Microsoft responde às criticas sobre a sua visão da consola

Durante o Tokio Game Show a Microsoft foi confrontada com várias questões sobre a sua visão da Xbox One. As perguntas surgem como consequência de que aquilo que a Microsoft dá a conhecer como características da consola não serem realidades universais.

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A IGN esteve presente no Tokio Game Show, e o seu representante resolveu questionar Albert Penello, Director Sénior do Departamento de Gestão e planeamento de produtos da Microsoft sobre a realidade daquilo que será a visão da Microsoft para a sua consola.

Assim a primeira pergunta foi no sentido de que a visão presente no lançamento não reflectirá a realidade do que foi apresentado, com muitos países sem terem direito ao reconhecimento de voz, e mesmo às funções que a consola acrescenta na TV. Da mesma forma, muitas das aplicações serão diferentes conforme a realidade dos diversos países, e isto é uma deformação da visão original.

A resposta foi a que se segue



Penso que mesmo nos EUA haverá muita coisa que existia na 360 mas que não existirá na One por algum tempo. É uma dinâmica interessante em que nos encontramos com os lançamentos das consolas mas particularmente quando vimos de uma plataforma muito madura… nos velhos tempos de transição de consolas as expectativas da transição eram basicamente relacionadas com os jogos. Mas se pensarem nas coisas que fizemos com a 360 e como ela se tornou diferente nos últimos 10 anos, basicamente temos 10 anos de inovação, dez anos de experiências, e depois, há que tentar pegar nisso e construir uma plataforma completamente nova com novo software e nova arquitectura.

Quer dizer, eu entendo as frustrações das pessoas, e é difícil dar uma resposta para além do facto que, de onde me sento, é uma transição de consola e isto é apenas uma parte dela. Há uma série de coisas que falamos na nossa visão do produto que não estão presentes no lançamento.

A TV, caso queira continuar, seria outra crítica. Falamos muito sobre TV e no entanto tudo só vai funcionar no Japão e EUA no lançamento e onde há cenários HDMI, pelo que perguntam “E se eu tiver TDT pela antena?”. Bem, não temos uma solução para isso para já, mas ainda vendemos parte da visão. Por isso é uma critica honesta e gostávamos que no lançamento houvesse tudo o que havia antes e mais, mas infelizmente não é possível.

Para já a solução TV passa pelo HDMI. A parte interessante acerca do desafio com a TV é que, quando lanças a consola, é largamente uma consola global. E tornamos a Xbox mais global ao ser livre de regiões. Uma consola. Tudo o que precisas é de electricidade. Não há standards ou coisas do género.

Se olharmos para os standards TV pelo mundo – e usarei o exemplo dos EUA que me é mais familiar –  tens set top boxes com HDMI, tens satélite, tens TDT e tens os fornecedores regionais – uns usam cartões e cabo e os cartões são diferentes e depois podes ir para a televisão digital terrestre – algo que no reino unido se faz com set up boxes. E assim, tal como a voz, a TV será uma daquelas coisas que é como uma árvore – teremos de a aparar.



A experiência básica do HDMI estará disponível a todos com uma TV com HDMI. Penso que é uma característica a que não estão a dar o devido valor. Hoje, se quero mudar entre a consola e a set top box tenho de pegar no comando e mudar de canal. A TV vai ser um desafio interessante, conforme vamos por região, por fornecedor, cada conjunto de regras, e criamos uma solução que funcione.

Naturalmente após uma resposta tão complexa em que Penello basicamente foge à questão surge a pergunta obvia. Se o futuro é claramente o streaming e o video on demand sendo que muitas pessoas já quase não vêem TV em directo, porque investir em algo que vai ser obsoleto?

Mas Penello discorda acreditando que há uma divisão na geração, e que o número de pessoas que visualizam TV em directo ultrapassa os que não a vêem num factor de 100 para 1.

Seja como for surge a questão sobre as funcionalidades TV que não estarão disponíveis no lançamento. E aqui a resposta de Penello surpreendeu:

Não vamos ser nós –  não é para quem adopta a consola já que isso será um problema – e é por isso que não estamos a priorizar resolver o problema já, porque o preço das consolas vai descer como de costume em todas as gerações, o mercado vai aumentar, e apanharemos as pessoas que ficam presas na TV. Resumindo – as funções TV não são verdadeiramente para ti, mas na altura em que a mãe e o pai quiserem uma máquina, vai funcionar.

De seguida vieram as questões do Kinect e o suporte de voz que não estará disponível em muitos países. E porque motivo a empresa com a experiência do Kinect anterior não entrega este serviço no lançamento?

Pennelo refere que há vários modelos para a mesma língua, e que por exemplo do Inglês para o Americano não é só uma diferença de palavras, mas também de sotaques. Refere ainda que o Kinect é totalmente diferente e o que existia antes não se aplica aqui. Nem mesmo a tecnologia dos telefones.

Depois de ouvir isto fiquei um bocado perplexo. A Microsoft basicamente aceita como normal que a Xbox tenha um mercado fraccionado com serviços só para quem tem isto e outros para quem tem aquilo. Pior ainda tem de vencer imensas barreiras por todo o mundo para que tudo funcione e durante anos não vai pura e simplesmente funcionar. Mas acima de tudo foi a explicação de que as funções TV não serão para quem compra a consola já que mais me deixou a pensar. Afinal aquilo que a empresa tanto apregoa e que na apresentação da consola até perdeu mais tempo a apresentar, não é para quem compra a consola agora. É para depois… para quando os pais se interessarem pela máquina.

Será que a Microsoft tem noção de que talvez a maior fatia do seu público alvo já são pais e que a idade média de um jogador é entre os 30 e 35 anos? Ou a empresa estaria a falar dos Avós?

Fonte: IGN

 





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