O problema das análises, e a falta de seriedade de algumas.

O artigo que se segue refere-se à polémica relacionada com a análise do Washington Post ao jogo Uncharted 4.

Uncharted 4 possui atualmente uma avaliação de 93/100 no Metacritic, baseada em 92 avaliações. Este é um valor desceu dos 94 devido a uma avaliação de 40/100 dada pelo Washington Post.

Ora esta avaliação surge como algo estranha no meio de tantas avaliações de 90/100 e mesmo de 100/100. Mas claro, uma avaliação é uma avaliação, e esta possui tanto valor como as outras. Ou será que não tem?

Há vários motivos pelos quais a avaliação do Washington Post se torna ridícula, e certamente não é pela nota dada. Essa é apenas o reflexo de uma opinião, e como tal, perfeitamente válida.

A questão aqui é que uma análise a um produto… não pode ser uma opinião! Mal de nós se isso acontecesse pois seria impossível avaliar fosse o que fosse de forma séria e honesta!

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Acima de tudo, sempre houve uma situação que, para mim, e pelos valores que me foram incutidos na minha educação, deviam distinguir um jornalista, ou alguém que escreve artigos de análise ás mais diversas situações, de um vulgar cidadão! É que o jornalista analisa e comenta baseado em factos, mas os seus artigos não devem refletir opiniões, mas sim realidades. Caso tal não aconteça não estamos perante uma análise séria, mas sim uma opinião que pode ter fundamentos dos mais diversos, entre os quais os mais comuns são os culturais, religiosos, ou fanáticos.

É nesse sentido que sempre de deve analisar os jogos. Pode-se gostar mais ou menos de certas coisas, mas no entanto estas devem ser julgadas por parâmetros bem definidos como a qualidade gráfica, a arte, a componente técnica, o som, a sua qualidade, envolvente, e a forma como interage com a acção, a diversão, a forma como cativa, a forma como o jogo oferece conteúdo para nos manter presos, etc.

Resumidamente, as avaliações sérias baseiam-se em princípios segundo os quais, quer goste, quer não goste de algo, impedem a avaliação de fugir de determinados valores. A subjetividade de alguns parâmetros, pode, naturalmente, sempre causar variações na avaliação, mas não posso referir que o trabalho de vozes é fraco quando isso não corresponde à realidade, ou que o grafismo é mau quando é excelente. Quer dizer, poder pode-se sempre, mas caindo-se no ridículo quando as coisas saltam à vista.

Mas mesmo sabendo-se que há sempre parâmetros mais subjectivos que podem fazer oscilar a nota, a objectividade dos outros acabam por ser uma forma de prender a avaliação a algo realista e não deixar a mesma à vontade do freguês.

Depois há outras realidades. Independentemente do que avalia nos parâmetros intermédios, o valor final da avaliação tem de reflectir a qualidade do jogo face à média do mercado. Uma nota 50 representa um jogo que é apenas mediano, e uma nota 40 representa um jogo com qualidade abaixo da média e que roça o problemático devido a imperfeições técnicas que limitam a jogabilidade.

Ora Uncharted não se enquadra minimamente na mediania. E muito menos abaixo da mesma! Veja-se por que perspectiva se veja, o autor do artigo do Washington Post não foi sério, e deu uma avaliação baseada em factores pessoais que são completamente incompreensíveis (até porque o artigo não refere verdadeiramente nada concreto e objectivo para uma crítica). Certamente esta não é uma pessoa com paixão pelos jogos, não avalia os jogos por aquilo que eles são, a qualidade do que oferecem, e a diversão e envolvimento que trazem, ma fâ-lo seguindo parâmetros pessoais ou de interesse (público alvo). Veja-se que aqui, para ridículo da situação, o autor critica Uncharted… por ter detalhe a mais! Pior ainda, o autor entra a matar no texto do artigo, contando basicamente o fim do jogo, sem sequer avisar que o artigo pode conter informação desse tipo e que deve ser lido com o devido cuidado. Há claramente uma intenção de criticar, e mais ainda, de estragar o jogo a quem o pretende jogar!

Sinceramente até poderia aceitar a crítica ao detalhe excessivo se a presença do mesmo pudesse causar problemas técnicos, causar bugs ou perdas de performance. Mas no caso de Uncharted tal não acontece! E o detalhe cria uma envolvência e uma sensação de realismo única! Aliás este nível de detalhe e perfeição é o objectivo máximo de todos os jogos e nesse sentido, basta ver os esforços com a luz e modelação de Quantum Break. As novas gerações servem para isso mesmo, para aproximar cada vez mais a qualidade gráfica do realismo, e o detalhe excessivo faz parte exatamente desse processo, sendo que Uncharted até é o jogo que nesse aspecto do realismo foi mais longe até hoje!

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Aceita-se que o senhor não tenha gostado do jogo, mas o seu historial não abona a seu favor. Este é o mesmo senhor que deu a Dark Souls 2 uma avaliação negativa considerando-o o pior jogo de sempre. E Dark Souls 2 é um clássico, um jogo, tal como Uncharted 4, universalmente aceite como excelente. Há por isso qualquer coisa de errado com este senhor e as suas avaliações, e ter o mesmo a fazer este tipo de avaliações num jornal, supostamente sério, como o Washington Post, é algo ridículo e que levanta sérias questões.

Esta situação deu azo a uma petição por parte dos fans do jogo que considerando a situação como ridícula, solicitam a remoção da avaliação do Metacritic. Não pelo facto de a nota descer dos 94 para os 93 pois isso é irrelevante, e uma média de 93 ou 94 em 92 avaliações são ambos valores que demonstram a qualidade do jogo, mas sim pelo facto de que não é aceitável que qualquer um possa dizer o que quer, acima de tudo sem o justificar (porque a leitura do artigo não apresenta verdadeiramente qualquer justificação para a nota atribuída, e que até nem está presente no artigo), com a aceitação deste tipo de análises a ocorrer sem travão e pesando nas médias de um jogo.

Assim a petição diz o seguinte:

Peço desculpas, mas quando ter muito detalhe se tornou uma coisa má, isso mostra que quem analisou está fora de si. Acredito que o U4 é um dos melhores jogos alguma vez criados e é um favorito pessoal, apesar de poder justificar análises com 9 e 8. Mas isto é a total desgraça. Gene, dado que foste o único membro da equipa que respondeu a este disparate, deves remover a análise do Metacritic, e colocar uma nova, sensível e que possa justificar a sua existência. Por amor de Deus, vocês são o Washint Post, não um diário de um miudo de 12 anos. Tratem o jogo com profissionalismo e respeito.

Mais ainda, o jogo nunca recebeu uma nota na análise, pelo que ou os 40/100 devem ser removidos do Metacritic, ou acrescentados à análise. as coisas devem ser claras! É sobre o respeito com os criadores que eles merecem pelo tempo e dinheiro que puseram neste jogo. Mesmo o editor do Washinton Post está confuso com este pedaço de jornalismo parcial. Algo necessita de acontecer. Olhem para o historial deste tipo, Dark Souls 2 o pior jogo de sempre? Um dos jogos mais aclamados da história recente? Não tenho problemas com este senhor a expressar a sua opinião, mas como disse, quando é uma análise oficial deve ser tratada com profissionalismo e respeito e tem de haver regras. Este senhor não merece ser tomado a sério por grandes, e cruciais, websites como o Metacritic. Dá cabo da imaculada reputação do jogo sem qualquer motivo. Uma análise não é sobre o que cada um acha sobre um jogo, é sobre o que o jogo é. Medidas objectivas são aplicáveis.

Sinceramente é-me totalmente irrelevante se Uncharted possui 93, 94 ou mesmo 92 de média no Metacritic. Basta ver que 91 das 92 análises lhe dão notas elevadíssimas (pessoalmente dar-lhe-ia 96 numa nota de 0 a 100 –  o jogo levou 5/5 estrelas numa avaliação de 0 a 5 que lhe fizemos). Mas o certo é que tem de haver seriedade neste tipo de coisas sob pena de as análises caírem em descrédito. Todos sabemos que receber um 40% num teste é reprovar. 50 é passar à justa, 60 é algo decente, 70 algo com alguma qualidade, 80 é algo muito bom, e 90 ou mais algo que se destaca. Mas este senhor provavelmente nunca estudou, pois parece desconhecer essa realidade. E avaliar Uncharted 4 com um 40… é de doidos! Só pode mesmo ser!

Mas ei… Podem discordar do que digo aqui. Tal como o artigo deste senhor, este peca igualmente por não ser um artigo fatual, e sim um artigo de opinião! Mas se discordam, digo que tal é uma infelicidade. E é-o porque esta é uma opinião que deveria ser consensual… para o bem de todos… e dos videojogos! Uma opinião que vai a favor da seriedade nas análises em websites de maior peso e tráfego. A favor da seriedade de uma forma geral!

Mas infelizmente agora que o “calor” do lançamento de Uncharted passou, começam alguns websites, especialmente alguns mais pequenos, a fazer controlo de danos, e a tentar atirar o jogo para baixo… A questão é que argumentos válidos e consensuais para tal… é que é mais difícil!

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