Ago 312010
 

Faz agora 2 anos, foi lançado o iPhone 3G. No entanto, apesar de todo o burburinho gerado em torno do aparelho, uma análise crua e dura à realidade das coisas levaram a que optasse pela compra de um Nokia N95 8GB.

Os motivos da minha escolha tornaram-se bem explícitos neste artigo. No entanto, ao longo dos tempos apercebi-me de determinados erros na avaliação dos telefones, e que na altura não era possível julgar.

E do que me refiro? Da qualidade, quantidade e diversidade do software.

Se é uma realidade que a Nokia a nível de hardware possui telefones capazes de competir com qualquer iPhone, o mesmo não se pode dizer a nível do seu software.

O Symbian é um sistema operativo antigo, remodelado é verdade, mas que está ainda longe de ser tão eficaz, sensível ao toque e possuir as performances do OS do iPhone. O mesmo se passa com as aplicações que, infelizmente, para maior compatibilidade com grande número de modelos, são niveladas por baixo.

Menus Symbian 9.3

Iphone Os4

Após ter tido durante dois anos o meu N95 que a nível de hardware era inclusive superior ao iPhone 3G, registo que não consegui nunca aplicações em quantidade que tirassem partido do mesmo. A placa 3D em particular foi completamente esquecida, e o lançamento do N96 acabou com todas as hipóteses de suporte dado que este telefone se revelou inferior nas suas capacidades ao N95 ao remover a placa aceleradora 3D que apenas o N900 voltou a usar.

Ao longo deste tempo vi-me assim reduzido a pequenos jogos java, com um grafismo eficaz, mas longe das capacidades reais do telefone, capaz de igualar o iPhone por possuir exactamente a mesma placa gráfica.

Need for Speed Undercover – Nokia N95 – Sem uso da placa 3D

Need for Speed Undercover – Iphone – Com uso da placa 3D

Já no tocante às aplicações, o problema foi outro. Boas performances e capazes, mas algumas possuíam problemas de incompatibilidades, e acima de tudo, a variedade não era grande, mesmo estando disposto a pagar por ela.

O que me apercebi foi que a variedade e quantidade de software disponível para os Nokia não cresceu. Pelo contrário, vi decrescer a quantidade de software lançado regularmente. Os softwares que ocupavam páginas e páginas de revistas deixaram de ser específicos para Nokia passando a ser apenas versões multi-plataforma Java que nada tiravam partido das especificações dos telefones. Mesmo o N-Gage, o grande trunfo da Nokia e onde melhor se explorava as potencialidades da máquina acabou por ser descontinuado.

O touch screen, uma característica que dispensei inicialmente, começou igualmente a revelar?se cada vez mais um factor de facilidade de uso, e apesar de vários Nokia terem sido lançados usando este sistema, a realidade é que deixavam muito a desejar.

Menus mal estruturados, não pensados para a dimensão de um dedo, fraca sensibilidade ao toque e muitas outras situações eram um off na maior parte dos Nokia touchscreen.

Nokia 5800 – Lento e pouco sensível ao toque.

O N900 da Nokia é, na minha opinião, o melhor telefone que a Nokia actualmente possui, e o único que possui acelerações 3D capazes. É contudo gerido por um OS que já possui durante vários anos no meu N800, o Maemo, e que não posso recomendar.

Apesar de lhe reconhecer capacidades e potencialidades, a quantidade de software disponível é reduzida, e a sua "compatibilidade" com o Linux, um suposto ponto forte, acaba por ser a sua maior maldição.

Mas e porque? A realidade é que a compatibilidade (até certo ponto) com o Linux ao invés de simplificar a criação de software leva às tentativas de conversão de softwares que nunca foram concebidos para telefone, acabando-se com produtos funcionais, mas algo lentos e com uma ergonomia que deixa muito a desejar.

A alternativa viável actualmente é os Android. Mas mesmo essa plataforma da Google que tanto promete parece condenada caso não tome um rumo mais concreto.

A variedade de versões do sistema operativo, todas elas com requisitos de hardware diferentes e limitações variadas tornam a situação de escolha algo caótica. E a realidade é que mesmo os sistemas topo de gama não podem garantir actualizações futuras dado que já se fala que as novas versões irão requerer hardware superior.

Para alem do mais, ao contrário dos iPhones e porque não mesmo dos Nokia onde a qualidade é um padrão que sabemos existir, nos Android temos construtores variados e telefones com as mais diversas qualidades de construção. Há os bons, há os maus, há os lentos, há os rápidos e torna-se difícil escolher.

A realidade é que o iPhone não era o telefone para mim, e um Android topo de gama como o Nexus One parecia ser a opção mais adequada. Isto até ao lançamento do iPhone 4.

Google Nexus One

Os pontos dos quais eu me queixava no iPhone, como a fraca câmara, ausência de flash e pouca resolução vídeo, desapareceram. A câmara possui agora flash, 5 MegaPixels de resolução e é capaz de filmar a 720p. Mas acima de tudo faz tudo isto com uma qualidade invejável.

É uma r
ealidade que já há câmaras de 12 Mpixels em telemóveis, mas a questão é: para que?

Quem possui um ecrã que consiga visualizar uma imagem de 5 Mpixels na sua total resolução?

E mesmo para imprimir, quando se sabe que 1.3 Mpixels é o necessário para a qualidade máxima no tradicional formato 10:15, para que queremos mais? Impressões de larga escala? E tira-se fotos dessas com telemóveis?

Mas o ponto forte do iPhone 4 é o seu ecrã retina. A resolução de 640*940 é algo de fabuloso, batendo tudo o que actualmente existe e que no máximo atingia os 800*480.

Ecrã do Nexus One – Gradiante

Ecrã iPhone 3GS – Gradiante

Iphone 3GS na esquerda, Iphone 4 na direita – Diferença de resolução

A Apple afirma que 326 pixeis por polegada é o máximo que a retina humana consegue distinguir, e foi esta densidade de pixeis que ditaram a resolução final dadas as dimensões do ecrã e a distancia ideal de visionamento. E a realidade é que se a Apple está enganada, não anda muito longe da verdade, pois o ecrã do telefone é pura e simplesmente fenomenal, e incomparável com o que a concorrência tem para oferecer.

Mas no iPhone nem tudo são peras doces. Há queixas e não são poucas!

Apesar de bastante alterado o OS do iPhone 4 ainda apresente limitações. A mais ridícula tem a ver com os ringtones e a sua duração máxima de 30s. Uma imposição do milénio passado e quase vergonhosa, não fosse a possibilidade de se dar a volta a isso usando alguns pequenos truques.

E depois vem o iTunes. Trabalho com computadores desde 1977, e acho que nunca vi um programa que detestasse tanto como o iTunes. Para além de nada intuitivo, o iTunes não é lógico! Como é possível que após fazer o backup do telefone, ao tentar sincronizar com a minha pasta de imagens no computador ele se proponha a desinstalar-me tudo o que tenho instalado?

É que podem dizer o que quiserem, mas programas manhosos eu detesto, e ou eles funcionam bem à primeira e são intuitivos ou tenho de os intitular como uma grande porcaria. O iTunes cai nessa definição, e o que me vale é que há alternativas bem melhores.

Seja como for, é inegável, o iPhone 4 é o melhor telefone que já tive, e sua simplicidade de uso é abismal. A qualidade da navegação na internet é incomparável com a experiência obtida no meu antigo Nokia, apesar de o browser possuir a mesma base e o Nokia suportar Flash.

Tendo já experimentado Nokias com ecrã touch, é minha firme opinião que apenas um bom Android consegue mostrar uma qualidade de navegação semelhante à do iPhone.

Mas depois há ainda a performance 3D. Se o processador do iPhone 4 tem velocidade desconhecida, sabendo-se apenas que é em média 30% mais rápido que o do iPhone 3GS em processamento standard, e que corria a 600 Mhz (412 Mhz no iPhone 3G), os Android topo de gama estão equipados com um processador  SnapDragon a 1 Ghz.

Mas apesar desta diferença colossal de Mhz há um ponto a favor do iPhone, a sua placa Power Vr (que foi melhorada igualmente no iPhone 4, aumentando as performances 3D relativamente ao 3GS, apesar de lidar com uma resolução 4x superior à oferecida por esse modelo anterior). Os Android não possuem uma placa 3D, apesar de se afirmar que o Snapdragon é capaz de algumas acelerações. Mas a realidade é que testes efectuados (http://arstechnica.com/apple/news/2010/02/iphone-hardware-and-os-beat-nexus-one-for-3d-performance.ars) demonstram que mesmo o iPhone 3GS chega a ser 33% mais rápido que um Nexus One em processamento 3D.

Não hajam dúvidas que o iPhone 4 é o equipamento mais completo actualmente no mercado, quer a nível de performance, quer a nível da quantidade e qualidade do seu software.

As ameaças para já são da parte dos Androids, que nos seus equipamentos mais baratos oferecem alternativas capazes e que conseguirão certamente grandes fatias de mercado. Já a Nokia tem as suas esperanças no X8, que sinceramente acho que tem de comer muita sopa se quiser vir a sobreviver, pois as políticas da Nokia tem deixado muito a desejar.

Publicidade

  5 Responses to “Iphone 4 – primeiras impressões”

Comments (5)
  1. Mário e quanto à principal função para a qual foi concebido? É que se tem ouvido “rumores” que tem graves problemas com a antena…

    É que de repente corre-se o risco de se comprar um telemóvel tipo “canivete suíço” que só não faz ou recebe chamadas….

  2. Eu não falei sobre isso porque acho que é cedo ainda para me pronunciar.
    De qualquer maneira há uma coisa que é uma realidade. O iPhone é um telefone mediático, talvez mesmo o único do mercado nessas condições.
    Diz-me lá quantos telefones conheces que tinham 500 pessoas à 1 da manhã para o levantar e que em Lisboa até se atropelaram numa praia para encontrar as maças que davam direito a um de graça?

    Ora ao ser mediático tudo que lhe diga respeito é elevado ao extremo! Não sei se viste o artigo que meti aqui sobre o iPhone ser um bom aparelho mas um mau telefone. É que ele prova duas coisas.
    1º – O iPhone não é dos melhores telefones e isso confirmo-te desde já, pois a nível de captação e de qualidade das chamadas fica atrás do que estava habituado com o meu N95.
    2º – O iPhone 4 é cerca de 40% melhor a captar sinal do que o 3GS.

    Ora por aqui vês que a polémica da má captação de sinal devia ter sido levantada com o 3GS e o 3G e tal nunca aconteceu, pois esses sim são deveras fracos na captação. A critica era unânime que o 3G e o 3GS eram o melhor telefone do mundo (cada qual na sua época).

    Se viste o telejornal do canal 1 no dia 28 de Agosto deves ter
    visto um gajo da RTP que testou um 3GS e um 4, a afirmar que o problema foi tremendamente exagerado.

    Ora a situação que veio a lume tem a ver com o facto de ao colocares os dedos em determinada zona do chassis o sinal descer até ao ponto de poder desaparecer completamente. E este problema existe! É real! Não fosse o caso, e a Apple não o reconhecia.

    O Steve Jobs teve uma frase aparentemente ridícula – “Segurem o telefone de outra forma” – mas a realidade é que não é tão estúpida como isso. Pegar no telefone à “padeiro” realmente coloca problemas, mas isso é como pegares no garfo com a mão fechada. Infelizmente há quem o faça!
    Da mesma forma que um garfo se segura com apenas 3 dedos, o iphone deve ser segurado com o polegar do lado esquerdo, e a barriga da mão deverá ficar apoiada nas costas do telefone (os restantes dedos colocas como te der mais jeito, sendo que eu coloco o indicador por cima). Agora se pegares com a mão toda, realmente cortas-lhe o sinal e o problema existe. Se não o fizeres, não existe!

    Vê a imagem aqui: http://www.pcmanias.com/wp-content/uploads/2010/09/correct-way-to-hold-iphone-4.jpg

  3. Não é verdade q as variadas versões do Android tenham “requisitos de hardware diferentes”. O meu HTC Magic, o 2º Android a sair para o mercado, e o 1º em Portugal, saiu com a versão 1.5. Ainda é essa versão q tenho instalada, e oficialmente ainda não há melhor. Fala-se que lá mais para o final do ano a HTC talvez lance uma actualização para 2.2. Mas com os firmwares não oficiais (cyanogenmod) já é possível há meses meter Android 2.2 no meu Magic. Esta é a versão mais recente do Android, e funciona no Magic. E o q dizem é q fica mais rápido, principalmente a nível do browser onde houve grandes melhorias.

    Por isso “requisitos de hardware diferentes” (ainda) não há. O Android 3.0 é q vai ter. Dos q estão no mercado provavelmente só o Samsung Galaxy S, o actual “menino querido”, é que suportará a versão 3.0.

    O que é chato porém é o arrastar dos pés das marcas para lançarem versões actualizadas para os telemóveis já vendidos, principalmente os mais antigos. O Optimus Boston e outros Android “low cost”, com especificações praticamente iguais ou piores q o Magic, já têm a versão 2.2 disponível. Quem pagou 450€ por um HTC Magic há 1 ano atrás (eu felizmente tive 50€ de desconto), continua à espera. E sem recorrer às actualizações não-oficiais vê-se impossibilitado de instalar muitas aplicações mais recentes. Por exemplo, a navegação GPS com o Google Maps não funciona no 1.5. É pena a Google não forçar de alguma forma as marcas a dar melhor suporte. O Nexus One parece-me q foi uma tentativa de o fazer, ao colocar no mercado um telemóvel com actualizações “garantidas” pela Google. A HTC ainda não acordou, mas todas as outras marcas estão a fazer actualizações para 2.2. Eu é q ainda não tive paciência para ver como se instala o cyanogenmod…

    Nisso a Apple leva vantagem. O iPhone 3G q já tem 2 anos teve a actualização para o iOS 4, embora com multitasking desligado. Só o iPhone original é q não teve. O acesso a aplicações pagas na App Store a nível mundial é outra vantagem. No Market do Android só há aplicações pagas em meia-dúzia de países, não se percebe bem porquê, ou por que demoram tanto a alargar a mais. É preciso andar com donativos e meios alternativos de pagamento para se comprar uma aplicação paga. Ora bolas! Torna-se (muito) mais fácil recorrer à pirataria. Assim vai ser difícil alcançar (em quantidade e qualidade) as aplicações disponíveis para o iPhone. Os sistemas para suportar aplicações com publicidade existem à mais tempo q no iPhone, e são uma grande alternativa à venda directa de aplicações, mas não chega.

  4. Uma correcção. É possível há meses meter no Magic o Android 2.1. O 2.2 a Google só lançou em open-source em Julho, e a versão cyanogen anda em beta desde então. Chegou à versão “final” à dias.

  5. Nelson… ainda bem que esclareceste essa situação sobre a situação actual do Android e respectivos requisitos de hardware. Mas a situação quer se queira quer não é a seguinte:

    A versão do OS é adaptada à realidade do telefone. Telefones mais fracos levam com versões mais antigas, o que não quer dizer que não possam sofrer actualizações e mesmo ganhar em performance.

    No entanto há a perspectiva dos developers. Hardware com capacidades diferentes só pode levar a uma de duas situações:

    1 – Nivelar por baixo;
    2 – Partir do principio que as versões mais recentes do Android possuem igualmente telefones mais capazes.

    Quer uma hipótese quer a outra criam problemas. No primeira caso vamos cair no universo caótico dos Nokia onde não se tira partido das capacidades dos telefones melhores devido à compatibilidade com os outros.
    No segundo caso iremos ver telefones com OS melhorados a arrastarem-se para conseguirem correr determinadas aplicações que não lhes ficam vedadas por serem compatíveis com o OS que usam.

 Leave a Reply

(Obrigatório)

(Obrigatório)


*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>