Microsoft quer implementar nos PCs o modelo dos smartphones.

A Microsoft quer ser ela a decidir quais os PCs que tem direito às atualizações do Windows, sendo ela a fixar se o teu PC é obsoleto ou não. Tal e qual como nos smartphones!

Se até agora um PC podia sempre ser actualizado, mesmo que com isso este sofresse a nível de performances, sendo essa decisão meramente do seu possuidor, a Microsoft parece agora querer alterar essa realidade.

Na passada semana a Microsoft bloqueou as actualizações para a nova build Windows creator, alegando que o hardware já não era suportado.

Ora se isto não deve afetar pessoas com máquinas novas, mostra uma direcção preocupante na forma como a Microsoft está a  gerir o seu windows como serviço. A situação poderá mesmo levar a situações onde em vez de o cliente ter de comprar uma nova máquina quando esta deixa de cumprir com as suas necessidades, ele poderá ter de o fazer porque a Microsoft decidiu que o seu hardware está ultrapassado.

Se isto soa a familiar, não é anormal, pois este é o modelo usado pelos smartphones quer no Android,  quer no iOS, e quando um telefone se considera ultrapassado ele é deixado para trás.



Infelizmente o que vemos é que nos smartphones, modelos topo de gama com dois ou três anos, e normalmente ainda bastante superiores a telefones de baixo e mesmo meio de gama, deixam de ter suporte porque a marca decide que o seu hardware não está atual.

Mas se nos smartphones até se foi aceitando esta situação uma vez que a evolução foi sendo bastante grande (menor mais recentemente), a realidade é que um PC não é um smartphone, especialmente a nível do tipo de uso que lhe e dado, sendo bastante mais genérico. E se nos smartphones essas posturas das marcas de abandonar modelos recentes podem levar a que as pessoas, pura e simplesmente, mudem de marca, nos PCs a Microsoft basicamente possui o monopólio das máquinas de trabalho quase todas equipadas com o seu Windows.



Pior ainda, um PC é um conjunto de peças que nem todas possuem a mesma relevância. Por exemplo, um PC para jogos terá um bom CPU e um bom GPU, mas outros podem apenas precisar de um bom CPU, ou de um bom GPU, podem precisar de mais memória ou de pouca conforme o uso é para algo mais complexo, ou apenas para servir como leitor video e browser.

Nesse sentido, e como exemplo, bloquear um PC que não corre jogos de receber atualização, porque o seu GPU o torna obsoleto, é algo ridículo, e uma decisão que não pode passar pela Microsoft, mas sim e apenas pelo seu dono.

Isto pode criar uma situação onde computadores perfeitamente funcionais podem ser colocados de lado, até porque um utilizador não tem de ter necessariamente os conhecimentos quer para perceber que pode mudar o GPU (ou outra peça), como para o mudar.

Um exemplo real passou-se com os processador Intel Clover Trail Atom, que já estão no mercado à 3 ou 4 anos, e que certamente não são tecnologia de topo, mas que se formos a ver, em termos de hardware de PC, é algo que está longe de ser exactamente antigo ou ultrapassado. Há PCs bem piores em funcionamento e que executam as funções que lhes estão atribuídas de forma perfeita, e que pura e simplesmente não precisam de ser trocados.

Mas a real questão passa apenas e exclusivamente pelo facto de a decisão da actualização ocorrer ou não ser agora da Microsoft. Algo que nunca aconteceu nas atualizações dos PCs!



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