Peter Moore recorda-se do quanto festejaram quando a Sony apresentou o preço da PS3

A Microsoft festejou à gargalhada quando a PS3 foi apresentada mais cara que a Xbox 360. A Sony terá agora feito o mesmo quando a Microsoft apresentou o preço da Xbox One.

peter-moore

É curioso como o início da anterior geração foi o exato oposto da atual. A Sony lutou para que a PS3 vendesse e sofreu de terríveis decisões a nível de relações públicas. Tal e qual acontece atualmente com a Xbox One.

Da mesma forma na anterior geração houve uma diferença de preços nas consolas, com a PS3 a ser a mais cara das duas. Basicamente o preço de lançamento da PS3 foi uma pedra no sapato da Sony. Tal e qual o foi o preço de lançamento da Xbox One para a Microsoft na atual geração.

Em 2006, Peter Moore era o responsável pela Xbox e este afirmou em entrevista à IGN como se recordava do momento em que a Sony anunciou um preço mais alto para a sua consola comparativamente à Xbox 360.

Moore recorda os princípios básicos que geriram o lançamento da Xbox 360.

Primeiro precisamos de acertar no nome correto para a coisa, depois precisamos de acertar nas especificações, de acertar no controlador, e de acertar no marketing. Tínhamos de posicionar e de nos posicionar de forma única.

A frase que nos surgiu era que a Xbox 360 é uma experiência viva de entretenimento motivada a energia humana e isso pode soar a marketing. O elemento humano manifesta-se na Xbox Live mas a questão da experiência do entretenimento vivo iria ser mais do que jogos. Os jogos eram o núcleo, mas iria tocar música e eventualmente tocar filmes e essa era a diferença. Precisávamos de lançar primeiro, de acertar no preço, que o nosso portfolio fosse potente, precisávamos de fugir da ideia da consola de “shooters” o que era um desafio. Precisávamos de ser mais convidativos pelo que viemos com a frase “Jump In.”


Também me lembra quando na E3 de 2006, Jack Tretton e Kaz Hirai anunciaram a PS3 a$599 e ficamos todos nos bastidores em plena festa…hooo hoo! Sabíamos que tínhamos a oportunidade de sair na frente, ficar na frente e lançar os nossos jogos à frente para conseguir uma liderança. Como disse, o primeiro a atingir os 10 milhões, vence.

Analisando esta frase não se pode deixar de comentar e de questionar: Como é que uma empresa como a Microsoft, tendo consciência de tudo isto, cai nos erros da atual geração?

O nome da consola foi polêmico! Segundo alguns, não só One poderia dar uma ideia de quebra com a geração anterior, dando a perceber ser a primeira consola de uma série, como deu origem ao termo Xbone que muitos ainda hoje abominam. Mais ainda, alguns acreditavam que a designação One poderia dar ideia a quem estava por fora do assunto que estávamos perante uma versão anterior à xbox 360. No fundo questões que parecem de menor importância, mas que são efetivamente relevantes!

As especificações são igualmente polêmicas. Devido à necessidade imperativa de se implementar o Kinect que acabou por deixar de ser obrigatório, várias decisões acabaram por ser tomadas que prejudicaram a arquitetura final da consola. Devido ao Kinect a consola foi concebida de origem para 8 GB, algo que na altura da concepção era impossível de ser realizado com memória GDDR5. Daí a escolha polêmica da ESRAM que obrigou ao corte de alguns CUs na placa gráfica para que a dimensão e custo do silicone do APU não disparasse.

Depois a questão da experiência viva de entretenimento foi levada ao extremo na Xbox One. Foi aliás tão longe que na apresentação da consola a Microsoft perdeu 40 minutos a falar de TV e apenas 20 a falar de jogos. E o produto era suposto ser uma consola de jogos. Claramente a empresa não passava a imagem de uma consola onde os jogos estavam no seu núcleo (acima de tudo).

Finalmente a questão do preço. A inclusão do Kinect foi um erro fulcral. E associado a políticas de DRM que aparentavam mostrar um total desrespeito pelo consumidor, a Microsoft lança uma consola mais cara… e mais restritiva.

Como refere Peter Moore perante essa realidade:

E tudo o que sentimos e nos criticaram há dois anos… foi o sentimento oposto do que tínhamos tido antes.

Publicidade

Posts Relacionados