigar a pagar dados extra para se poder fazer o tráfego de largos Gigas mensais que as consolas requerem para manter os jogos atualizados. E com jogos a ocuparem 50 a 70 GB e os 4K no horizonte, isto seria ouro sobre azul para as receitas dos ISPs.



Algo que sofreria igualmente com o pagamento de pacotes extra para grandes quantidades de dados seriam as vendas online. Se 2m 2009 apenas 20% dos jogos comprados eram digitais, atualmente 74% deles são digitais (notem que isto não representa a percentagem de vendas de um jogo no digital face ao físico, mas sim as percentagens vendas digitais globais de jogos face às físicas, isto incluindo jogos apenas digitais e jogos vendidos em aparelhos móveis, ou seja, muito, mas mesmo muita coisa mesmo que não é vendida fisicamente)

Mas dentro do pacote de qualidade de ligações para videojogos estarão ali indissociavelmente ligados os jogos maioritariamente online como os MMORPG, FPS e jogos de desporto. Certamente por aqui os ISPs poderiam também inventar formas de cobrar mais para garantir a qualidade da ligação.
Basicamente isto quer dizer que a discussão que vai haver é do interesse de todos e que todos deveremos estar atentos a isto. O que dali pode sair é imprevisível, e caso os ISPs possam vir a ter a liberdade de cobrar como e quando querem, de impor regras de velocidade, limites de tráfego, etc, cobrando mais para obtermos o que temos agora, poderemos vir a regredir no tempo para os tempos dos primórdios da internet.


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Readers Comments (23)

  1. Hennan Santos Carvalho 5 de Dezembro de 2017 @ 18:33

    Seu artigo sobre o assunto foi no minimo superficial. Não lembro se podemos sugerir links de outros sites, mas recomendo a leitura desse texto.
    https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2806

    • Dei uma olhada nesse artigo e ele é, a meu ver, bastante enganador. Ele vê o fim da Neutralidade como uma coisa boa, e até a aplaude, ao passo que eu vejo-a como uma coisa má… E a realidade é que as opiniões dividem-se!
      No meu artigo não quis abordar a neutralidade da internet. É algo que nos escapa, que não podemos controlar. Quis isso sim, e apenas, mostrar em que situações o seu fim nos pode prejudicar e nesse campo acho que o artigo, sem abordar o assunto de forma profunda, está eficiente.

    • Hennan, queres ter uma boa ideia do futuro que isso trará?

      Ele já existe em Portugal. Lê isto:

      https://www.publico.pt/2017/11/22/tecnologia/noticia/fim-da-neuralidade-da-internet-nos-eua-portugal-exemplo-1793526

      A Meo é uma empresa de comunicações vende TV por cabo, internet e claro, pacote de dados para telemóveis (não sei se conhecem aí no Brasil porque esteve envolvida no escândalo na Oi). Esta, empresa basicamente, decidiu disponibilizar pacotes de dados em telemóveis onde podes gastar somente em determinadas aplicações, com uma mensalidade. Se isso virar o futuro, basicamente tens o teu operador a decidir em que é que podes gastar a internet que compras e o que é que poderás aceder com ela (não me custa nada imaginar os preços a aumentar drasticamente se virar moda, com uma infinidade de pacotes).

      Esse exemplo que é dado nesse artigo está mal feito. Não leva em consideração o facto de que a empresa apenas aluga os camiões aos clientes e cobra por isso, ficando a cargo dos clientes (e não da empresa) decidir que móveis transportar. E isto faz toda a diferença. Repara, quando o fim da neutralidade da Internet for aprovado, a empresa também irá ter o poder de decidir pelo cliente que tipo de móveis os camiões podem transportar, e assim, se alugares por exemplo um camião TIR, a empresa pode dizer que nesse só podes transportar móveis grandes e os pequenos só poderão ser transportados num outro camião de pequena dimensão.

      Olha o meu caso. Pago um pacote completo, e neste momento tenho direito a net por fibra, e pacotes de dados nos telemóveis, mas posso gastar a internet a meu bel-prazer e onde eu quizer (a largura de banda é minha e eu pago por ela). Apartir de agora terei o meu ISP a decidir em que é que eu a poderei gastar. Por exemplo, poderei gastar num pacote com Netflix, mas se quiser ir ao Amazon Video já não o poderei fazer. Poderei ter o Netflix e a PSN em pacotes separados.

      Isto é um risco enorme do fim da neutralidade.

      E que tendo em conta os ISPs ( em Portugal, correntemente, são as empresas com as piores práticas, e maior número de queixas, com esquemas atrás de esquemas de sacar dinheiro aos clientes, e de forçar a assinatura de pacotes de fidelização – já me chegaram a renovar sem dar autorização, via telefone,e foi uma trabalheira para reverter essas alterações), não me admira nada eles começarem a cobrar a essas empresas (Sony, MS, Netflix, Facebook, Instagram, Wikipedia) o direito a disponibilizar ser viços em certos pacotes ao mesmo tempo que pensam em distribuir os serviços por pacotes que sirvam para cobrar o máximo aos clientes.

  2. A votação ocorrerá hoje.

    Por incrível que pareça tem gente que colocou comentário na notícia apoiando o fim da neutralidade mesmo que o texto da notícia que li aponte que será pior p/ o usuário.

    No Brasil tem muito louco solto.

    • Foi aprovado. Mais uma faca cravada.

      • PS: Porém precisa ser aprovado no congresso americano, espero que a pressão popular ajude a derrubar

      • Se a Disney tá comprando o mundo inteiro para fazer sua “própria Netflix” ela deve estar um pouco preocupada com esta decisão.

        Piora para todos, tanto para as empresas de entretenimento que serão coagidas para pagar um valor para que seus dados sejam transmitidos em uma largura de banda maior e aos usuários finais que terão que contratar pacotes para usufruir disso.

        Não era de se esperar vindo de um governo cujo o presidente é um empresário e que pode influenciar os demais para aprovarem temas a seu favor. Não que o Trump seja dono de uma ISP, mas favorecer aos seus “amigos” de classe.

      • Estamos desgraçados… a internet, um meio livre de comunicação para todos caiu nas mãos do corporativismo e dos interesses financeiros. Há que se criar redes dentro da rede e fugir a isso…

    • Mas Lívio, qual o problema em pessoas colocarem comentários apoiando o fim da neutralidade na notícia que você leu, mesmo que o texto da notícia que você leu aponte que “será pior para o usuário”? O espaço de comentários está lá para isto mesmo, para as pessoas comentarem, seja a favor da notícia ou não, desde que comentem com respeito obviamente. Ninguém é obrigado a comentar a favor de uma notícia só porque um texto desta notícia apontou supostas desvantagens… Até mesmo porque este texto pode, por exemplo, não estar sendo imparcial! Ninguém é obrigado a aceitar o que foi escrito, só porque foi escrito. Questionar o que foi escrito é sempre bom!

      Se você se referiu ao texto do UOL, eu mesmo não concordei com tudo o que foi escrito ali sobre este tema da neutralidade, acho que foram ditas algumas bobagens ali, como já havia acontecido em épocas anteriores quando o UOL escrevera sobre o assunto. Acho que há os prós e os contras nesta questão.

      Como eu falei, discordei de algumas coisas do tal texto (não sei se foi exatamente o mesmo que você leu) sobre o assunto, não sou radicalmente contra o fim da neutralidade. E nem por isto me considero louco, apenas estou exercendo meu direito de ter uma opinião diferente da sua.

      • Não comento nada disto pois não sei do que falam exactamente e nem li o artigo em questão, mas recomendo que leiam este.
        http://digg.com/2017/how-net-neutrality-repeal-affect-me

        • Mário, na minha crítica ao comentário do Lívio, nem entrei propriamente no mérito da questão em si, se o fim da neutralidade será bom ou não. Apenas critiquei o fato dele ter rotulado de “loucos soltos pelo país”, os que resolveram opinar a favor da neutralidade. Afinal, qual o problema em opinar a favor? O tal texto que ele menciona, não pode ser questionado, contrariado pelos que comentam?

          A principio eu não sou contra o fim da neutralidade Mário, mas quero me informar mais e melhor sobre o assunto, posso sim até mudar de idéia, não vejo mal nenhum nisto. E com todo respeito ao Livio, só não concordo é ironizar quem pensa diferente. Afinal nenhum de nós é dono da verdade.

          A questão principal para mim nesta polêmica é saber se os custos demandados para atender um consumidor que só usa a Internet para por exemplo enviar e-mails e acessar alguns sites de notícias seriam os mesmos para atender as demandas de outros consumidores como nós por exemplo que usamos a internet para jogar, baixar jogos, assistir vídeos, etc. Porque se estes custos forem diferentes Mário, há sim razão por parte das ISP’s em querer mudanças deste atual modelo. Até mesmo porque se os tais custos forem
          diferentes, o que obviamente ocorre então é uma cobrança de um preço médio de todos os consumidores, onde aqueles que só usam a internet para mandar e-mails acabam pagando um preço médio que para eles acaba saindo mais caro do que deveria ser, enquanto para nós que usamos a internet para jogarmos e vermos vídeos, acabamos então pagando este mesmo preço médio, que para nós acaba sendo barato, pois os custos de nossas demandas são obviamente maiores do que a média. E aí não é justo para aquele consumidor que só faz questão da internet para mandar alguns e-mails. Então para este tipo de consumidor seria mais vantajoso a quebra da neutralidade, pois o preço para ele irá cair. Ou será que me engano, Mário? Gostaria de saber mais de sua opinião a respeito.

          Vou ler o texto de seu link.

          • O problema aqui Murilo não é se quem usa a net só para ver mails paga tanto como quem usa para tudo e isso traz custos diferentes ao ISP, e por 2 motivos.
            Primeiro porque isso é como pagares um acesso livre a um ginásio e só vais a uma aula por semana. Problema teu, mas o direito de ires quando quiseres existe.
            Segundo porque o problema é os clientes ficarem nas mãos do ISP. Porque não julgues que, no exemplo do ginásio, eles vão descer o custo do cliente que só vai uma vez por semana. O que vai acontecer é que eles sobem os custos dos outros.
            E é por aí que a porca torçe o rabo. Essa liberdade discricionária nas mãos de capitalistas pode ser um entrave à internet tal como a conhecemos.

      • Murilo até parece que você não mora no Brasil, abrir uma brecha dessas dá oportunidade a várias práticas anti consumidor.

        Porque eu digo que no Brasil tem muito louco solto? Ora bolas no Brasil que não tem serviço de internet de qualidade e a um preço elevado eu consigo acessar vários sites/serviços sem pagar nada mais, aqui acesso sites, youtube, netflix, spotify, baixo jogos, jogo online por um valor só. ”

        Agora uma pessoa apoiar que se pague a mais para acessar serviços de stream(YT, Netflix e Spotfy), pague mais outro valor para acessar serviços de jogos com a mesma baixa qualidade dos dias atuais para mim é um louco. Pense nisso sendo aplicado no Brasil, fico aqui imaginando os donos do Xbox pagarem por um pacote ISPs que dá a possibilidade de jogares online + uma assinatura Gold + Game Pass + EA Access e quem saiba + Netflix + Spotify… Muita gente iria trabalhar só para pagar serviços.

        O engraçado que estas ISPs possuem tecnologias para evitar o máximo de tráfego, visitei a Embratel-Claro semestre passado e lá há vários computadores-cache que armazenam os dados assim que são acessados pela 1ª vez e ficam a disposição para os demais usuários que buscam a mesma informação, ou seja, após o 1ª acesso os dados fluem somente da ISP para os usuários, não sendo necessário que os usuários acessem outros servidores de outras ISPs, diminuindo assim o tráfego.

        Tenho um plano móvel que me dá direito a realizar chamadas ilimitadas e poucas centenas de Mb 3G(que satisfazem para o meu uso) e pago somente R$25,00. Já faz um tempinho que a operadora insiste para que eu mude para outro com um pouco a mais de Mb(que não vou utilizar por completo), por R$40,00 mensais, já a concorrência lançou um plano com direito a um serviço stream(limitado) por R$60,00 e assim vai.

        Não li o artigo da UOL e sim a do G1 e lá colocaram exemplos similares ao link que o Mário citou.

        Finalmente respeito opiniões, mas defender algo ridículo que vai prejudicar a todos ao meu ver é coisa de louco, uma coisa é eu dizer que gosto de PS4 e você de Xbox e nisso não chamo de louco, decisões da Sony ou MS somente afetarão aqueles que possuem o produto, mas defender algo que você vai pagar a mais para manter a mesma “qualidade” eu discordo.

        Mas já que você falou te faço 2 perguntas:
        1- Quais as vantagens para o consumidor nesse novo tipo de modelo?
        2- Lembra que abriram uma brecha para as companhias aéreas sobre a cobrança de bagagens e a promessa era que as passagens ficariam mais baratas, afinal as passagens diminuíram de valor passados uns 5 ou 6 meses após a abertura da brecha?

        • Lívio, conheço bem as mazelas de nosso país, apenas discordo de sua maneira de pensar.

          Concotdo contigo que a qualidade de nossa Internet é baixa. Mas apóio sim que se cobre mais de quem demanda mais tráfego de Internet, e que se cobre menos de quem demanda menos tráfego de Internet. E isto não faz de mim um louco Lívio. Prejuízo as ISP’s não irão levar, o que é um direito delas, portanto para isto elas cobram um preço médio de todos os usuários, já que elas são obrigadas a manter a tal neutralidade. Ou seja, nós que dwmandamos muito tráfego, aumentando os custos, acabamos no fim subsidiados por aqueles usuários que demandam pouco tráfego, mas que estão sujeitos ao mesmo preço médio de internet que nós. Afinal os custos são diferentes. Ou não?

          Não li o artigo do G1, li só o do UOL.

          Percebo que vc tem um conhecimento tecnológico nesta área de eletrônica e telecomunicações que eu não tenho. Até tenho formação tecnológica, mas não nesta área, portanto não irei discutir com você em relação às tecnologias em si, pois não tenho base para isto. Mas você menciona que as empresas que você visitou, usam de tecnologias para diminuírem o tráfego de dados. Até aí, ok, entendi, mas o fato é que toda tecnologia e sua implantação tem custos, inclusive custos de manutenção. Ou seja, no fim vc acaba é admitindo que os tráfegos de dados são altos, e altos a ponto de se fazer necessário o uso de tecnologias para se aliviar estes altos tráfegos, o que no fim acaba é por elevar os custos ao consumidor final, pois estas tecnologias tem um preço. E aí mais uma vez, aquele consumidor que demanda ppuco tráfego de Internet acaba pagando os custos destas tecnologias que para eles não seriam tão necessárias assim. Me pareceu contraditório seu argumento.

          Lívio, sinceramente, se você respeita opiniões, então não chame de ridículo aquilo que você não concorda, nem chame de louco quem pensa diferente de você! Você pensa diferente de mim, nem por isto te rotulo de louco.

          A primeira pergunta já foi respondida, posso até estar enganado, mas acredito que a principal vantagem seria a cobrança de preços mais justos de acordo com a demanda solicitada de cada usuário, principalmente por parte daquele que usa pouca internet. A segunda pergunta, achei uma analogia sem sentido, são duas coisas diferentes. Mas vamos lá, se os preços não diminuíram de valor passados 5 ou 6 meses após a “abertura da brecha” isto se deve principalmente à alta dos combustíveis no mercado internacional, afinal bagagens pesam e se pesam, os aviões gastam mais combustíveis para transportá-las e se gastam mais combustíveis, os preços das passagens obviamente sobem. Afinal como dizem, não existe almoço grátis!

          • @Murillo

            1- “Até aí, ok, entendi, mas o fato é que toda tecnologia e sua implantação tem custos, inclusive custos de manutenção.”

            Nisso você tem razão, aliás para todo tipo de serviço independente do ramo tem seu custo quando o mesmo é implantado, mas o setor de telefonia tem um faturamento absurdo. Estas ISPs não fecham o ano no vermelho e mesmo com quedas no lucro estas não ficam com prejuízo:
            “https://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/lucro-da-telefonica-cresce-mas-negocios-na-espanha-decepcionam.ghtml”
            “http://epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2017/07/lucro-da-tim-vai-r-219-milhoes-e-quase-triplica-no-segundo-trimestre.html”
            “http://www.telesintese.com.br/lucro-das-operadoras-de-telecom-cai-188-no-primeiro-trimestre-do-ano/”

            Um outro ponto, no meu comentário anterior falei dos servidores-cache, mas nem todos foram implementados pela própria Embratel, ao visitar vimos 2 servidores bem diferentes e de cor vermelha, adivinhe de quem era? Da Netflix e nesse caso a própria Netflix paga o “aluguel” de seus servidores, ou seja que prejuízo a Embratel-Claro tem nisso? Tem é vantagem pois o servidor está em sua rede.

            2- “Lívio, sinceramente, se você respeita opiniões, então não chame de ridículo aquilo que você não concorda, nem chame de louco quem pensa diferente de você! Você pensa diferente de mim, nem por isto te rotulo de louco.”
            Isso você não entendeu, não rotulo de louco quem discorda de mim, veja aqui na PCManias bem como em outros sites, mas você utiliza um serviço e apoiar uma prática que irá fazer você pagar mais por menos não é uma atitude normal, lembra muito este trecho da série “Todo Mundo Odeia o Chris”, onde a agulha de pickup seria um valor fixo que você paga pela internet, e os valores oferecidos pelo Chris e o dono da loja são os planos de dados:
            “https://www.youtube.com/watch?v=gJG2HrhY2uY”

            3- “achei uma analogia sem sentido, são duas coisas diferentes. Mas vamos lá, se os preços não diminuíram de valor passados 5 ou 6 meses após a “abertura da brecha” isto se deve principalmente à alta dos combustíveis no mercado internacional, afinal bagagens pesam e se pesam, os aviões gastam mais combustíveis para transportá-las e se gastam mais combustíveis, os preços das passagens obviamente sobem.”

            Quando começaram com esta discussão também houveram divergências e muitos tiveram a mesma opinião que a sua “Se eu não levo bagagem porquê deveria pagar o mesmo preço?”. O problema que o valor que antes você poderia levar x quilos agora você paga o mesmo(ou até mais devido correções) e sem o direito de levar a bagagem.
            “http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/10/apesar-de-promessa-de-queda-preco-das-passagens-aereas-subiu.html”
            “http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2017/07/02/internas_economia,606548/passagens-estao-mais-caras.shtml”

            OBS: No último link há o seguinte trecho “No acumulado em 12 meses até junho, os bilhetes aéreos ficaram 21,26% mais caros, enquanto a inflação oficial foi de apenas 3,52% — tudo isso em um ambiente de QUEDA no preço dos combustíveis.”

            Afinal seguindo a lógica de que os preços não diminuíram o valor devido a “alta” dos combustíveis as Teles também poderão elevar o preço do plano mais baixo devido a alta do preço do fornecimento elétrico.

            4- “Me pareceu contraditório seu argumento. ”
            Sim a minha parte sobre o plano telefônico foi contraditório, mas vale lembrar que a pouco tempo este mesmo plano era o plano top da operadora, hoje nem existe mais no site da Vivo, nem sei como anda não encerraram este plano.

            5- “A questão principal para mim nesta polêmica é saber se os custos demandados para atender um consumidor que só usa a Internet para por exemplo enviar e-mails e acessar alguns sites de notícias seriam os mesmos para atender as demandas de outros consumidores …”

            Sou estudante da área, mas ainda não formado e na minha visão o custo foi aplicado quando montaram a infraestrutura para disponibilizar a internet na sua casa, não vejo custos adicionais quando um usuário acessa somente um site de notícias ou um vídeo na Netflix, o que a operadora oferece para você é uma largura de banda, os famosos planos de 10, 15 ….Mb e esta banda você utiliza como quiser.

            Sabe porquê sou contra o fim da neutralidade? Atualmente pagamos pelo fornecimento “garantido” de uma largura de banda, se contrato 5Mbps já estou apto a assistir vídeos em qualidade HD(“https://help.netflix.com/pt/node/306”), se eu contratar um plano menor fico impedido de ver vídeos? Não, mas a qualidade do vídeo cai e posso sofrer engasgos. Com o fim da neutralidade a operadora pode me oferecer os mesmos planos, por exemplo o de 5Mb de largura de banda, mas me impeça de acessar serviços do tipo streaming. Agora imagine uma situação dessas para quem possui plano de largura de 50Mb? Ter todo o requisito para usurfruir de muitas coisas , mas ser impedido por não ter um pacote específico.

            Agora Murilo quer uma boa notícia? Olhe isso: “https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/teles-brasileiras-discutem-formas-de-flexibilizar-neutralidade-de-rede-no-pais.ghtml”

  3. Mário, ginásio que você menciona seria uma academia de ginástica, é isto? Mas então um ginásio é um tanto diferente de uma empresa ISP. No ginásio existe aquela determinada aula ou atividade física e cuja aula e/ou atividade física não terá muito espaço para ser alterada, para não se correr o risco do que é oferecido ao aluno ou do objetivo a ser alcançado com as atividades físicas não serem alcançadas por parte do aluno. O ginásio precisará pagar à um professor de educação física para dar aquelas determinadas aulas tantas vezes por semana e não poderá ficar à mercê do aluno que não vai ås aulas semanais regularmente. Fora que há também os custos com os aparelhos de ginástica, de musculação à disposição do aluno. Ou seja, não há muito espaço para o proprietário da academia diminuir seus custos em função da demanda que cada aluno faz do ginásio, já que estes custos não dependem tanto de quantas vezes cada aluno matriculado frequenta a academia numa semana. É mais difícil para o proprietário da academia determinar um preço médio para ser cobrado de todos os alunos matriculados. Ao final do mês o professor funcionário da academia irá querer receber seu salário independente da demanda que cada aluno matriculado fez dele.

    Agora isto já não ocorre com as ISP’s. A demanda de cada usuário que trafega na internet, impacta diretamente nos custos das ISP’s. No entanto elas são obrigadas a cobrarem um preço médio de todos os usuários com base nas demandas médias de seus clientes. Resumindo, quem usa pouca internet subsidia quem usa muita internet. E isto sinceramente não acho certo, não podemos só olhar para nosso próprio umbigo. Eu faço uma analogia com as empresas de energia elétrica. Aqui no Brasil, cada consumidor paga só aquilo que demandou de energia elétrica. Não há um preço médio para ser cobrado de todos. Consumidor gastou muita energia elétrica num mês? Pagará mais! Gastou menos? Pagará menos! Posso estar enganado, mas penso que poderia ser assim também com a questão da internet.

    Mário, se as empresas ISP’s irão ou não baixar os custos de quem demandar menos internet, isto também dependerá muito da concorrência. Se houver muitas empresas concorrentes neste setor, a concorrência entre elas será feroz e a possibilidade dos preços caírem, principalmente para quem usa menos internet será maior. Agora se não houver concorrência, aí concordo contigo e a possibilidade de se subirem os custos de quem gasta mais ao mesmo tempo que se mantém os preços atuais de quem gasta menos será grande caso a neutralidade caia.

    Bom, já falei muito. É o que penso Mário, mas não sou radical, não fecho questão neste assunto, pode ser que haja mais coisas a se levar em conta, mas vamos ver. Procuro sempre ler sobre o assunto, independente de que lado for.

    • Mas desculpa Murilo, estás preocupado com o ISP é isso? Com empresas que ganham milhões e milhões todos os anos?
      Os ISPs não tem prejuizo. Nunca tiveram! O que me podes dizer é que podiam ter mais lucro.
      Mas o que eles nos vendiam era largura de banda. Que usavas como querias! Querias usar toda, usavas, não querias, não usavas. Eu no meu ginásio é assim. Pago e posso ir quando quiser, à hora que quiser, à actividade que quiser. E tal como eu há mais! Uns vão 2 vezes por semana, outros vão 3, outros 4, outros 20, outros nem saem de lá. Pagaste o acesso e tens o acesso! Como o usas é problema teu e o ginásio não se pode queixar porque uns vão mais do que outros. Porque se essas pessoas tivessem que pagar mais… não aderiam ao ginásio e praticavam em casa.
      Ora nos ISPs, é o mesmo, com a diferença que se não usares o serviço deles… não tens alternativa. Daí que a Neutralidade era o que nos safava, o que os impedia de fazerem o que quisessem, de controlar as coisas e cobrar o que quisessem, de dividir o acesso global por acessos parciais, de fazer pagar em parcelas o que antes tinhas num todo.
      A discussão sobre se isto é bom ou mau pode ser muito interessante. Pode ter muito a dizer… mas apenas para as partes que operam na área. Para o cliente isto só tem uma perspectiva. É mau!

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