Microsoft pronuncia-se sobre as questões de privacidade do Windows 10

A Microsoft resolveu pronunciar-se sobre os receios de quebra de privacidade do Windows 10… Mas na prática não acrescentou nada.

Demorou 2 meses, mas finalmente a Microsoft resolveu falar sobre as questões de privacidade do Windows 10 e da recolha dos dados obtidos em cada computador. O comentário vem do vice presidente,  Terry Myerson que lançou um comunicado que detalha as formas como a Microsoft recolhe e usa aos dados do Windows 10.

Myerson começa por referir que a manutenção da privacidade é algo muito importante para todos, daí que agradece as questões e o “feedback” obtido desde o lançamento do Windows 10. Dá depois a conhecer que este novo OS foi criado com dois princípios de privacidade em mente:

1- A recolha de informação do Windows 10 é destinada à melhoria do funcionamento do produto para cada utilizador.

2-  O utilizador pode controlar que informação é recolhida.

É ainda referido que a informação colhida é encriptada e guardada em servidores seguros na Microsoft. Estes dados separam-se em 3 categorias.

1- Dados de segurança e confiança – recolhidos para que a Microsoft possa fornecer uma experiência segura e de confiança e que envolve recolha de relatórios de erros de aplicações, ID dos aparelhos e respectivo tipo. Tal não inclui ficheiros pessoais ou algo que possa identificar o utilizador (tambem isso seria demais, não?).

2- Dados de personalização – Recolhidas sobre um utilizador específico para melhor adequar os serviços ao indivíduo (e é aqui que a coisa soa a mais assustadora).  Supostamente a experiencia do Windows 10 é melhorada pelo facto de a Microsoft saber dados sobre o utilizador de forma a lhe personalizar a experiência, tal como saber se gostas de massa ou pizza, se gostas de Futebol Americano ou Futebol, se és do F.C. Porto ou do Benfica. É o tipo de dados que Myerson refere ser usado ara fornecer dados que o utilizador agradece, como resultados dos jogos da sua equipa. E tal implica saber que tipo de pesquisas o utilizador faz na internet.


Apesar de ser fácil de perceber que esta situação possa (e a nosso ver, deva) ser encarada como abusiva, Myerson insiste que os utilizadores estão em controlo do tipo de dados que são enviados, e envia um link com instruções de como desligar isto. A questão é que estes dados são basicamente para se optar para sair e não para entrar, o que quer dizer que o utilizador não informado ou com menos conhecimentos de informática estão a concordar, mesmo sem o saber, em enviar este tipo de dados para a Microsoft.

3- O último tipo de dados são “Dados de publicidade que não colectamos”, e que inclui o conteúdo de e-mails ou ficheiros, e que a Microsoft reconhece aqui abertamente, oficialmente, e pela boca do seu Vice Presidente, que não são dados recolhidos .

Meyseson refere que independentemente das configurações, a Microsoft nunca acede a estes dados (Mas vamos lá a ver… alguém alguma vez pensou isto? Isto não seria uma questão de privacidade, mas sim de espionagem!).

A realidade é que a Microsoft não veio dar a conhecer nada de novo. As questões de privacidade do Windows 10 já sabiamos que podiam ser endereçadas e até desligadas. A queixa dos utilizadores nunca foi essa! A queixa passa, isso sim, pelo facto de tudo isto vir ativado de origem, de as opções para desligar estarem espalhadas por vários menus, e de mesmo com eles desligados, continuar a haver troca de dados desconhecidos entre a nossa máquina e a Microsoft.

A questão da leitura dos e-mails ou ficheiros pessoais nunca se referiu existir, mas claro, dado que a Microsoft já o fez no passado, eventualmente haverá pessoas que suspeitaram da possibilidade. Afinam quem não quer ser lobo, não lhe veste a pele, e gato escaldado… de água fria tem medo!

 

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