Jornalista premiado, Paul Thurrott, acredita que divisão Xbox dá prejuizo

Paul Thurrott é um jornalista creditado e premiado, autor de 25 livros e um fanático da tecnologia e possuidor do website de tecnologia Thurrott. Ex funcionário da Microsoft, acredita que a divisão Xbox dá prejuizo.

Uma das realidades incontornáveis e que qualquer pessoa, mesmo sem formação na área consegue ver, prende-se com a forma nebulosa e pouco clara como a Microsoft tem vindo a apresentar os seus resultados.

Cada vez mais os valores são apresentados sem descrições pormenorizadas do que vem de onde, sem números de vendas ou lucros, mas apenas de receitas,  sem valores individuais de cada produto, e muitas, muitas outras situações, onde se misturam receitas de várias proveniências de forma a que as coisas não sejam claras.

Nesse sentido, fizemos até um artigo sobre esse assunto bem recentemente, onde referimos que há dados para se acreditar, sem que no entanto tal possa ser confirmado uma vez que os dados são obscuros e pouco claros, que a Microsoft continua a acrescentar as receitas das royalties Android aos resultados da Xbox, mascarando assim os reais valores da secção Gaming.

Mas esta suspeita não é apenas nossa pois a quantidade de pessoas que acham estranho tudo o que tem vindo a rodear os relatórios e contas da Microsoft é bastante grande, e nesse sentido, o conhecido e creditado analista e insider Paul Tuttot não só se junta a est ideia, como vai mais longe…



No seu website, Thurrott, Paul tem uma relação muito privilegiada com a Microsoft, da qual aliás já foi funcionário, escrevendo artigos diversos e análises a produtos beta e completos da Microsoft, tais como o  Microsoft Surface, Windows 8, Windows 10, Windows Phone, Microsoft Office e outros. E quando da apresentação do último relatório e contas da Microsoft, e onde Satya Nadella veio referir que “o negócio do gaming da Microsoft alcançava mais de 9 mil milhões de dólares”, Paul veio tecer os seguintes comentários sobre o assunto.

Especifique-se que as palavras de Thurrott dizem respeito à imagem passada por Nadella de que o negócio do gaming estava em crescimento e não aos valores em si, que se percebem de onde vem. Mas da a pouca clareza dos dados,  Paul Thurrott, comentou o seguinte:

Um dos pequenos e sujos segredos do negócio da Xbox/Gaming da Microsoft é que na realidade nunca deu lucro. Daí que fiquei curioso em ouvir o Senhor Nadella proferir essas palavras distorcidas no outro dia à noite: “O nosso negócio de gaming está agora em mais de $9 mil milhões e a crescer confortavelmente”. Então.. 9 milhões são receitas, e não lucros. Então crescer significa que as receitas estão a crescer. E crescer de forma lucrativa significa… o que? Que o negócio se está a “tornar lucrativo”? Ou apenas que as receitas estão a crescer de forma positiva? Foi isto um erro de palavras? O que ele quer dizer? Aqui está um palpite. Ele quer dizer que o uso e engajamento estão a crescer. Porque ISTO posso dizer com certeza: O negócio de gaming da Microsoft não dá lucros. De facto está a sofrer uma transformação digital de si próprio.

Diga-se que este não é o primeiro analista a referir situações estranhas, havendo mesmo quem preveja o falhanço futuro da Microsoft nesta área.

Note-se ainda que o nosso entendimento é que Thurrott quando fala em lucros do negócio de gaming está a falar no mesmo desde a sua criação, e não nos lucros pontuais, mas no entanto não podemos garantir tal.

Agora uma coisa é certa, efectivamente, e apesar dos valores referidos, Satya Nadella nunca referiu que a divisão Xbox dava lucro. As palavras exactas dele foram as seguintes:

Our gaming business now is more than $9 billion and growing profitably. The gaming world is growing faster than ever before from gameplay across multiple devices, to the explosive growth in streaming and eSports, to new subscription services and mixed reality scenarios…We launched…new services (Mixer and Xbox Game Pass) to broaden our reach and enrich our gaming experience, both of which are off to a very strong start.



Certamente, o que Thurrot refere encaixa-se nas palavras usadas. Pois certezas sobre lucros, algo bem diferente de receitas, realmente não há ali nenhumas!

A realidade é que não podemos esquecer que a Xbox original não teve uma grande implementação, e a Xbox 360 teve períodos muito maus onde aí sim, de forma clara, se sabia pelos relatórios e contas que a divisão dava prejuízos grandes. Algo que era coberto parcialmente pelas Royalties dos smartphones android, e onde convêm não esquecer os elevados prejuizos causados pelo RROD da consola nos primeiros anos de vida da consola.

Aliás basta consultar os relatórios e contas da Microsoft da altura, esses sim, perfeitamente claros, para se perceber que, de 2002 a 2010, a Microsoft teve 6 anos de prejuízos enormes.

Daí para a frente os relatórios começaram a ficar cada vez menos claros, ao ponto de atualmente serem quase obscuros na real percepção de dados. E apesar de aparentes valores positivos, eles nunca foram transparentes ao ponto de se perceber a total realidade da secção.

Afinal a Xbox One tambem não começou com o melhor pé, e a aposta em serviços TV e alterações a todo o planeamento e logistica preparada para consola com a remoção do DRM, remoção do Kinect, etc, etc, e a falha total da previsão de vendas onde a Microsoft planeava que se vendessem nesta geração mil milhões de consolas.

Há aliás quem refira que a Xbox One X é basicamente uma tentativa derradeira de uma divisão Xbox sob severa pressão de provar que é financeiramente capaz. Acredita-se que o seu custo de desenvolvimento não tenha sido verdadeiramente enorme, mas o ter basicamente zero jogos exclusivos para a suportar é visto como a prova de que o orçamento para a consola está extremamente limitado.



A nossa opinião

No que toca à perspectiva da PCManias, não vemos a coisa tão preta como Thurrott a vê. Isto apesar de reconhecermos muita razão nos seus argumentos e suspeitarmos da forma como a Microsoft tenta ser aberta, mas sempre encobrindo os pormenores e oferecendo números alternativos que pouco ou nada significam (como o número de utilizadores no live em vez de vendas de consolas e mera indicação de receitas em vez de lucros).

No entanto, apesar de, tal como muitos, estranharmos a falta de investimento em jogos exclusivos quando há uma consola para ser lançada, não vemos que a situação da divisão esteja forçosamente assim tão negra como a tentam pintar.

Reconhecemos no entanto, e já o dissemos, que o aumento de receitas que tem vindo a ser anunciado, sem ser acompanhado de um aumento de vendas ao mesmo nível é um crescimento artificial que não pode ser sustentado. Daí que a não revelação de dados de vendas seja motivo para se questionar a sustentabilidade a longo prazo deste tipo de lucros da divisão! No entanto daí a acreditar-se que a mesma dá prejuízos ou que está em risco ainda vai um passo considerável (apesar que é inegável que os relatórios e contas não permitem ver-se isto de forma clara, misturando várias fontes de receitas, e ocultando dados)!

Se no global a divisão está no vermelho ou no preto é uma conta que nunca fizemos (não há dados para isso), mas isso é algo que não pode ser encarado de forma tão simples. A realidade é que muitas vezes um produto pode dar prejuízos mas é mantido pela perspectiva de lucros futuros, quer nele, quer em outras áreas associadas. E a Microsoft tem tido a divisão bem coberta.

Sinceramente não vemos a coisa como Thurrott a vê… mas que ele tem motivos para pensar como pensa… isso tem! E é a Microsoft que lhos dá.

E vocês o que acham?

 



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