Nova 3DS é um atentado ao consumidor. Quebra com a definição de consola e imutabilidade de hardware na vida da mesma.

Com a DS a Nintendo lançou uma revisão mais poderosa e com mais memória, a DSi. No entanto, com excepção de 2 ou 3 jogos que exploravam as caracteristicas extras desta consola, a compatibilidade universal sempre foi garantida. A DSi era afinal apenas uma revisão. Mas agora com a nova 3DS a coisa não será bem assim.

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Vários casos há ao longo da história onde revisões diferentes de uma consola acrescentaram novo hardware. Isso aconteceu com a PSP e com a DS.

No entanto as revisões sempre foram encaradas como isso. Revisões! Isso quer dizer que quem comprou os primeiros modelos dessas consolas não esteve nunca impossibilitado de jogar os jogos que iam saindo, sendo que foi preciso uma nova consola, neste caso a PS Vita, para isso acontecer.

É aliás uma das caracteristicas básicas das consolas. A imutabilidade do hardware!

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Isso quer dizer que quando a PSP subiu a RAM de 32 para 64 Megas, os 32 megas foram usados para outras situações como caches de leitura que aceleravam e melhoravam tempos de resposta. Mas nunca nenhum jogo exigiu exclusivamente esta RAM, e desta forma garantia-se uma melhor experiência da consola, mas sem quebrar a compatibilidade.

A DSi foi a mesma coisa. Um processador mais rápido, mais RAM e melhor câmara. Mas no entanto tudo isso foi usado para melhor personalização da consola e funções extra. Mas tal como com a PSP, a compatibilidade dos jogos na plataforma DS nunca foi quebrada. Era afinal apenas uma revisão da consola e não uma consola nova.

Mas com a nova 3DS isso não vai ser assim. E esta é uma situação nova! Uma situação que quebra uma regra de ouro. A regra que define a imutabilidade do hardware de uma consola ao longo da sua vida. E essa situação é má demais para poder ser bem encarada pelo mercado uma vez que tal poderia levar ao lançamento de novas consolas pouco tempo depois do seu lançamento, deixando assim de compensar a compra das mesmas.

Mas é isso que a Nintendo está a fazer com esta revisão da consola. Apesar de não ser uma nova consola, mas sim apenas uma revisão, a consola apresenta grandes alterações no hardware que não se destinam apenas a brincadeiras adicionais e opcionais ou optimizações de performance/caches. Na realidade esta consola irá ter jogos exclusivos que não funcionarão nas consolas já existentes, o que a configura como uma nova consola com retro-compatibilidade.

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É basicamente um aniquilar de uma base de 44 milhões de utilizadores para se lançar uma consola que na realidade não é nova. É apenas uma nova revisão. Isto é algo inédito… e na minha perspectiva de consumidor, algo inaceitável que não pode ser bem recebido sob pena de consequências terríveis no futuro.

Se a Nintendo tivesse alguma seriedade, viria a público anunciar que a 3DS iria ser subsistida por uma nova consola. E dava à nova consola outro nome, como por exemplo 3DS 2. Mas não o faz! A consola é a 3DS, tal como a anterior, mas no entanto é para todos os efeitos uma consola nova pois a compatibilidade universal não está assegurada.

O que mais choca nesta situação é que a Nintendo canibaliza-se a si mesmo. A PS Vita não é verdadeiramente uma rival da 3DS, pelo que a nova 3DS vai competir com… a 3DS. E se a Nintendo acredita que os 44 milhões de utilizadores da 3DS antiga vão fazer upgrades… está muito enganada.

Uma nova consola é anunciada vários anos antes. Um utilizador sabe que ela está para ser lançada, e não vai comprar o produto ao engano. Uma revisão não! Pode acontecer a qualquer altura. Mas dado que nas revisões não se quebra a compatibilidade, os seus anúncios não precisam de ser dados com a mesma antecedência.

Aqui tudo foi tratado como uma revisão.  E como tal a situação é dada a conhecer poucos dias antes de ser efectivada! Mas no entanto a nova consola vai criar uma segmentação do mercado. É na realidade uma consola basicamente nova. Com poucas diferenças, mas nova uma vez que a antiga não corre os seus jogos exclusivos. E a nosso ver isto é… UMA VERGONHA! UMA FALTA DE RESPEITO PARA COM OS SEUS CONSUMIDORES!

Após esta decisão, o que se segue agora? Uma nova revisão da WiiU igualmente mais potente e com jogos exclusivos? E depois? Uma nova Xbox One? Uma nova PS4? Todas elas a quebrar a compatibilidade universal?

Numa nova revisão aceita-se que os jogos pudessem tirar partido das novas capacidades da consola para mais fluidez, para caches e mais rapidez de leitura de dados. Mas para jogos únicos e exclusivos? NUNCA.

O que vocês acham de tudo isto? Estão tão chocados como eu fiquei quando me apercebi dessa realidade?

E vocês Nintendo Portugal, o que tem a dizer disto? Não bastou a vergonha de vender uma consola sem carregador, um produto impossibilitado de funcionar sem uma compra de custo extra?

É assim que esperam conquistar os clientes?

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