John Deere está a ver os seus tractores hackados pelos agricultores.

O conhecido fabricante de tratores John Deere está a ver os agricultores americanos a hackarem os tractores da marca. O motivo, os abusos por parte da marca cujo software dos tractores bloqueia os mesmos se estes forem reparados fora da marca, requerendo um pagamento para os desbloquear.

A legislação Norte Americana é muito complexa e dá por vezes azo a situações de abuso como a que vamos relatar.

Neste caso a empresa envolvida é a John Deere, o maior fabricante de tractores Norte Americanos, e que decidiu informatizar completamente os seus tratores. Até aí nada de mais, não fosse o facto de os tractores agora requerem que toda e qualquer manutenção seja feita na marca.

Na realidade não há qualquer situação que obrigue verdadeiramente a isso no que toca à componente mecânica, sendo que a restrição é completamente por software. Basicamente a marca quer o monopólio das reparações, e caso a mesma seja feita fora da marca o tractor detecta a nova peça e bloqueia-se, requerendo a deslocação de um técnico com um computador ao local que dá informações ao sistema para desbloquear o tractor e aceitar a peça. E claro, esta deslocação é paga e acaba por tornar a reparação fora da marca, por norma bem mais barata, num valor bem superior ao de se reparar o tractor na marca.

Sabendo de antemão deste abuso a John Deere acrescentou no contrato uma cláusula que impede os compradores dos tractores de os processar por prejuízos. Clausulas estas que nem sequer deveriam ser legalmente admitidas uma vez que se elas são criadas é porque há partida se percebe que há razões fora do normal que podem levar a essa situação.



Naturalmente os agricultores estão revoltados e pretendem levar a situação a tribunal. Os tractores foram pagos, são seus, e devem poder serem reparados onde quiserem e bem entendam. Até pelo próprio dono, caso este possua os conhecimentos de mecânica para tal.

Aqui o revoltante é que na prática os tractores não requerem sequer a presença deste tipo de software para o seu bom funcionamento, mas o mesmo agora existe e está a prejudicar os compradores dos mesmos. É um claro uso da tecnologia não para melhorar as características do produto, mas para se conseguir um monopólio de reparações, alegando que tal é feito para que o bom nome da marca não seja danificado por reparações mal feitas. Um argumento que até nem cola uma vez que a empresa até aceita as reparações fora desde que seja pago o desbloqueio posterior do tractor.



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Readers Comments (5)

  1. O ruim que isso é uma tendência que já ocorre há muitos anos.

    Soube que na Europa há um processo contra fabricantes de eletrônicos que embutem uma “data de morte” na firmware dos seus aparelhos, ou seja, se o aparelho atingir x horas de uso ele começa a apresentar um defeito, o brigando o consumidor a procurar a assistência.

    Infelizmente com os aparelhos cada vez mais informatizados estamos sujeitos a estes tipos de abudo.

    • Tive uma impressora que ao fim de alguns anos começou a apresentar um suposto problema, recusando-se a imprimir.
      Procurando pelo erro em questão, descobri que este era falso e que a impressora tinha no seu firmware uma data limite de uso, que a impedia de funcionar após essa data fornecendo esse erro. Após uma troca para um firmware alterado sem essa funcionalidade, a impressora retomou a impressão.E ainda hoje está funcional!

  2. E esses abusos são permitidos por lei?

    • Legalmente falando… Que abusos? Na prática a lei não vê aqui abuso nenhum. Há uma medida de um fabricante no sentido de garantir a qualidade do material e seu funcionamento.
      Agora o que isto cria é um monopólio e uma concorrência desleal, com lucros desmedidos.
      Mas por exemplo, tenho um conhecido que repara telemóveis, e certas marcas exigem que ele lhes pague para o deixarem reparar telefones da marca. Se não o fizer, elas ou não lhes fornecem peças, ou se o fizerem elas não são fornecidas com os logotipos da marca.
      O mercado está assim, e as marcas tentam obter o máximo de lucros. E a legislação atual não prevê combates a estas coisas pois isto é uma consequência dos tempos modernos.
      É preciso expor-se estas coisas e legislar. Até lá, legalmente as empresas alegam estar a gira na defesa da qualidade dos produtos que vendem e da imagem da marca.

      • De fato não sabia que o esquema funciona nesse nível. De fato tem um sentido os fabricantes fazerem isso para manter um nível de qualidade de seus produtos. Mas como você disse a real é para maximizar seus lucros. Acredito que com o tempo a legislação a respeito disso possa ser discutida.

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