Gran Turismo VR é uma oportunidade perdida

O suporte VR de Gran Turismo Sport é apenas um extra. Mas mostra que ali havia potencial para algo que poderia ser muito superior.

Gran Turismo tem suporte VR. Mas no entanto o suporte não se estende à totalidade do jogo, mas apenas a uma parte limitada. No entanto apesar de limitada, esta secção poderia ser algo de fantástico e único, mas não é isso que acontece, e o que ali está acaba por ser um mero extra do jogo.

Infelizmente o que está presente no modo VR é algo limitado quer em conteúdo, quer em potencialidades, e vendo o que GTS é, e o que a componente VR é, o que salta à vista é que esta foi desperdiçada pois tinha capacidades para ser algo de realmente fantástico, único e inovador.

O que está presente está bom… muito bom… mas muito limitado quer em conteúdo, quer em diversidade. É sem dúvida uma oportunidade perdida naquilo que poderia ser o melhor jogo VR alguma vez criado, e um ponto forte de vendas. Mas não… aqui o que temos é um mero extra e muito pouco explorado.

Vamos descrever o existente:



Entrando no modo VR temos direito a duas opções, uma corrida VR e o Stand Virtual. E apesar de ser pouco, não é por aqui que o jogo peca, pois ambas as opções poderiam ser fantásticas.

A tentação é irmos logo para segunda opção, a do Stand Virtual, na perspectiva de podermos ver os supercarros com uma atenção que nunca vimos e tirando partido das excelentes modelações.

Mal entramos começamos por escolher um carro de uma lista e a respectiva cor, sendo que logo depois surge a parte mais esperada: o carro é colocado à nossa frente em realidade virtual para o podermos ver.

Infelizmente, e apesar de podermos andar à volta do carro, não podemos abrir as portas ou o capot/mala. Não há ali muito que ver, excepto o exterior, e a altura da câmara relativamente baixa impede que, mesmo encostados às portas, seja possível espreitar para baixo pelos vidros para ver o interior.

Face ao que vemos nos Stands de Forza Motorsports, onde podemos abrir as portas, o capot e a mala, e entrar e sair do carro, isto é uma clara oportunidade perdida. O VR, mesmo com as suas limitações gráficas, é claramente superior no efeito de mostrar o carro como real, face ao que se consegue numa TV, e este modo stand poderia ser algo único! Mas não o é! É uma mera curiosidade existente no jogo, e onde a única interacção que temos com o carro é o podermos acender os faróis.

Passando à corrida com mais pena ficamos de o modo anterior não permitir abrir o veiculo. Aqui estamos no interior, e podemos observar aquilo que não nos foi dado a ver no modo stand, a modelação dos interiores, e todos os painéis plenamente funcionais.



Se é possível ter-se no jogo os interiores, junto com os cenários, outro carro visto do exterior, efeitos de luz e outros, tudo a mais de 60 fps, porque motivo no modo stand, onde o carro está num cenário negro sob um foco de luz, ou seja, algo bastante mais simplificado, e onde os fotogramas são mais fáceis de se obter, não podemos aceder ao interior?

O que acontece é que quando entramos na corrida, após a escolha do carro e da pista, a primeira reacção é nem correr, e admirar a qualidade das modelações. Mesmo com a menor resolução do VR o grafismo é de elevada qualidade e talvez mesmo o melhor que já vimos neste tipo de jogos, e ver os interiores finamente modelados é realmente um assombro.

A questão é… estamos no modo corrida! E temos de ignorar o interior para olharmos para a estrada!

Infelizmente, mais uma vez, o modo corrida é igualmente limitado pois apenas podemos correr em duelos 1vs1, e contra um carro gerido pela IA. A opção 1vs1 contra outro piloto com VR não está presente. E essa é mais uma oportunidade perdida numa componente que se tivesse o 1vs1 online seria um dos pontos fortes do jogo. Duelos de corridas automóveis 1v1 em VR, é algo pelo qual eu compraria um jogo para isso, e mais o faria se esse jogo fosse Gran Turismo!

Quem sabe num futuro patch não possamos vir a ter isso?…

Mas mesmo assim a corrida em VR está fantástica. O grafismo é dos melhores que já vi no VR e a forma como olhamos livremente para o lado, para trás, para os retrovisores, de forma a ver onde está o outro carro, sendo ofuscados pelos reflexo dos seus farois no retrovisor é super realista. E ponto forte, ao contrário de Driveclub VR é que não só grafismo é muito superior, como não enjoa.

Diga-se que Driveclub VR foi o único jogo VR até hoje que me deixou com tremendas náuseas. Andei horas a recuperar e quase “virava o barco”! Já GT Sports foi jogado logo depois do jantar (até estava com medo), e no entanto a sensação foi perfeita. Nada de enjoos, e consegui desfrutar completamente do jogo e da liberdade dada por ele.

No global o modo VR é bem vindo, mas como referido, cremos que poderia ter sido bem melhor explorado, e com um modo duelo online 1vs1 poderia mesmo ser um dos pontos fortes do jogo, e algo único que destacava este jogo de tudo o que existe. Acrestassemos a isso um modo Stand Virtual mais completo e o modo VR seria só por si interesse suficiente para a compra do jogo.

Como está é um mero ponto de interesse adicional no jogo.

 



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