Justificações da Ubisoft para a paridade a 900p entre consolas em AC Unity, são… UMA VALENTE TRETA.

A Ubisoft anunciou recentemente que Assassins Creed Unity correrá a 900p na Xbox One e na Playstation 4. A justificação prende-se com uma paridade forçada para evitar polémicas. Mas neste caso, será mais para as começar!

AC Parity

Assassin’s Creed Unity vai correr a 900p/30fps tanto na PlayStation 4 como na Xbox One. Esta foi uma situação confirmada oficialmente pela Ubisoft, onde a empresa afirma que opta pela paridade entre plataformas para evitar discussões sobre diferenças de performance.

Eis as palavras do produtor Sénior da Ubisoft, Vincent Pontbriand:

Optamos por bloquear as duas versões nas mesmas especificações para evitar debates e outras questões.

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Este senhor vem depois justificar a sua acção, de forma injustificável:

Tecnicamente estamos presos pelo CPU. Os GPUs são realmente poderosos, e obviamente os gráficos são bastante bons, mas é o CPU que tem de processar a Inteligencia Artificial, o número de NPCs no ecra, e todos os sistemas que correm em paralelo. Rapidamente ficamos bloqueados com eles, e isso foi um pouco frustrante, porque achávamos que isto iria ser uma melhoria de dez vezes sobre tudo em termos de IA, e percebemos que isso iria ser bastante difícil. Não é o número de polígonos que afecta o framerate. Podíamos estar a correr a 100 fps se fosse apenas gráficos, mas devido à IA, estamos limitados a 30 frames por segundo.

É aqui que se percebe rapidamente os reais motivos da Ubisoft. Efectivamente se o CPU se vê preso pela quantidade de animações e personagens, ele é um “bottleneck”. Não há como fugir a essa verdade, excepto no facto que muitas tarefas poderiam ter sido passadas para um CU da placa gráfica, libertando o CPU. É o caso de toda a física, e mesmo o audio!

Mas talvez haja uma explicação para isso não acontecer! É que, mais uma vez, este jogo é patrocinado pela Nvidia, e essas optimizações no código seriam injustificáveis de não serem trazidas para o PC, mas não serviriam para as placas que patrocinam o jogo. Dessa forma o código beneficiaria as AMD nos PCs, algo que certamente não agradaria à Nvidia uma vez que se trata de um fabricante irradiado das consolas de nova geração, e que tem todo o interesse em mostrar que o PC é a plataforma superior, e as suas placas a escolha ideal.

Mas isso são apenas “fait divers” que servem para se mostrar a realidade das coisas. E essa é que há interesses económicos em jogo!

Do lado da Nvidia são claros e passam pelo benefício das suas placas. Já do lado da Ubisoft, Assassins Creed tornou-se numa teta, e a empresa pretende espremê-la ao máximo, sendo que este ano até lançará dois Assassins Creed. Rogue, para as consolas de anterior geração que não faz mais do que usar o motor de AC 4: Black Flag com uma nova história, e Unity, a versão para as novas consolas e que a Ubisoft até referia ter sido pensado de raiz para as mesmas. Percebe-se agora que na realidade o motor foi apenas… ajustado, e nem sequer em tudo o que podia ser.

Mas analisemos o cerne da questão: Será que um CPU pode ser limite à resolução?

Na realidade não! Os fps podem efectivamente ser limitados pelo CPU. Em todos os frames há que haver coordenação entre CPU e GPU, e havendo um elemento limitado, ele será o factor limitativo das operações conjuntas. Daí que sim, o CPU pode limitar os fotogramas por segundo.

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Já a resolução… esse é um cálculo 100% realizado no GPU. O cálculo de mais pixels é algo que apenas afecta o GPU e não influencia nada o CPU. Toda a física, animação, etc, é aplicada a objectos, e não a pixels. Todo o cálculo que envolve os pixels dá-se no interior da placa gráfica e é um processo totalmente gráfico. Podem ler isso neste artigo da Polygon, onde apenas vou destacar a seguinte frase: “For example, doubling the resolution wouldn’t affect CPU performance, but it would require the GPU to pump out four times as many pixels.”, e que basicamente diz que duplicar uma resolução não afecta o CPU, mas requer que o GPU produza o quadruplo dos pixels.

Com este facto em mente, a Ubisoft vem agravar a situação quando a equipa reconhece não estar limitada nos GPUs. Aliás até refere que poderia atingir os 100 fps se dependesse só deles! Ora se assim é, porque motivo os 900p?

Bem, na realidade é simples. Estamos perante um limite criado pelos 32 Mb da Esram da Xbox One. Como vimos e calculamos neste artigo, 900p é o que é fácil de se conseguir nos 32 Mb de Esram da Xbox One. Mas há quem consiga mais! Exemplos como Diablo III ou Destiny estão aí. E isto sem se falar dos casos de jogos exclusivos como a série Forza (esta com um motor pensado de raiz para a consola, tal e qual como a Ubisoft dizia estar a fazer)!

Mas na PS4, essa limitação não existe. Isso quer dizer que a equipa não só não pretende perder o tempo necessário com uma optimização para a Xbox One como, pior ainda, opta por cortar na versão PS4 que não possui essa limitação, e que como tal, não estando limitada pela performance ou memória do GPU, poderia ir facilmente aos 1080p.

O curioso é que ainda à 3 meses atrás, a Ubisoft, pela boca do designer de níveis Bruno St-André, declarava que estava a tentar os 1080p 60 fps em ambas as consolas. Uma situação deveras intrigante quando se vem agora referir que a IA está limitada pelo CPU que apenas debita 30 fps. E à meros 3 meses atrás? não estava? Ou será que nessa altura se ponderou o uso de um compute shader que foi depois cancelado ou está inacabado?

Não acreditando que os CPUs tenham tido um problema de mialgia de esforço desde Junho até agora, há no mínimo algo de estranho aqui.

Mas diga-se que isto vindo de uma equipa que à uns tempos atrás justificou que o jogo não teria personagens femininas jogáveis porque tal… dava muito trabalho, nada surpreende! A realidade está à vista. Está na altura de se espremer a teta da vaca! E o trabalho não está totalmente feito!

Mas adiar o jogo, está fora de hipótese! Há que colher os dividendos, dê por onde der. Até porque há um contrato de marketing exclusivo com a Microsoft à qual certamente esta situação até nem desagrada nada. E quem sabe a Microsoft até não terá dado uma forcinha na decisão tomada.

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Este é caso nítido onde não só há preguiça, como se opta por prejudicar um sistema que, pela justificação dada, não possui qualquer impedimento de atingir os 1080p. E nesse sentido, este é um jogo que acaba de ser excluído da minha lista de aquisições. Especialmente porque a justificação dada não tem ponta por onde se lhe pegue.

Já agora Ubisoft, que tal bloquear a versão PC a 900p? Por paridade! E para evitar discussões!

 

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