O mundo quer acabar com a dependência da Internet dos EUA, mas não sabe bem como.

Já o tínhamos referido. As revelações da NSA mostraram que os EUA tem o mundo sob escuta, e todos se queres separar do dependência da internet dos Estados Unidos, o problema é que não sabem como.

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As organizações globais de internet reuniram-se na Paraguai, e fizeram a promessa de se separarem da influência Norte Americana.

Apesar de o nome Snowden e as suas fugas de informação sobre a NSA, ou mesmo o nome Estados Unidos, não terem sido referidos de forma explicita, torna-se claro do que as organizações estão a falar quando referem que estas “expressaram grande preocupação pela quebra de segurança e confiança que os utilizadores de internet globalmente demonstraram face a recentes revelações de monitorização e vigilância intrusivas.”

E para bom entendedor, meia palavra basta.



A realidade é que esta quebra de confiança está a alterar desde já a forma de funcionamento da internet. Os EUA sempre foram os lideres na infra-estrutura quer pela liberdade de expressão supostamente existente no país, quer pelas inovações introduzidas na área, mas no entanto, apesar das suas protecções à liberdade de expressão os Estados Unidos estão tremendamente controladores com vigilância a situações privadas e batalhas judiciais contra utilizadores por questões de direitos de autor.

Naturalmente as consequências do escândalo Snowden levou a que houvesse empresas de serviços de e-mail seguro que fecharam portas, bem como as empresas tecnológicas Americanas a registarem perdas de dezenas de biliões (1 bilião = mil milhões) de dólares.



Desta forma, os directores das maiores organizações de internet que estiveram presentes no Uruguai, como a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), a Internet Engineering Task Force, a Internet Architecture Board, a World Wide Web Consortium (W3C), e a Internet Society querem acelerar a globalização das funções da  ICANN e da IANA de forma a criar um ambiente onde todos os participantes, incluindo todos os governos, participem em pé de igualdade.

Como realizar esta situação é uma incógnita. A internet foi criado pelos Estados Unidos que, basicamente a possui, e não tem interesse em largar esse controlo, pelo que actualmente a única forma de cortar os EUA seria desliga-los, algo que ninguém quer pois isso significaria o fim da internet como a conhecemos.

Vejamos por isso o que acontecerá na próxima conferência que se realizará no Brasil, e onde a presidente Dilma Rouseff já se encontrou com o CEO da ICANN que lhe pediu que “Elevasse a sua liderança a um novo nível, de forma a garantir que poderemos todos reunir em torno de um novo modelo de liderança onde todos são iguais. Curiosamente o CEO da ICANN foi nomeado pelo Governo dos Estados Unidos que, por esse motivo tem estado calado sobre este assunto.

Não será por isso coincidência que a próxima conferência seja no Brasil, e Dilma Rousseff tem sido muito clara em criticar o programa de vigilância Americano e, segundo dizem, tem mostrando interesse em criar a sua própria internet (algo que poderá não ser para se entender literalmente).

Tudo isto é muito teórico, mas não deixa de ser relevante perceber-se que há iniciativas anti a liderança dos EUA, e que caso este país não altere as suas políticas, aos poucos o mundo vai-se mover no sentido de cortar a dependência que possui para com ele.



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