O streaming é o futuro… mas o presente não está preparado para o streaming

Muitas são as empresas q referir que pretendem entrar no negócio do Streaming. A Microsoft afirma até que em breve terá um serviço do género pronto. Mas a realidade é que o Streaming, tal como a Cloud em 2013, não é uma realidade para a qual o mundo esteja neste momento preparado.

Há uma realidade que as pessoas parecem não entender: A de que a Internet é não é igual para todos, mas que todos temos direito ao gaming.

Daí que quando se fala em serviços de streaming surge a questão: Estará o mundo preparado para ele?

Ora o futuro um dia será efectivamente por aí… apesar que o streaming vai alterar radicalmente a forma como encaramos muita coisa dos jogos, desde o hardware necessário, à posse dos jogos.

A Ubisoft, por exemplo, teve o seu CEo, Yves Guillemot a dar ume entrevista à Variety onde dizia “Com o tempo, penso que o streaming será mais acessível a muitos jogadores, não sendo necessário ter hardware potente em casa. Refere ainda que quando muito haverá mais uma geração de consolas e depois, todos estaremos a fazer streaming.



Sinceramente não sei o que acontecerá daqui a 9 anos, uma vez que a atual geração ainda se espera que dure dois, e a próxima deverá ter uma duração semelhante à atual. Mas quem sabe? Dependerá de muita coisa, mas 9 anos é ainda um futuro distante!

Já Phil Spencer foi mais longe, ao dizer que dentro de três anos terá um serviço de streaming desse género a funcionar. No entanto, Phil foi mais cuidadoso e nunca referiu que os dias das consolas como as conhecemos estavam numerados, apesar de ter referido que estava mais interessado que as pessoas jogassem os seus jogos, do que verdadeiramente em que hardware o jogavam, acrescentando:

O gaming será cada vez menos sobre ter hardware especifico para jogar um certo jogo, mas sim ter o jogo que preferes em qualquer aparelho que possuas.

Apesar que este tipo de negócio não deve tão cedo acabar com o hardware fisico que deverá continuar como opcional, a realidade é que o Streaming vai aparecer… e vai entrar em força. E estes dois grandes nomes dos videojogos estão aí a dizer isso mesmo!

E a realidade é que uma entrada progressiva, como alternativa ao hardware fisico até poderá permitir um serviço destes ir arrancando e preparar as bases para quando o mundo estiver pronto para ele.

Mas e neste momento?

Imaginemos que estes serviços apareciam em força. Será que o mundo estava preparado para eles?

A resposta é um rotundo não!

Apesar de as pessoas terem o hábito de tomar as suas realidades como as globais, a realidade é que nem todos vivemos numa grande cidade com um bom acesso à internet. Aliás, mesmo a poucos quilómetros dos centros de algumas cidades não temos já serviços fibra, sendo que o ADSL é a única alternativa existente, e com qualidades que podemos definir como “miseráveis”.

O streaming é um serviço que basicamente nos envia video… mas que não se pode limitar a isso! Ao contrário de video como o do Youtube, não podemos ter compressões elevadas. A qualidade da imagem tem de substituir a presença efectiva do hardware fisico. Ou seja, quando estamos numa determinada resolução temos de ter a percepção ao pixel que temos quando estamos com a consola real. Não fazer isso seria um downgrade face ao que existia anteriormente, e que levaria as pessoas a não adoptarem estes serviços.

O que isto nos mostra é que os requerimentos para um serviço destes tem de ser de tal maneira que consigam passar uma imagem com elevada qualidade, e com uma margem de manobra tal que a velocidade existente consiga compensar as variações de performance/velocidade da internet, mantendo a experiência com uma qualidade constante.

Para termos uma ideia do que um serviço destes requer, vamos analisar as exigências de um que esteja já em funcionamento, o Geforce Now!

Ora este serviço requer uma largura de banda mínima de 15 Mbps para 720p a 60 fps!

Passando para 1080p aumentamos a resolução em 210%, mas o no entanto o serviço não nos exige a mesma percentagem no aumento da largura de banda, ficando-se pelos 25 Mbps para 1080p a 60 fps.



Ora estas resoluções, quando estes serviços entrarem em força, estarão obsoletas, e os 4K HDR serão standard. Nesse sentido, acrescentando largura de banda para aguentar com os dois, será expectável que facilmente sejam necessários algo entre os 40 e os 50 Mbps.

Está o mundo preparado neste momento para essas velocidades?

A Consumer Technology Association pode-nos ajudar a responder a isso, e isto graças ao seu estudo de velocidades de internet pelo mundo que revelou agora a 23 de Fevereiro de 2018. Este é um estudo que não só abrange as velocidades das internets ficas, como das moveis, e acima de tudo fala do custo associado às mesmas.

Vejamos:

Banda larga Móvel

A melhor média para banda larga móvel é obtida no Reino Unido, com 26 Mbits, seguida pela Alemanha com 24,1, a Finlândia com 21.6, a França com 17.4. Surgem depois empatadas a Dinamarca com o resto da União Europeia com 16.6 Mbits.

Infelizmente no que toca ao resto da União Europeia, onde Portugal se inclui, o valor é uma média, sendo que Portugal certamente contribuirá com um dos valores mais baixos do grupo!



Seja como for, por aqui já perceberam a ideia… a banda larga móvel, para além de cara e com limites de tráfego, não chega para um streaming!

Chama-se ainda a atenção que nos 10 melhores, os Estados Unidos, locais onde se propõem iniciar todos estes serviços, nem sequer aparecem!

Vamos ver a banda larga fixa!

Banda Larga Fixa

Certamente os resultados que vão ver aqui vão deixar muitos de boca aberta pois certamente esperavam outros resultados, ao acreditar que a sua realidade era global!

Como podem ver olhando para o gráfico o líder é a Coreia do Sul… com 28 Mbits, sendo que o segundo lugar, ocupado pela Suécia fica-se pelos 23 Mbits.

Os Estados Unidos aparecem aqui, em 7º lugar, e com algo perto dos 20 Mbits…

Surpresos? Certamente estão!

E se duvidam destes valores, porque não visitar um outro estudo, desta vez do Akamai que referia que em 2017 este valor era de 18.7 Mbits.

Basicamente o mundo não está pronto para o Streaming. De uma forma geral, o mundo não está verdadeiramente pronto para qualquer tipo de dependência da internet que sobrecarregue as redes de uma forma radical.

E isto quer-nos  parecer que se há quem pense em acabar com as consolas com hardware físico tão cedo, então esse alguém estará certamente a meter a carroça à frente dos bois.

Diga-se aliás que com esta realidade mundial de velocidades, e que nem sequer aborda questões de limites de tráfego, de velocidades máximas e mínimas (apenas médias) e de fiabilidade da internet, ver empresas a quererem ficar dependentes da internet, especialmente numa altura onde a neutralidade da internet foi abolida, e podem-nos forçar a pagar mais por usos específicos,  também nos parece um passo maior que as pernas.

 



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Júlio Esteves
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