O dia em que fui ter uma experiência IMAX… e detestei!

Ontem fui ver os vingadores numa sala IMAX. E apesar de a qualidade de imagem e do som ser fantástica… Detestei! Ao ponto de ter de sair a meio. A culpa? acima de tudo O VOLUME EXAGERADO!

entradaIMAX

Como creio que já não será novidade para ninguém que leia os meus artigos. Sou um amante da qualidade! Da qualidade de imagem e da qualidade do som.

Daí que quando pago para ir ver um filme quero que isso aconteça na melhor das condições possíveis. Nem que tenha que pagar mais!

Assim sendo, ir ver os novos vingadores na sala IMAX do Mar Shopping, inaugurada à pouco mais de um mês (2 de Abril), parecia algo que não poderia deixar passar.

E se soubesse ao certo o que me esperava… não tinha sequer entrado.

As primeiras impressões são muito boas. Mal entramos na sala ficamos admirados com a dimensão do ecrã. Não só a sala é bastante maior do que o normal (800 m2 de área), mas o ecrã pura e simplesmente gigante (23m por 13m ou seja 300 m2), ocupando a enorme parede de canto a canto quase não havendo nenhum espaço morto (dados fornecidos publicamente pelo próprio cinema).

Ecra-IMAX

Nota: as fotos de cima representam salas IMAX, mas não a sala em questão.

Naturalmente, e usando o IMAX uma resolução de 4K, a qualidade da imagem é pura e simplesmente fantástica. E a qualidade do 3D com tal ecrã conseguiu superar o melhor que já tinha visto até hoje no cinema. O filme AVATAR, para mim a melhor referência 3D.

Depois temos o som. Seria de esperar uma experiência sonora super envolvente graças à grande quantidade de colunas espalhadas pela sala e o uso de som digital. E ele é igualmente efectivamente extraordinário, com uma envolvência e qualidade fantástica.

No entanto, mesmo perante tanta coisa elogiável, a meio do filme… acabei por de sair! E acreditem que estava a gostar bastante do filme, pelo que tal me custou bastante

O motivo? Tanto eu como a minha esposa estávamos com os ouvidos prestes a arrebentar. E isso devido ao exagerado volume!

Sinceramente a situação foi uma surpresa para mim. E confesso que tal não devia ter acontecido pois se me tivesse informado saberia que tal faz parte da experiência IMAX. E assim sendo a queixa não é só minha! Eis algumas outras aqui, aqui e aqui.

Mas vamos por partes, descrevendo aquilo que não gostei ou que gostei menos:

O ecrã… é grande demais.

Como referi o ecrã é pura e simplesmente gigante! 23m por 13m é uma enormidade. E isso poderia parecer algo de excelente para a envolvência do filme.

Mas não o é totalmente! A meu ver… é grande demais!

Quando olhamos em frente, apesar de o nosso campo de visão ser bastante grande, os nossos olhos não captam tudo o que visualizam da mesma forma. A zona de focagem mais perfeita e onde temos total consciência do que estamos a visualizar é a zona para onde olhamos directamente. O resto temos percepção que existe, visualizamos, mas não com a mesma atenção e pormenor.

Logo na apresentação dos trailers de outros filmes percebi que essa realidade iria estar sempre presente. Na apresentação bastante completa de “Tomorrowland”, ou como será conhecida em Português, “A terra do amanhã”, a actriz Britt Robertson, logo numa das primeiras cenas bate à porta da casa onde habita a personagem interpretada por George Clooney. Ora nessa cena a actriz encontra-se do lado direito do ecrã, sendo que o resto da imagem mostra a casa e respectivos jardins, tentando dar a perceber um certo tom de abandono e desleixo com uma casa tomada pela vegetação. E sei isto pois já tinha visto o trailer (a cena está entre os segundo 58 e 59)!

Mas ali, tal não é perceptível. A dimensão do ecrã é tal que somos obrigados a rodar a cabeça para acompanhar a actriz. Ao ponto de olhando para ela o outro lado do ecrã praticamente passar despercebido. E o detalhe contido na imagem… perde-se!

Esta foi uma sensação que tive durante todo o periodo que ali estive. Olhando para as personagens, devido à dimensão do ecrã, perdia a capacidade de percepção do pormenor, tantas vezes importante, do que se passava na envolvente. E isso tambem faz parte do filme. Por exemplo, na festa que os vingadores dão no início, em certas cenas ao acompanharmos as personagens em movimento perdemos a total percepção do que se passa em segundo plano.

Basicamente o efeito é semelhante ao estarmos numa sala de cinema tradicional daquelas de grandes dimensões e sentados numa primeira fila colocada muito perto do ecrã. Sinceramente, longe de ser dos lugares que eu gosto de ocupar! Ou então coloquem-se a menos de 30 cm do ecrã do vosso PC e já percebem o efeito.

Só que aqui estava sentado no centro da sala e duas filas para cima do meio. E mesmo assim, o efeito era enorme devido às dimensões do ecrã.

Naturalmente com um ecrã destes o efeito 3D é pura e simplesmente fantástico.


No entanto, apesar deste pequeno “inconveniente” , a forma como ecrã nos absorve é fantástica pelo que fique bem claro, apesar desta referência, que não foi por aqui que não gostei da experiência. O verdadeiro motivo foi o que se segue, e que me levou mesmo a abandonar a sala.


O som é excelente. Mas o volume… é excessivamente alto

O som usando no sistema IMAX foi criado para ser visceral. Resumidamente, para ser sentido nos ossos! Tal é conseguido à base de uma potência de som capaz de criar vibrações intensas. Daí que a norma prevê que existam 44 colunas embutidas capazes de criar 12 mil watts de potência e frequências variáveis entre os 20 e os 20.000 Hz..

IMAX.

Ora isto tudo pode parecer muito interessante e bonito. Mas o resultado é só um! BARULHO EXCESSIVO ao ponto de ser ensurdecedor e incomodativo nos ouvidos. Especialmente para um filme que dura 2h e 21 minutos!

De acordo com os criadores da norma os filmes são reproduzidos em volumes que rondam os 85 db. No entanto, relatos de  100 db ou mais são normais de serem encontrados. Estamos a falar de valores que chegam a ser perigosos para os ouvidos humanos e que entidades como a OSHA e e a NIOSH não recomendam a exposição por  longos períodos devido a poderem causar danos irreversíveis na audição. Por exemplo, a NIOSH não aconselha mais de 15 minutos de exposição a 100 db (Ver página 7).

Mas a 85 db, a mais, ou mesmo a menos, o certo é que o som é extremamente alto e incomodativo. E isso é um facto! Como exemplo, um simples diálogo é realizado a um volume fora do normal. E isso não é o que eu aprecio num bom som! Muito pelo contrário!

Para mim um som de qualidade é um som refinado, um som onde os diversos ruídos são subtilmente ouvidos. Mas acima de tudo reproduzido a um volume que se assemelhe ao estar lá. Quero ouvir um som à mesma altura a que qualquer pessoa presente no local ouviria. Quando muito um pouco mais alto, ao nível do habitual nos cinemas para criar alguma envolvência, mas não a um volume onde onde para igualar o altura da voz das personagens teria de “berrar”.

Ou seja, não quero ouvir o diálogo em um volume exageradamente anormal! E nem ter um volume onde um simples “bater de uma porta” no silêncio até nos faz “saltar da cadeira”. Agora imaginem o que é um Vingadores, com carros a serem atirados, explosões, tiros, etc. Para os meus ouvidos tal revelou-se é pura e simplesmente insuportável! E para a minha esposa foi bem pior uma vez que ela se queixou logo do volume mal entramos na sala.

Aliás, quando saímos da sala, apesar de em menor escala, os ouvidos pareciam estar a sofrer do efeito de pressão que sentimos quando mudamos muito rapidamente de altitude. Simplesmente um sintoma que não é normal. E aquilo que deveria ser um prazer estava a ser, de certa forma, um tormento e um massacrar dos ouvidos. (pesquisando encontrei relatos aquiaqui e aqui de pessoas que se queixavam de zumbidos nos ouvidos após uma sessão numa sala IMAX)

A realidade é: Por muita qualidade que uma sala IMAX tenha, devido ao elevado volume, não repetirei a experiência. Há muitas salas onde a experiência é mais do meu agrado, e ainda por cima mais barato. E tenho mais é de me dar por feliz de não ter ido ver o Interestelar, um filme que adorei, numa dessas salas. É que as queixas de que o volume nas salas IMAX era de tal forma ensurdecedor e incómodo, chegaram a ser notícia.

O certo é que poderá haver quem goste da experiência… aliás quem vai a concertos ao vivo e está habituado a ficar perto das colunas até achará o som baixo. Mas para mim qualidade audio nunca foi ruído ou elevados volumes. Qualidade é fineza, é envolvência é o distinguir todas as partes de um som, é o sentir que se está lá, sentir o som a envolver-nos, mas acima de tudo de uma forma que se possa apreciar. Mas não com a sensação que temos um amplicador a tempo inteiro metido dentro das orelhas! E essa foi a sensação que eu tive. A minha experiência! E isto é importante de se ter presente pois a sensibilidade das pessoas é diferente e as salas IMAX são normalmente bem recebidas pelo público.

NOTA: Durante a saida fomos questionados sobre o motivo porque abandonamos a sala. Perante a exposição da situação sobre o exagero do som, a equipa que nos atendeu reconheceu que o volume era efectivamente alto (e isto é factual) mas que não tinham qualquer controlo sobre o mesmo uma vez que este era ajustado directamente em Londres por intermédio de um sistema informático.
Tiveram no entanto a amabilidade de nos oferecer 2 bilhetes para podermos voltar a ver outro filme, o que faremos numa sala normal. Daí que IMAX… nunca mais, mas os cinemas no MAR Shopping… são para voltar sempre!

NOTA 2: Vou ao cinema com alguma regularidade, tendo inclusive visto todos os filmes Marvell, e esta foi a primeira vez que abandonei uma sessão a meio. E um filme que ainda por cima, estava a gostar bastante de ver.

Mas esta é apenas a minha experiência. Alguem já experimentou uma sala destas? Gostou? Não se queixou do ruído excessivo? Afinal não somos todos iguais!

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