Relatório e contas da Microsoft revela que Royalties Android ainda estão injetadas nos valores da Xbox?

A Microsoft revelou o seu relatório e contas para o terceiro quarto do ano fiscal de 2017. E nele vemos muitos dados que não são de fácil percepção. Entre eles tudo aponta no sentido de as royalties Android ainda estarem inseridas nos valores da Xbox.

A análise ao relatório e contas da Microsoft é algo curioso. E é curioso porque os resultados da Xbox são cada vez menos explícitos e é necessária uma leitura muito atenta para se perceber certas realidades.

Onde antigamente tínhamos uma divisão Xbox, agora temos uma secção chamada “More Personal Computing”, e que engloba receitas vindas de várias fontes e não apenas das consolas em si.

O relatório desta secção, revela uma tabela de métricas para os investidores que inclui as seguintes fontes de receitas:

  • Receitas do Windows OEM Pro
  • Receitas do Windows OEM não Pro
  • Produtos comerciais Windows e serviços Cloud
  • Receitas dos Surface
  • Receitas de videojogos
  • Utilizadores ativos do Xbox Live
  • Receitas de publicidade em pesquisas



Os valores de receitas totais são assim o somatório de todas estas áreas, não permitindo assim perceber-se a 100% o comportamento de cada uma das parcelas individuais.

No entanto há alguns dados relevantes que se conseguem retirar do que é dito no texto da imagem e no corpo do relatório:

As receitas globais de todo este conjunto desceram 2%.

É referido ainda no relatório e contas que as receitas com o software e serviços da Xbox subiram 11%, principalmente devido a um maior volume das transacções no Xbox Live.

Em contrapartida, a Microsoft dá a conhecer que as receitas obtidas das vendas de consolas caíram 29%, que a Microsoft atribuiu a descidas de preços e diminuição de vendas.

Um dado não referido directamente, mas que é perceptível olhando para os números é que no global as receitas do Gaming caíram de 1.928 para 1.657 milhões, ou seja 16 pontos percentuais face ao trimestre anterior.



Ainda olhando para a tabela vemos que as receitas do Gaming são o único valor ali presente que apresenta números inferiores aos do trimestre passado. Ou seja, as quebras nas receitas referidas pela Microsoft necessitam forçosamente de vir daqui, uma vez que todos os restantes setores subiram os seus valores.

Mas no entanto a explicação da Microsoft não é essa. No texto da tabela é claro que a Microsoft atribui a causa à quebra a descidas nas receitas do telefones. Mas que telefones?

Mais ainda, essa quebra foi contraposta por outras receitas, mas mesmo assim teria contribuído com 4 pontos percentuais do declínio.

A pergunta que fica é: Onde estão os telefones inseridos em cima? E que telefones, uma vez que o Windows Phone está basicamente morto, limitando-se a escoar stocks? E como é que algo que nem sequer tem direito a uma referência na tabela toma relevância sobre o que ali está? E mais ainda, como é que algo basicamente morto e cujas vendas já nem são minimamente significativas possui um impacto de 4% e digno de registo neste relatório e contas?

Uma explicação poderá passar por uma realidade não devidamente exposta aqui. Algo que se sabia e era claro que acontecia no passado, mas que atualmente está mais e mais camuflado: A de as receitas de royalties de smartphones continuarem a estar inseridas nas receitas da Xbox!



Dessa forma, caso esses 4% de quebras nas royalties dos smartphones fossem os grandes responsáveis pela quebra do Gaming, ocupando a maior parte do valor diminuído, isso explicaria totalmente todos os textos da Microsoft: as quebras das receitas dos telefones, dignas de registo de 4% serão as royalties, e elas aparecem na secção que tem a descida, o Gaming, pois tal como no passado, elas são contabilizadas na Xbox.

Mas claro, isto é especulação! E para além de explicar de forma coerente as referências, até porque a grande e única quebra ali visível é no Gaming, nada seria novo se tal ainda acontecesse, uma vez que isto acontecia no passado e nem sequer era escondido! E como sabemos, Samsung e Lenovo, eventualmente entre outros, deixaram de pagar Royalties à Microsoft, compensando-a com a colocação de aplicações por defeito no smartphone, o que certamente desceu as receitas. Mas agora com os relatórios a serem cada vez menos claros… só podemos especular.



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