Os motivos porque a Cloud pode ser um forte argumento para a Xbox One.

Já várias vezes aqui referimos a Cloud da Microsoft associada à Xbox One. E se por um lado criticamos o marketing a ela associado que tenta fazer ver a Cloud como uma potencial fonte de potência adicional para a Xbox One, há efectivamente outras componentes onde a Cloud pode ser verdadeiramente vantajosa.

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Durante muito tempo, e no âmbito do debate das diferenças de performance entre a PS4 e a Xbox One, a Cloud surgiu como uma potencial fonte de performances adicionais para a consola. E a essa situação nós chamamos Marketing.

Efectivamente solicitar o processamento de situações de baixa latência como animação de água ou de árvores, a processadores remotos é, a nosso ver, mero marketing. Não só a situação teria de ser apenas facultativa, uma vez que a Microsoft removeu a obrigatoriedade da ligação Web permanente, e não podendo ser algo penalizador das consolas não ligadas, como na realidade se algo pode ser rendido remotamente, também pode ser pré-rendido. E dessa forma não podendo as animações gráficas ser verdadeiramente dinâmicas uma vez que a latência na obtenção de dados na internet é alta, não conseguimos ver verdadeira vantagem na situação. E muito menos uma vantagem que consiga sequer ser minimamente aproximada dos supostos 50% de potência adicional que a gráfica da PS4 pode oferecer.

Ou seja, por essa perspectiva, e até prova em contrário, qualquer referência à Cloud é por nós vista como mero Marketing.



Mas no entanto uma Cloud é muito mais do que isso. E há efectivamente situações onde deslumbramos claramente grandes vantagens na sua existência.

Efectivamente a Cloud da Microsoft, de nome Azure, é uma grande Cloud. É mesmo das maiores do mundo, e desde 2009 que a Microsoft investe milhares de milhões de dólares na mesma (o investimento vai em 8.6 mil milhões de dólares), continuando em expansão. Basicamente quase que se poderia dizer que com excepção da Google, ninguém possui uma Cloud como a Microsoft.

Ora com a Xbox One a Microsoft deu acesso aos criadores de software à sua Azure Cloud. O que podem eles, e a Xbox One ganhar com isso?

Na prática é muito simples: Servidores estáveis e dedicados para os jogos Xbox One.

A questão é que os jogos multi jogador requerem servidores. E estes servidores tem custos! Assim sendo torna-se impraticável para pequenas empresas, que até podem possuir a capacidade técnica para realizar jogos multi jogador online, suportar financeiramente o custo de servidores de jogos que não possuem ainda nome no mercado, e cuja adesão aos mesmos é uma incógnita.



E esse é um problema que quase se resolve com a Azure.

Até ao momento a solução passava pela criação de servidores virtuais nas máquinas dos próprios jogadores. Essa é uma solução viável e com custos nulos, mas uma solução que possui problemas diversos por ficar dependente de factores que não podem ser controlados, como o lag, a qualidade da ligação e a largura de banda disponível.

Basicamente com a Azure o custo de desenvolver para a mesma será nulo. Naturalmente não será obrigatório que todos os jogos possuam servidores dedicados, o certo é que estes não requereriam investimento por parte do criador do software que poderá não ter a disponibilidade para adquirir ou alugar milhares de servidores dedicados.

Mas quer isto dizer que o uso da Azure é gratuito? Não, não é, mas o custo do seu uso comparado com os alugueres nos servidores da Amazon ou do Rackspace será bastante inferior. Depois não é só os custos de largura de banda, mas dos servidores dedicados e mão de obra para manutenção que pequenas empresas não conseguem suportar.

Esta é a grande vantagem do Azure. A potencialidade de oferecer aos produtores recursos que de outra forma estes não teriam acesso.

Depois vem a questão de a Cloud lhes permitir melhorar a IA, a física e muito mais. Mas aí voltamos ao mesmo. Não há nada nesse campo que a Cloud ofereça que as actuais estruturas de servidores também não possam oferecer.

Seja como for, esta situação pode dar à Xbox One uma tremenda vantagem em jogos que efectivamente necessitem de servidores remotos. Servidores capazes e em quantidade podem criar uma infra-estrutura para os jogos como nunca existiu antes. A questão é até que ponto efectivamente a Microsoft, com esta política que rapidamente a ao final de algumas centenas de jogos poderão exaurir os recursos disponíveis, estará disposta a continuar a ceder recursos em quantidade. Afinal estes servidores custaram 8,3 mil milhões de euros, e a cedência de parte dos mesmos para serem usados nos jogos da Xbox One, significará a colocação de vários milhões de dólares adicionais no custo da consola. Dólares esses poderão tornar difícil a viabilidade do produto, particularmente dada a sua actual difícil situação face à PS4.

Até que ponto esta situação trará vantagens directas ao utilizador é difícil de se ver, excepto no facto que desta forma mais e mais jogos terão suporte online. E tal poderá ser uma forma de a Microsoft acabar por ligar toda a gente à internet sem impor a ligação obrigatória.



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