Jul 042012
 

Como já referimos por várias vezes aqui na PCManias, o Chrome é o Browser mais seguro e mais popular do mundo, possuindo mais de 340 milhões de cópias instaladas nos diversos sistemas informáticos deste planeta.

Dessa forma, quando anunciado para o sistema operativo para dispositivos móveis da Apple, o iOS, a expectativa em torno do seu lançamento foi muito grande.

E foi-o de tal forma que, apenas algumas horas depois do seu lançamento, este browser da google cocupava já a primeira posição das aplicações gratuitas disponibilizadas na App Store.

E após ter mexido nele com algum detalhe, posso afirmar de forma categórica que o Chrome é o melhor Browser que existe para o iOS, não sendo contudo livre de defeitos.

Quanto às virtudes do Browser não iremos falar. Trata-se do navegador que todos conhecemos nos nossos computadores de secretária e nos aparelhos Android, estando devidamente optimizado para smartphones a nível de interface. Possui igualmente as mesmas capacidades a nível de isolamento de segurança (sandbox) das diversas janelas abertas e as mesmas capacidades de sincronia que qualquer outra versão do Chrome, bem como todas as outras capacidades que o tornaram famoso. Diga-se mesmo que se a versão Android possui a versão iOS tambem possui.

No entanto há uma grande diferença entre este Chrome e todas as restantes versões do Browser disponibilizadas para outras plataformas. A performance!

Infelizmente, a nível de performances, o Chrome para iOS não é minimamente comparável com as restantes versões disponibilizadas para outros sistemas. É rápido, mas não chega sequer a acompanhar o Safari disponibilizado de origem com o sistema operativo.

E a culpa desta situação e da… Apple.

Efectivamente as politicas restritivas da Apple são o real motivo porque este browser é mais lento do que todas as outras versões conhecidas, e igualmente mais lento que o Safari. Mas neste caso a Google ou criava o Browser com esta limitação ou teria de abdicar do seu lançamento nesta plataforma, uma situação que passamos a explicar.

Com excepção de situações como o suporte Flash que não pode ser uma realidade no iOS, a Apple dá relativa liberdade aos criadores de software para os seus aparelhos. E empresas como a Mozzila ou a Opera criaram o seu Browser para o sistema operativo sem problemas, tendo apenas como cuidado o uso do Objective C, a linguagem de programação que a Apple autoriza.

No entanto a Apple impõem certas restrições adicionais. No caso de um software usar os mesmos API‘s que algum outro software Apple existente na plataforma, então o mesmo não pode incluir esse API no seu código, sendo forçado a fazer uso da versão externa do API fornecido pela Apple.

E se essa situação até poderia ser normal, evitando a redundância no sistema, infelizmente ela revela-se o grande problema do Chrome. É que dado que tanto o Chrome como Safari usam a mesma base, o Webkit, e isso impede a Google de o incluir no seu código.

Quer isso dizer que o Chrome é forçado a usar o webkit fornecido pela Apple, sendo que, curiosamente, até é uma versão mais antiga do que a usada actualmente pelo Chrome nos outros sistemas. Mas até aqui não existiriam problemas de maior, não fosse o grande pormenor de a Apple ao disponibilizar o acesso ao Webkit, apenas o fazer parcialmente.

É que o Webkit, apesar de ser talvez a melhor base para browsers actualmente no mercado, possui umas performances medianas, sendo contudo acelerado por outros softwares que lhe aumentam a performance ate 300%. Esses softwares são motores javascript que usam uma tecnologia chamada “just-in-time” (JIT) que compila o código de forma a ser executado de forma mais rápida. No seu Safari a Apple usa um software chamado Nitro, e no Chrome a Google usa um outro chamado V8. (vejam a imagem que se segue para terem uma diferença das performances com e sem o uso de um motor JIT)

Infelizmente, devido à partilha do API, o uso do V8, que fica integrado no interior do Webkit, estava fora de hipótese. A alternativa seria assim o igualmente bom Nitro.

No entanto a Apple não fornece acesso ao seu JIT, alegando razões de segurança, pelo que os programadores que pretendam usar o Webkit apenas possuem acesso a uma versão pré-nitro, denominada de UIWebView.

Quer isto dizer que o Chrome lançado para iOS usa o mesmo motor que o Chrome das outras plataformas, mas uma versão sem a aceleração dada pelo JIT, o que o torna mais lento.

É certo que a Google utiliza muitos métodos para disfarçar esta situação, mas a diferença de performance é notória, não tanto no carregamento das páginas onde os “truques” implementados disfarçam bem o problema, mas na navegação em si.

Quer isto dizer que efectivamente temos um Chrome nos produtos Apple, mas um Chrome “aleijado” a nível de performances. E isso é uma pena, uma vez que este é um browser, em todos os restantes aspectos, superior ao Safari.

Quer-nos parecer que esta é claramente uma situação de prepotência e de concorrência desleal. Esperemos assim que Google e Apple se entendam no futuro para que este Browser possa ser melhor, porque o Chrome nos dias que correm é quase indispensável. Mesmo sendo mais lento que a alternativa original.

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