Lisboa Games Week

LisboaGamesWeek

A Lisboa Games Week deste ano, foi para mim uma estreia absoluta, no que toca a feiras e exposições de videojogos, nunca tinha ido a um evento deste tipo, logo a minha excitação era imensa, e ainda por cima tinha uma marcação para a nova sensação da Sony, o Playstation VR.

Regra geral, não gosto muito de ir acompanhado, a eventos de algo pelo qual tenho uma grande paixão, por muito meu amigo que seja, nunca tem exatamente os mesmos gostos que eu. Depois tenho que ir a sítios que não me apetece, e acabo por apanhar ‘’seca’’, num dia que se quer inesquecível, logo dei uma de anti-social, e não disse a ninguém que ia ao maior evento anual de videojogos em Portugal. Só que aqui em casa, temos dois ‘’doentes’’ por videojogos, eu, e o meu filho de 10 anos, que nutre o mesmo carinho que eu por este mundo! O problema é que ele adora os ‘’cromos’’ dos youtubers, eu, nem por isso, mas como está na idade de ter os seus ‘’ídolos’’, não me importei com a enorme fila para os autografos que me aguardava.

Chegámos à FIL devidamente trajados, e com um sorriso de orelha a orelha. Mal entramos, vimos logo todo o complexo da Playstation (claramente a maior presença de todo o evento), e logo a abrir, um espaço dedicado ao Uncharted 4, onde o meu ‘’puto’’, que adora a série, jogou uma partida de MP local (o único modo de jogo disponível). Apesar de não ligar muito a jogos e modos MP em geral, gostei do modo MP que a Naughty Dog estreou no Uncharted 2, (e que evoluiu no The Last of Us). O mapa que vi jogar foi o que aparece no trailer da ‘’Playstation Experience’’, e constato que o grafismo está bem melhor do que os que vi nos trailers revelados na Paris Games Week, não estando assim tão diferentes da vertente SP, e a uns sólidos 60fps. A nível de jogabilidade, está muito divertido e competitivo, com o espigão a ser uma ferramenta amplamente utilizada e que altera por completo a dinâmica do jogo, que no seu todo, me surpreendeu imenso pela sua qualidade.

Em seguida visitei outro espaço da Playstation, desta vez para testar o novo Need For Speed. Graficamente está fantástico, com a jogabilidade típica da série, mas faltava-lhe algo! Senti-o vazio… Parecia mesmo uma espécie de Top Model que é linda de morrer, mas quando abre a boca não diz nada de jeito…
O Assassin’s Creed Syndicate preferi antes vê-lo, do que jogá-lo, tal é é o meu enjoo pela série.
Perto dali, estava um stand totalmente dedicado ao Destiny, com a sua nova expansão, The Taken King, bem como o promissor Star Wars Battlefront.
O Call of Duty Black Ops 3 tinha um espaço fechado, com uma fila considerável à porta.

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Ainda no universo Playstation, tive uma grande surpresa, da qual não estava nada à espera. Dark Souls 3 estava presente e jogável, e escusado será dizer que não arredei o pé sem jogar a demo do novo jogo da From Software, e posso dizer que fiquei muito feliz com o que joguei! Basicamente, de Dark Souls só tem o nome e alguns elementos característicos, de resto é tudo Bloodbourne, desde a rapidez, à táctica de combate assente na mecânica, esquivar/atacar, e sem qualquer auxilio de escudo, uma autêntica delicia, e para mim, o melhor jogo da feira!

A Warner Bros também tinha o seu próprio espaço, com uma boa representação do novo Mad Max, e a Nintendo surpreendentemente tinha um espaço bastante expressivo dada a sua quota de mercado em Portugal. Havia vários quiosques de Wii U e 3DS com os mais variados exclusivos, embora todos eles algo ‘’antigos’’, sendo que o que gostei imenso foi dos sucessivos torneios organizados pelo staff da Nintendo, com partidas altamente frenéticas de Super Smash Bros (com a participação do meu pequenote que ficou um honroso 3º lugar) e Mario Kart 8.

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Mas a Nintendo não era a única a organizar torneios, bem pelo contrário, os e-sports foram uma constante, e em praticamente todo o lado, como a já referida Nintendo, a Sony também tinha um grande ‘’set’’, com vários jogos fortes em MP, e o mais espetacular de todos, o campeonato patrocinado pela Asus que opunha duas equipas de profissionais a competir entre si, perante uma plateia bastante animada, o que mostra a crescente importância dos e-sports.

Curiosamente, um dos meus locais favoritos, foi o espaço ‘’retro’’, para mim que já levo 32 anos disto, foi uma autêntica viagem no tempo, e uma rara oportunidade para conhecer verdadeiros pedaços de historia! Desde consolas mais velhas do que eu, a consolas que fazem parte da minha biblioteca de ‘’gamming’’, a arcades com os icónicos Street Fighter 2 e Daytona USA (com créditos infinitos), havia de tudo, para todos, até o meu querido Commodore Amiga 500 lá estava, mesmo ao lado de um ‘’486’’ a correr o primeiro Doom, e como não podia faltar, o meu primeiro computador, um 48k com as teclas em borracha, ligado a um retroprojector que projectava a imagem na parede, e todas estas relíquias, estavam a funcionar em pleno!

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Depois lá tive que levar com eles, mas com eles todos mesmo, os youtubers, mas não ia fazer a desfeita ao ‘’zézinho’’, que me fez dar voltas e mais voltas, à procura do ”Fer0m0nas”. Quando o encontrei, só tinha vontade de esganar o tipo, que não é lá muito dado a conversas, tendo em conta o numero de subscritores que tem, mas ao menos o resto da malta foi porreira com o ‘’puto’’, especialmente o ”Ric Fazeres”, que gostei imenso de conhecer.


 

Vi alguns Cosplay, mas muito sinceramente, nada de especial, quer pelo número (reduzido), quer pela imaginação, eram na sua maioria raparigas e raramente consegui perceber, que personagem ou até que jogo estariam a representar, mas pelo menos animaram o evento.

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Apesar de haver muito para jogar, e muito com que me entreter, não parava de ver as horas, pois tinha marcado uma experiências mais marcante que alguma vez tive, o Playstation VR, anteriormente como Project Morpheus. Ainda antes da hora marcada, lá estava eu para marcar a presença, ansioso e com uma mente aberta a uma tecnologia, que apenas fazia parte do meu imaginário.

Testei a demo ”The Deep”. É uma demo passada inteiramente debaixo de água, somos uma mergulhador que está dentro de uma jaula que vai descendo lentamente até ao fundo do mar, a primeira reação que tive foi, olhar para todo o lado e em todas as direções possíveis, ali é só assistir, e que viagem meu Deus, mal comecei a demo, olhei diretamente para cima, e vi a superfície do mar, iluminada naturalmente pela luz do sol, olhei de seguida para baixo e vi o fundo do mar, bem como toda uma variedade de vida marinha à minha volta, como tartarugas e mantas, bem como medusas, todas elas com uma graciosidade e uma beleza indescritível, e embora a qualidade de imagem seja muito boa, nota-se alguma pixelização, mas nada que estrague a experiência, pois a qualidade da animação que cada animal exibe é praticamente fotorrealista, parece que estamos mesmo lá, para onde quer que se olhe, estamos rodeados de água, a mergulhar naquela jaula, com bolhas de ar a subir à superfície, rodeado de fauna marinha, é arrebatador!

Mas o mais espetacular de tudo, foi o tubarão branco, mal o vi, passei de um estado de espírito de total paz e espanto, para alguma apreensão, primeiro começou a rondar a minha jaula e foi atacando aos poucos, com aqueles olhos negros e aqueles dentes pontiagudos, e mesmo sabendo que era tudo mentira, uma ilusão, metia respeito, aos poucos ele foi-me destruindo a jaula e a tensão ia aumentando, de repente, e vindo nada, umas pedras caiem, e embatem na jaula, danificando-a ainda mais, facilitando a tarefa ao temível predador que de forma estratégica e natural, investia contra a minha jaula, na tentativa de me abocanhar, até que conseguiu arrancar por completo e parte da frente da jaula, deixando-me completamente exposto a um ataque, mas em vez de atacar logo, andava ali a rondar, a estudar-me, e a tensão a acumular, ao mesmo tempo que a jaula ia subindo lentamente, eu senti-me vulnerável, completamente indefeso e à sua mercê, até que ele me faz uma investida de boca aberta para fazer de mim almoço, mas consegui escapar, mesmo no fio da navalha.
Tudo aquilo era a fingir, mas que senti medo, lá isso senti, a situação era tão realista, que nesta última parte encolhi-me instintivamente, tal não era o meu instinto de sobrevivência e medo genuíno, senti-me verdadeiramente ameaçado, tiro-lhes mesmo o chapéu, é pura e simplesmente fantástico, pois superou completamente as minhas mais loucas expectativas, sabia que seria uma experiência excelente, mas nunca pensei que fosse assim tão intensa e envolvente!

https://www.youtube.com/watch?v=2YN0F-Qn6Ic

Por fim a demo acabou e voltei ao mundo real, eu nem queria acreditar, a ‘’menina’’ da Sony só se ria, enquanto me perguntava o que eu tinha achado da experiência, ao mesmo tempo que me tirava os ‘’óculos’’, que por acaso não lhes toquei sequer, pois não podia, porque segundo eles, não é o produto final, é um protótipo cujo produto final vai sair no próximo ano, a um preço ainda por definir, como curiosidade, já fora do evento é que me apercebi, que os óculos não têm peso algum, não que não tenham qualquer peso, mas porque deve estar impecavelmente distribuído, ao ponto de não me aperceber do seu peso, em termos de conforto, é de topo, ajustam-se bem à cabeça e nem sequer foi preciso tirar os meus óculos verdadeiros, a qualidade dos ecrãs é muito boa, bem melhor do que estava à espera, a nível de latência ou qualquer tipo de atraso, não notei nada. A pedido do Mário, tentei perceber se havia alguma quebra de frames ou outro tipo de inconsistências, fiz movimentos o mais brusco e rápido que pude, e nada, simplesmente ‘’flawless’’!

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Não acredito que a realidade virtual vá ser O futuro, nada vai substituir a forma tradicional de jogar, mas certamente não é como o 3D com óculos de plástico como vemos no cinema e em casa, ou realidade aumentada que nos deixam a sensação do tipo, ‘’epá é porreiro mas…’’, não, isto é outra coisa, isto é um outro nível de imersão, é toda uma nova forma de jogar, que eu espero que tenha vindo para ficar, eu pelo menos, fiquei rendido, e quiçá, um cliente garantido, tudo depende de dois factores, preço, e acima de tudo, conteúdo, e se aparentemente existe alguém que está em condições de cativar o mercado para esta entusiasmante tecnologia, é o Playstation VR, que por si só, justificou a jornada até à Lisboa Games Week!

Depois da cereja no topo do bolo, ficou a vontade de voltar para o ano. O staff em geral foi cinco estrelas e muito profissionais, e tendo em conta o numero de visitantes, é para repetir, e quem sabe um dia, vir a ser palco de uma conferência de imprensa como a que a Sony fez na outra Games Week, em Paris.

Se tivesse que realçar um ponto negativo, teria que ser a Microsoft! Nem vestígios da consola que neste Natal tem alegadamente o melhor catálogo de toda a sua história, e ironicamente nem sequer havia a primeira Xbox na zona retro…de resto foi um dia cansativo, mas muito bem passado, diverti-me imenso, sim os bilhetes são caros (10€) e tenho que levar com os youtubers, mas a diversão é garantida, a ultima coisa que me lembro, foi de estar em casa já a noite ia longa, e olhar à minha volta, não fosse o tubarão aparecer.


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