Phil Spencer sugere que Xbox One possa vir a ter atualizações de hardware.

A consola com upgrades poderá estar aí. É a Xbox One, e assemelhar-se-à em tudo a um PC no que toca a evoluções.

As consolas, ao contrário dos PCs, sempre tiveram, históricamente, um hardware fechado, o que significa que ao longo da sua vida o seu hardware se mantêm inalterado, sendo as atualizações apenas no software quer com melhorias no uso de técnicas, quer na libertação de recursos hardware, de forma a faze-la funcionar mais eficientemente. Diga-se aliás que devemos às consolas e à necessidade de optimização do software para os seus recursos limitados, muitos dos avanços nas técnicas de programação atual e melhorias de performance obtidas puramente à base do software e não das melhorias do hardware.

Mas os planos da Microsoft passam por diluir esta linha histórica separadora da consola e PC, criando algo diferente do que existe à várias décadas e que sempre se revelou uma formula de sucesso.

Durante o evento de apresentação da primavera que se realizou em são Francisco na semana passada, O chefe da Xbox, Phil Spencer veio detalhar os planos da unificação da empresa no que toca à Xbox e o PC equipado com o Windows 10, criando uma plataforma que será um ecosistema para correr as aplicações universais Windows.

Ora este passo para aplicações universais que funcionam no PC e na consola podem mudar drasticamente o modelo de consola que conhecemos, e esta é certamente uma medida arriscada pois ficará completamente nas mãos da aceitação do mercado que como sabemos, continuará a ter a antiga formula já comprovada como oferta vinda da Sony e Nintendo. É uma alteração que poderá ser bem sucedida na captação de novos mercados, mantendo parte do existente, mas que vai mexer com a base instalada que tem sido o suporte das consolas ao longo de décadas, e que poderá, em parte, não ser bem receptiva à ideia.

Publicidade

Retomando o nosso artigo

Spencer explica que outros produtos de consumidor, como os Smartphones, possuem ecosistemas que recebem atualizações regularmente, bem como veem mais inovação de hardware, mas que este não é o caso com as consolas que possuem hardware fixo e software especializado que não mudam muito durante o seu ciclo de vida (entre 5 a 7 anos). Daí que surge a ideia da Microsoft de separar o software do hardware em que corre! Phil deixa ainda bem claro que a Xbox One se poderá tornar num modelo como o do PC ou smartphones que possuem versões atualizadas lançadas de forma regular. As futuras versões da consola terão assim hardware melhor e mais poderoso, quer a nível de CPU, quer de GPU. Phil Spencer acredita que tal trará mais inovação do que nunca!

Curiosamente o que a Microsoft propõem é tornar uma plataforma de custos controlados e em que o investimento é de 5 a 7 anos, em algo de custos abertos com investimento de periodos muito mais curtos (se formos comparar com os exemplos dados do PC e Smartphones, estamos a falar de lançamentos de atualizações anuais). Resumidamente, em vez de uma consola custar 500 euros para 5 ou 6 anos, passará a custar 500 para periodos bem menores (1,2 ou 3 anos), ao fim dos quais o consumidor terá de gastar outros 500 para uma nova, tentando impingir o “chaço velho” a terceiros se quiser diminuir os custos. Ou seja, a Microsoft quer tornar o mercado Xbox num mercado de upgrades e investimento constante, algo de radicalmente diferente do existente.

Segundo a Microsoft, a alteração criaria uma plataforma onde a retro-compatibilidade estaria garantida (curiosamente, apesar de promessas semelhantes, esta empresa que não garantiu a retro-compatibilidade do DirectX nas suas próprias plataformas Windows para vender as versões mais recentes do OS, alegando questões técnicas e evolutivas naturais. Questões estas que o Vulkan, que fará o mesmo que o DirectX 12 não apresenta ao garantir funcionar no Windows 10, 8.1, 8, 7, Vista e mesmo XP, desde que equipados com hardware capaz). Assim o hardware poderia ser atualizado e o software continuava a ser garantido (apesar de tal criar sérios entraves a futuras inovações como a apresentada pelo DirectX 12/Vulkan que tiveram de se livrar da retro-compatibilidade com hardware mais antigo para poderem apresentar as suas inovações).

Publicidade

Retomando o nosso artigo

Curiosamente a Microsoft refere que um sistema unificado como este garante o cross play entre aparelhos diferentes, bem como permite aos criadores criar software para toda uma plataforma. Tal é demonstrado por Gears of War: Ultimate edition onde os jogadores de Xbox One e PC jogam juntos no modo multijogador. E claro teremos Quantum Break que dará aos possuidores Xbox uma cópia da versão do jogo para Windows 10 (cross-buy), por tempo limitado.

E porque referimos que esta situação é curiosa? Porque na realidade, ao contrário do que a Microsoft tenta vender, a plataforma não precisa de existir para que o cross play exista. E ele apenas não existe na Xbox One atualmente porque as políticas da Microsoft o impedem.

Mas por seu lado, a PS4, não possuindo qualquer compatibildiade em comum com o PC, permite-o. Eis alguns jogos que o fazem ou já anunciaram o cross play entre a PS4 e o PC:

Publicidade

Retomando o nosso artigo

War Thunder
DC Universe (desde 25 de Janeiro de 2016)
Street Fighter V
Rocket League (a versão XBox One é posterior e não permite Cross Play com o PC).
Nebula Realms
Final Fantasy 14
Fantasy Star Online 2

Já quanto ao cross-buy, nunca houve qualquer impedimento ao mesmo. Bastava oferecer.

Mas toda esta revoluçãonão surgiu do nada. Quem esteve atento percebeu que ela está a ser preparada pela Microsoft desde o anuncio do DirectX 12, tendo a Xbox One recebido uma versão deste API, bem como uma atualização do seu OS para o Windows 10.

Esta situação é certamente uma alteração radical de tudo o que conhecemos sobre consolas e de como elas são libertadas ao público. Não se sabe ainda quando novas versões da Xbox One serão lançadas, e talvez até nem o faça. Afinal se há algo que sabemos que a Microsoft tem feito com esta geração de consolas é mudar de acordo com as reações do público. E basta que o mercado dê indicações claras de desagrado para que as coisas mudem.

Falta é saber se no geral a coisa será bem ou mal vista. O mercado das consolas poderá ter desagradados, e o do PC tambem, mas no que toca à aceitação global a coisa é uma incerteza.

Publicidade

Posts Relacionados