Frases da Rockstar geram mau estar entre os fans.

Dan Houser da Rockstar criou uma polémica junto dos fans quando veio referir que funcionários da empresa trabalharam 100 horas por semana na produção de Red Dead Redemption 2.

A exploração das pessoas no trabalho é uma realidade que ocorre infelizmente com muitas pessoas. Há quem seja bem remunerado por isso, há quem não o seja, e certamente os funcionários da Rockstar enquadram-se no topo da linha dos que se encontram no primeiro caso. Mas a questão é que bem remunerados ou não, a exploração não deixa de existir quando se fala de um número de horas de trabalho onde não há sequer tempo para descanso.

Nas suas declarações Dan Houser refere que o jogo tinha, já no Outono de 2012, um esboço com ideias delineadas para a historia e as missões, mas que isso não impediu que o trabalho subisse tremendamente no último ano, com a aproximação da data de lançamento.
Esta situação levou a que, por várias vezes, em 2018, a equipa trabalhasse 100 horas por semana, acrescentado que comparativamente aos projectos anteriores da Rockstar, este foi o que deu mais trabalho.

Ora as 100 horas foram clarificadas posteriormente, mas ao contrário do que se poderia pensar não foram exactamente uma figura de estilo ou um número exacerbado usado para tentar mostrar trabalho. Infelizmente existiram mesmo, apesar de ser clarificado que tal se limitou a 4 argumentistas, incluindo o próprio Dan, e durante três semanas, sendo que ninguém é obrigado a trabalhar desta forma.

Estas frases foram porém refutadas por um ex-funcionário da Rockstar, Job Stauffer, que veio referir que, apesar de já estar afastado da Rockstar à mais de uma década, a realidade é que quando lá trabalhou em GTA IV o trabalho era realizado “como se estivessem com uma arma apontada à cabeça”. E que o que lhes era dito era “Estejam cá ao Sábado e ao Domingo também, porque se o Sam ou o Dan vierem cá eles querem ver todos a trabalhar tão afincadamente como eles“, referindo ainda que “Foi colocado de sobreaviso numa altura em que teve de faltar devido a gripe“.



Toda esta situação causou polémica nos fóruns de discussão e tem mesmo dado origem a diversos artigos, e o Kotaku, como se pode ver na resposta ao Twitter quer mesmo escrever um artigo sobre as condições de trabalho na Rockstar! O facto é que, 100 horas por semana, sejam as pessoas bem remuneradas ou não, não deixa de ser uma situação inaceitável pois tal representa uma média de 14,28 horas por dia, sem sequer ter pausas de fim de semana. E se ponderarmos a possibilidade de um dia de pausa por semana, temos 16.66 horas por dia, o que não permite um tempo útil sequer para comer e dormir. É uma situação que, mesmo que feita por livre iniciativa, não deixa de ser ilegal e inumana, e como tal muitas pessoas tem vindo a referir que tal é inaceitável e que não irão comprar o jogo por o mesmo ser fruto de algo que só pode ser comparado a “escravatura”.

100 horas por semana é efectivamente uma intromissão inaceitável não só na vida das pessoa, como de todos os que o rodeiam. Pouco interessa se a pessoa o faz sem ser obrigada, se lhe pagam bem ou pagam mal, nada torna tal situação verdadeiramente aceitável, apenas lhe criando atenuantes.

Por esse motivo, as referências a “escravatura”, “cancro”, “destruição de vidas”, e várias referências à recusa de suportar produtos de uma empresa assim, são algo comuns. Diga-se que a situação devia mesmo levar a uma investigação das entidades para as condições de trabalho.

Tal não irá no entanto impedir que Red Dead Redemption 2 seja um sucesso, e de ter vendas astronómicas. Isso é uma realidade! Poucos serão aqueles que se irão privar de jogar um jogo com a qualidade que é expectável ali, mas o certo é que esta história toca numa imagem de perfeição da Rockstar que existia! E era escusado pois se há empresa que tem meios para evitar estas situações, é a Rockstar,

 



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