Grupo não lucrativo quer colocar 4 humanos em Marte… para sempre.

Um grupo não lucrativo quer mandar quatro humanos para Marte. A questão é que o bilhete é só de ida.

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Tal como na era das colonizações a Mars One, um grupo não lucrativo quer mandar 4 humanos para Marte de forma a iniciarem uma colónia auto sustentável e a colonização do planeta.

Assim, até 31 de Agosto estão a ser recolhidas candidaturas de pessoas que estejam dispostas a partir para Marte… E a ficar lá até à sua morte.

É que o plano não é trazer as pessoas de volta. A ideia é que a/as nave/naves com 4 astronautas a bordo aterre/aterremm em Marte em 2023. E a cada 2 anos o grupo será aumentado de mais 2 homens e 2 mulheres. A viagem em si demorará 7 meses, e os primeiros colonos irão construir habitações, cultivar jardins para alimentação e realizar experiências científicas. Eventualmente poderão procriar, e no final morrerão em Marte.



A Mars One refere a missão como sendo algo para o Mundo. A missão será transmitida para a TV e para a Web de forma a angariar patrocinadores e dinheiros adicionais para se auto-sustentar (Nota da redacção: – Big Brother in Space? Se sim já falaram com a TVI?)

Actualmente já há três candidatos: Alexander, um estudante de engenharia biomédica Russo com 26 anos,  Ilona, uma Finlandesa de 23 anos, e Stephen, um Alemão de 44 anos, casado, pai de três filhos e instrutor de voo que se define como um fanático pelo espaço.

Apesar de actualmente só existirem 3 candidatos, a Mars One espera obter pelo menos um milhão de candidaturas. Estes serão submetidos a entrevistas e exames, mas a decisão final será feita online e pela TV onde o público escolherá o seu candidato favorito.

Até 2023 os seleccionados terão 7 anos de treino que incluirão períodos de isolamento de 3 meses para simular as condições de Marte. Terão formação em medicina geral e dentária, biologia e arqueologia. Tudo isto com um único objectivo. Sobreviver em Marte. Os candidatos terão de aprender a viver com outros e os seus defeitos em espaços confinados uma vez que a decisão é para a vida.



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Apesar de ainda haver muito mais para dizer sobre a possível missão, cremos que o básico já está dito. A ideia é mandar 4 pessoas a cada dois anos para Marte e esperar que as mesmas sobrevivam e procriem colonizando o planeta.

E se até aí isso nos faz lembrar o espírito pioneiro dos nossos antepassados, algo nos soa a estranho aqui: O facto de se meter a televisão à mistura com o argumento de angariar fundos.

De facto foi impossível durante a escrita desta notícia não nos vir à ideia que o que efectivamente esta empresa pretende é a criação de um programa de televisão de alto orçamento estilo “survivor” mas passado em Marte, e no qual, sob o argumento de colonização e benefício do futuro da Humanidade, mandar 4 pessoas a cada 2 anos para uma viagem de apenas ida, e onde os escolhidos, para além de lutar diariamente com adversidades incontroláveis e sobreviver sem a possibilidade de qualquer ajuda, terão inclusive de morrer no nesse planeta. Naturalmente com um programa destes, as televisões estilo TVI que anseiam por este tipo de coisas, lutarão por conseguir exclusivos. Algo cuja ética se questiona.

Afinal o que se ganha com tudo isto? E quem garante que a empresa se conseguirá auto-financiar para manter as pessoas em Marte e aguentar as elevadas despesas previstas? Que garantias tem as pessoas de resgate em caso de a empresa entrar em insolvência? São questões que colocamos.

E a vocês o que vos parece tudo isto?




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