iPhone 6S mais rápido que Galaxy S8? Claro que não!

Apareceu recentemente um video teste que mostra um iPhone 6S a bater um Samsung Galaxy S8 em cargas de apps diversas. Mas será que efectivamente o iPhone 6S é mais rápido que o Galaxy S8? Claro que não!

Naturalmente uma notícia de que um burro bateu um Ferrari numa corrida é sempre motivo de diálogo. Mas naturalmente isto seria efectivamente notícia se as condições da corrida fossem iguais para ambos. Agora o burro ir por o passeio e o carro ir pela estrada em hora de ponta, num percurso de algumas centenas de metros, não é exactamente uma igualdade. Aí não é o burro que bate o Ferrari, são as condições do percurso colocado ao burro que batem as condições colocadas ao Ferrari.

Infelizmente na internet gosta-se muito de tentar demonstrar aquilo que não é verdade. E porque? Porque dá visualizações! Colocar uma notícia de Burro bate Ferrari vai levar as pessoas a ler na esperança de se ter um burro com um jacto colocado na sua traseira…

Isso foi o que aconteceu recentemente com um video muito publicitado onde um youtuber mostra um video de um iPhone a 6S a bater um Galaxy S8 na carga de várias aplicações.

Vamos ver o vídeo em causa!



É fatual que o iPhone 6S bate o Galaxy S6… Assim como será factual que um burro a percorrer 500 metros num passeio livre possa bater um Ferrari na estrada em hora de ponta. Mas isso não torna o burro mais rápido que o Ferrari… nem aqui… nem na china!

Mas em que falha este teste?

Já o dissemos várias vezes que estes testes de cargas são a coisa mais idiota que pode existir. E isto porque a dimensão dos ficheiros que constituem as aplicações em ambos os smartphones não são iguais. Isso quer dizer que no que toca a transferências RAM a velocidade não é a única coisa que conta, e uma memória a metade da velocidade da outra iguala a mais rápida se o ficheiro que tiver de transferir tiver metade do tamanho.

Infelizmente a coisa é bem mais complexa do que isso. É que as aplicações Android são mais pequenas, o que poderia garantir uma vantagem no caso de uso de memórias mais lentas. Mas na realidade não o garante porque o conteúdo ali contído naquele ficheiro mais pequeno é exactamente o mesmo que no ficheiro maior. E o que é que isso quer dizer? Que muitas das aplicação Android, devido à maior diversidade de aparelhos com uma grande variedade de capacidades de armazenamento, optam por comprimir a aplicação, descomprimindo-a na memória em tempo real, de forma a poupar espaço no smartphone.

E isto obriga as leituras a pararem para ir existindo uma descompactação em tempo real que usa CPU, forçando a que no final o tempo necessário para a abertura do ficheiro dependa de muito mais do que a mera performance da RAM. Aliás, mesmo que o iPhone tambem possua compactação parcial, a taxa de compressão é bem menor, usando menos CPU e como tal os resultados finais serão mais próximos da capacidade de transferência da RAM.



E porque motivo isto acontece? Porque o mercado Android é muito menos standarizado do que o mercado iOS, e se atualmente no mercado iOS 32 GB é o minimo de capacidade que encontramos, no Android telefones baratos com 4 GB de armazenamento mas perfeitamente capazes de correrem os jogos, existem em grande quantidade. E há que se alcançar o máximo de mercado possível.

Vendo o video percebem que nas aplicações de pequena dimensão o S8 começa a ganhar uma margem enorme face ao iPhone 6S, mas no entanto começa a ficar para trás quando se chega aos jogos. Neste caso Subway Surfer, Flip Diving, Crossy Road, e Bullet Force!

Vamos ver as dimensões destas aplicações em ambos os aparelhos:

Subway Surfer

Android – 57.71 Megas
iOS – 156 Megas

Basicamente, onde o iOS se limita a carregar para a RAM, o Android está a descomprimir ficheiros em tempo real.

Flip Diving

Android – Varia com o aparelho (descompressão dinâmica)
iOS – 190 Megas

Crossy Road

Android – 53.71 Megas
iOS – 165 Megas

Bullet Force

Android – 228.8 Megas
iOS – 501 Megas

Ora nesta comparação entre o burro e o Ferrari é fácil de ver quem se pretende que seja o burro… Todos aqueles que veem e acreditam no que estão a ver! Omitindo uma realidade como a que expomos, isto é claramente um enganar do pacóvio!

Uma comparação só pode comparar batatas com batatas e laranjas com laranjas… Este tipo de coisa pode, quando muito medir a velocidade de usabilidade do aparelho ou de carga de aplicações, mas isto não mede a performance do smartphone. Mas caso se pretende, mesmo assim, fazer este tipo de comparação então há igualmente que se dizer que o iPhone requer muito mais espaço de armazenamento para se guardar a mesma coisa (pelos exemplos deste teste será mais do dobro). Só dessa forma a comparação é correcta! Ou seja o iPhone 6S ganha este teste particular, revelando-se mais rápido a carregar 20 aplicações seguidas. em compensação o telefone requer  mais do dobro do espaço de armazenamento do Android. E agora sim, com tudo dito, o teste está correcto!



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Readers Comments (4)

  1. Eu não sou fã de produtos samsung, mas a 2 semanas atrás eu fui no shopping pegar um livo na saraiva e lá estava esse bendito S8. Pelo pouco que eu pude mexer nele fiquei encantado….. Mas depois eu voltei a realidade quando vi o preço kkkkkkkkkkk

  2. Não percebi nada deste artigo, os fichiros android são mais pequenos porque estão comprimidos, o que deveria fazer com que o android fosse mais rápido, carregar ficheiros comprimidos e depois descompactar já desde o pentium 3 que é mais rápido que carregar o ficheiros originais, ou seja desde que o tempo em que os CPU descomprimem mais rápido do que a largura de banda da transferência do ficheiro que compensa ter os ficheiros comprimidos. o apple 6s é de facto mais rápido a carregar os ficheiros, e com o mínimo de 32 GB o facto dos ficheiros não serem comprimidos também não é assim tão problemático, o galaxy para ser mais lento e ainda por cima com a vantagem de carregar para a memória ficheiros com metade do tamanho deve estar bem atrofiado em algum ponto: memória lenta, CPU lenta ou softwre de descompressão da idade da pedra, a comparação não me parece lá grande coisa, pois eu acho que o burro é que vai pela estrada engarrafada e o ferrari pelo passeio livre de obstáculos…digo eu

    • Comecemos pelo burro:
      A corrida entre o burro e o Ferrari foi algo que chegou a ser promovido aqui em Portugal. Na altura a cidade, neste caso Lisboa,estava tão cheia de obras que a circulação automóvel quase não era possível. E nesse sentido para ridicularizar a coisa foi promovida uma corrida entre um burro e um Ferrari que o burro, já se sabia á partida, venceria por larga margem pois conseguia circular onde o Ferrari parararia no trânsito.
      Não fosse assim, qual a lógica de uma corrida entre um burro e um Ferrari? Achas que o burro alguma vez venceria o Ferrari numa corrida de igual para igual? A tua resposta deixa-me na dúvida sobre a tua lógica na corrida do burro contra um Ferrari, especialmente quando referes que querias meter o Ferrari na estrada livre. Naturalmente que o que estava em causa era a aparente vantagem para o Ferrari que na realidade não existia. Exactamente o que se toca no artigo!

      Mas passemos ao que interessa.
      Quanto ao que dizes sobre a largura de banda da RAM ser superior à velocidade de transferência… é verdade! E a dúvida parece coerente!
      Mas a comparação com o P3 diga-se que é desatualizada. Um disco rígido não tem, nem de perto, nem de longe a capacidade de leitura de uma memória Flash. E bastaria meteres um SSD num P3 e o que dizes já não seria exactamente a mesma coisa!

      Mas apesar da tua razão, se achas que a coisa é assim tão simples, então faço-te uma pergunta: Porque motivo os programas da Apple não fazem o mesmo? Porque motivo a Apple obriga os seus utilizadores a gastar mais espaço nos seus telefone? Nesta proporção vista no artigo, onde a compressão no Android é superior ao dobro da Apple, um smartphone Apple com 32 GB colocará lá o equivalente ao que um aparelho Android coloca em 16 GB.
      Porque será? Má vontade contra os utilizadores o obrigando-os a gastar o dobro?

      Na realidade o que tu dizes seria lógico e coerente se a descompressão fosse na memória RAM, ficasse na memória RAM e se mantivesse na memória RAM (como num jpeg ou MP3). Mas não é esse o conceito de descompressão/compressão que está em causa!
      Aqui falamos de uma compressão ao conjunto de ficheiros, um pouco como faz um rar e não a compressão de dados que te referes. Porque essa existe dos dois lados.

      Experimenta usar um pequeno software que te analise as caches/ficheiros temporários criados por estes programas à medida do necessário.
      Vais ver que a descompressão ocorre criando ficheiros temporários… e isso obriga a 3 coisas. Leitura da memória de armazenamento, descompressão na memória RAM, e escrita na memória de armazenamento.

      Nos telefones Apple, isto ocorre menos. Pura e simplesmente porque não há necessidade. O aumento dos ficheiros é o preço a pagar é mais espaço em troco de mais performance, mas como há uma uniformidade maior de especificações, há uma optimização. Que neste caso tem um custo, mas que no global compensa (E a nível empresarial a performance é algo que vende telefones, o real espaço ocupado pelas aplicações é algo que não se fala normalmente).
      Pelas vantagens globais este é um custo pelo qual os programadores Android também optariam por ter não fosse a necessidade de compactar por causa dos smartphones mais baratos e com menor capacidade de armazenamento, que possuem no entanto SOCs perfeitamente capazes. Alargar os ficheiros diminuiria o mercado!

      Mas aqui é acima de tudo quando mete a escrita que se mata tudo. Nos telefones em causa a leitura da memória de armazenamento até podia ser mais rápida no S8 do que no iPhone. A descompressão para a RAM até pode ser mais rápida que a restante leitura adicional de dados do iPhone (se bem que o uso do CPU na descompressão tambem o ocupa). Mas quando tens de guardar os ficheiros descomprimidos na memória de armazenamento para uso posterior… a porca torce o rabo. Esta é uma operação dezenas de vezes mais lenta que tudo o resto. Corre um Benchmark que teste isso e vês.

      Basicamente no iPhone lês… e usas. No Android lês, descomprimes, e gravas o temporáriamente descomprimido e só depois é que usas. (A descompressão tambem pode existir no iOS mas em menor intensidade)

      Pelo simples facto de haver diferenças (mesmo que a vantagem fosse do lado do S8), comparar uma situação com a outra é comparar, quando muito a velocidade de usabilidade dos aparelhos… mas não a real velocidade dos aparelhos. E é isso que o artigo tenta mostrar. E dessa forma explicar o que acontece no video!
      Para um comparativo de velocidades reais usas um benchmark que faça testes directos ao hardware, ou usas situações idênticas em algo. Como as coisas não são idênticas, isto é a história do Burro contra o Ferrari, onde o burro ganha… e um burro não é mais rápido que um Ferrari! Apenas ganha porque as condições não são as mesmas!

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