Porque deixei de confiar na Sony e na Microsoft?

Cada vez mais as atitudes das empresas se tornam mais comerciais e menos amigas do cliente. E perante aquilo que propõem para as novas consolas a minha confiança na Sony e na Microsoft ficou tremendamente abalada. O que propõem agora passa pelo fim completo do conceito de consola que vigora à quase 40 anos.

A E3 2016 foi uma decepção para mim. Já o expliquei aqui!

Essa decepção veio do conhecimento das novas consolas e das suas políticas. Como já o referi em outros artigos, torna-se extremamente difícil acreditar que Neo e Scorpio serão apenas extensões para maior resolução da PS4 e Xbox One que nunca virão a ter exclusivos, e modelos perfeitamente opcionais que apenas trarão vantagem a quem tiver TVs com resoluções superiores.

Mas porque motivo não devemos acreditar nessas promessas? Por motivos diferentes!

Sony

Como este artigo deixa facilmente compreender, a facilidade da Neo em atingir os 4K, com jogos da qualidade da PS4, não existirá! E isso quer dizer que ou a PS4 sairá prejudicada, ou a NEO terá de oferecer algo diferente dos 4K. E isso pode passar por mais fps ou por mais efeitos gráficos, mantendo os 1080p da PS4. Algo bem diferente de uma consola que, conforme prometido, correrá exactamente o mesmo, mas a maior resolução.

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Por outras palavras, as especificações da Neo deixam bem claro que a Sony terá forçosamente de trazer outras vantagens para a sua consola que não seja o mero aumento de resolução (até porque não há TVs com resoluções intermédias entre os 1080 e os 4K). E isso significa um dividir da base de utilizadores, uma fragmentação de mercado, e uma oferta diferente, com o qual não concordamos.

A Sony também tem a sua boa quota parte de outras situações que levam ao desagrado.

O principal caso talvez seja mesmo a PSN+ da PS4 que deixou de ser tão livre como era na PS3, com muitos jogos a requerem-na. Como consequência as adesões aumentaram tremendamente. Mas o que temos tido? Comparado ao que se oferecia antes na era PS3… autêntico lixo! Indies e mais Indies, e não é por termos tido NBA 2K16 este mês que se altera uma realidade que já tem quase 3 anos.

A Sony pensou na sua Neo tal e qual a Microsoft pensou na sua Scorpio. Como novas consolas para vender e ganharem mais dinheiro. Ambas as empresas aceitaram de livre grado o terminar com as gerações, e a divisão da base de utilizadores. Daí que nenhuma das duas se mostrou melhor que a outra na altura de pensar nos consumidores que suportam as consolas deles sempre. E isso não é algo que se esqueça!

Microsoft

O caso da Microsoft é mais complexo:

Para além da empresa por diversas vezes na atual geração, ter feito promessas que não cumpriu (Funções TV – Que até deram o nome à consola, Kinect, Cloud que foram cancelados, arrumados ou ainda estão na gaveta), esta continua a aparentar andar sem um rumo definido, virando ao sabor do vento e sem sequer internamente haver informação capaz permitir coerência nas afirmações dos seus representantes, lançando ao consumidor mensagens contraditórias e sem sentido que só geram confusão.

Eis alguns exemplos:

O exemplo mais flagrante já foi bastante falado, e é algo que absolutamente ninguém consegue perceber. Como é que é possível apresentar-se a Xbox One S e pouco depois apresentar-se uma nova consola, 4.6x mais potente e que será lançada já para o ano?

Uma coisa é ter os produtos preparados para entrar no mercado e dizer: “Aqui está a nova versão da Xbox One. É uma slim, é mais pequena, possui a fonte embutida, e será vendida aos preços da atual Xbox, e aqui está uma alternativa mais potente, para aqueles que possuem TVs 4K e querem jogar os mesmos jogos nessa resolução, mas que será mais cara.” Apresenta-se os preços para ambos e o mercado decide!

Aqui nada disso aconteceu! Apresenta-se a Xbox One S, e depois, cerca de 40 minutos depois, apresenta-se um conceito abstrato de uma consola que sairá para o ano. E da qual a única coisa que se sabe é que será 4.6x mais potente, sendo apresentada com frases como “A consola mais poderosa do mundo“, “… uma consola que não tem fronteiras, que não tem limites“, “Quando vi as especificações desta coisa fiquei… Wow“, “… não se estão a conter em nada“, “…demos ao SOC 6 Tflops…“, “…o processador gráfico mais potente já colocado numa consola“, “A melhor resolução, o framerate mais alto… sem compromissos“.

E creio que não será preciso dizer mais nada! Porque só com estas palavras, será preciso que alguém que pretenda uma consola, ande muito desesperado para a comprar já, para sequer pensar em comprar uma Xbox One S, ou mesmo a Xbox One original nos próximos tempos.

Sim, a original e a S são mais baratas… há quem não possa pagar a Scorpio. E vão vender na mesma por isso! Mas tal não invalida que esta revelação tenha colocado sérios entraves nas vendas futuras da nova versão da consola. Porque quem já tinha o dinheiro para a One, e se conseguiu aguentar sem ela até agora, metendo-lhe mais algum em cima (e tem 18 meses para ir poupando), comprará depois uma consola que será bastante melhor e com muito mais futuro (aliás o futuro das atuais é, para nós, e neste momento, algo incerto).

Ah sim… e a Xbox One S prova a morte do Kinect. A consola não traz a porta de ligação para ele!

A nível de Marketing, foi das piores jogadas que já alguma vez vi. E veio de uma empresa que lida com profissionais de topo na área… Impressionante!

Mas o timming não foi a única coisa que foi má. Os representantes da Microsoft falam sem saberem exatamente qual será a realidade das coisas. Ou então até o sabem… mas não querem dizer de forma clara!

Após uma apresentação na E3 sob a temática “Beyond Generations”, onde se dá a entender de forma clara que a Scorpio será uma consola que se dedicará a correr a 4K os mesmíssimos jogos da Xbox One, não sendo assim uma concorrente directa à mesma, mas sim uma alternativa de maior qualidade, Shannon Loftis vem dar uma entrevista em direto da E3 no Youtube, onde vem contrariar tudo isso, dando a conhecer que os programadores são livres de programar exclusivos para a consola. – Fonte

No entanto, AAron Greengerg veio negar a situação com um Tweet que refere:

A coisa melhor do projecto Scorpio como parte da familia #XboxOne é que todos os jogos funcionarão, sem exclusivos Scorpio, pelo que ninguém ficará para trás.

O próprio Phil Spencer aparece posteriormente a confirmar as palavras de Aaron, numa entrevista à Eurogamer onde refere:

Possuis uma TV 1080p? Então deves comprar a nova Xbox One S pois a nova consola de topo Scorpio não fará nada por ti

Basicamente, e após terem prejudicado a Xbox One S com a apresentação da Scorpio, Phil Spencer vem dizer que a nova consola será cara, mas ou as pessoas possuem uma TV 4K ou tem de comprar uma para ver os benefícios. Porque sem ela a Scorpio não fará nada de diferente da One.

A questão que surge é: ????????? Que raio de palavras são essas?

Após a Microsoft ter condicionado as vendas da One com a apresentação da Scorpio, não será que as palavras de Phil Spencer, a serem verdade, condicionam igualmente as vendas da Scorpio? Com um mercado potencia de compradores extremamente reduzido face à realidade do 4K, se as coisas forem como Phil Spencer diz, a Scorpio afinal não interessará a muitos, ou então será um investimento que obriga à troca de TVs.

Apesar de ninguem ter tido a lucidez de não juntar a apresentação das duas consolas, aparentemente estas frases de Spencer fizeram clique na cabeça de alguem da Microsoft pois este veio posteriormente retratar-se da situação dizendo que quem tem uma TV 1080p, afinal poderá usufruir da consola. Com esta consola e a 1080p os jogos serão downscaled, o que permite que se beneficie graças a ele de um Anti Aliasing de elevadissima qualidade obtido de forma gratuita. E a consola ainda correrá um pouco melhor que a One. – Fonte

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Afinal… a Scorpio sempre faz alguma coisa a quem tem TVs 1080p! Mesmo que não tenha exclusivos. Más palavras Phil… Más palavras…

Mas na realidade, analisando o que foi dito na apresentação (revejam o video de cima), podemos concluir que a consola deverá ter jogos 1080p… e exclusivos. Basta avançar para perto do quarto minuto onde vemos a referência a suporte VR para jogos como Fallout 4 (a parceria com a Oculus Rift). E como sabemos? Porque o Oculus funciona a 1080p!

Ora com a One a não ter qualquer hipotese de ter suporte VR com a Oculus, estamos a falar de jogos ou versões de jogos para o VR que serão exclusivos da Scorpio. E isso implica não só adaptações de jogos que já existem, mas tambem jogos que irão ainda sair! E muitos jogos VR serão exclusivos VR!

Ou seja todas as declarações da Microsoft quanto a não haverem exclusivos Scorpio e à unicidade da plataforma está à partida negada, apenas olhando para aquilo que oficialmente já foi apresentado. Mesmo que só fossem exclusivos VR!

Lembremos-nos porém que esta é uma realidade que se aplicará à Neo tambem. Não se olhe nesta parte apenas para a Microsoft como estando a mentir, pois o artigo não é sobre a Microsoft, e do lado da Sony, como já referimos logo no início do artigo, pelo facto de a Neo ser supostamente menos potente, esta fará o mesmo. Aliás nos jogos que não chegarem aos 4K sob pena de a Neo não valer a pena, terá mesmo de fazer outros tipos de melhorias.

Mas no que toca à Microsoft, podemos ver desde já que há aqui claramente inverdades a serem transmitidas ao consumidor.

A prova definitiva de falta de orientação global é que dois dias antes de Phil Spencer dar a grande entrevista à Eurogamer, e onde este deixa claro que sem uma TV 4K a Scorpio não fará nada pois a consola limitar-se-à a correr os mesmos jogos, mas com mais resolução, este deu uma outra entrevista a Larry Hryb (aka Major Nelson)… e curiosamente aqui confiou as palavras de Shannon Loftis, deixando em aberto a possibilidade de os jogos Scorpio serem bem diferentes dos da versão da One. E de forma bem clara:

Nessa entrevista de 7 minutos, e entitulada “Phil Spencer discute a nova Xbox One S”, com 7 minutos e 56 segundos de duração, e onde se fazem ver as vantagens da S, a Microsoft cai no mesmo erro da E3, e ao fim de 2 minutos e 30 segundos, a conversa muda para a… Scorpio…

O que dizer? Dar um tiro no pé já é algo que dá o que falar… Mas dois seguidos… é de loucos!

Mas o pior é que, como referido, Phil se contradiz face à entrevista que dá dois dias depois, pois a partir dos 3m 15s Phil refere sobre a Scorpio:

É uma máquina de 6 Tflops, que será uma grande máquina para jogar a 4K, dando um frame buffer nativo de 4K para que possam ver os jogos em toda a sua beleza.

Ou, se os criadores quiserem usar os 6 Tflops de outras formas, são livres de o fazer.

A Microsoft parece não saber mesmo o que vai fazer! Ou os seus representantes falam demais e acabam por dizer asneiras! E ver o líder máximo entrar em contradições, a cancelar promessas passadas, e mesmo em constantes correcções não permite que se possa ter confiança no futuro que nos prometem.

Olhando para o passado vemos que a empresa investiu na consola Xbox One, depois passou o investimento para o PC, e agora volta às consolas com Scorpio. Mas não querendo perder a base da One, promete que a consola apenas será uma versão Elitista da One para quem quiser jogar a 4K. Mas depois deixa a ideia de que os jogos podem ser melhorados de outra forma! E metendo-se o PC à mistura, onde isso já é uma realidade, perceber-se que as coisas não serão como a Microsoft conta será algo bastante fácil.

Não é que isto nos surpreenda. O artigo está escrito exatamente para alertar que isso vai acontecer. Mas o que choca é que seja preciso andar a correr notícias e mais notícias, entrevistas e mais entrevistas, apanhando estas situações todas para se perceber estas incertezas, sendo que a mensagem transmitida pela Microsoft de forma aberta não é essa!

Aliás é nossa ideia clara que a Microsoft pretende mesmo matar as consolas. E isso passa pelo aniquilar da Sony para posteriormente poder largar a Xbox e ficar-se pelos PCs e o Windows 10, o produto que lhe interessa verdadeiramente impor no mercado uma vez que é ele que alimenta a empresa, ficando assim com o monopólio do Gaming.

Não fosse assim, como se poderiam compreender as palavras de Jeff Rivait, gestor de marketing da Xbox Canadá que nos vem dizer “A Xbox Scorpio poderá estar obsoleta dentro de dois anos“? –  Fonte

Porque das duas uma, ou a Microsoft tem de despedir muitos funcionários, o que, pelas últimas entrevistas, inclui Phil Spencer, pelas asneiras e contradições no que dizem, ou a empresa anda completamente à nora e ninguém se entende lá dentro. A alternativa é ficarmos com a ideia de que a Microsoft só possui um único objectivo. Matar as consolas, tornando-as em PCs.

Porque, quer se queira quer não, no apanhado de tudo o que foi feito, anunciar uma Xbox One S, condicionar as suas vendas com o anuncio de uma Scorpio, e vir dizer depois que a mesma daí a dois anos estará obsoleta é, de forma clara, empurrar os jogadores para o PC.

E ali, dentro de pouco tempo, quem já tem um bom PC com um bom CPU, pode equipar o mesmo com 12 Tflops de performance gráfica por apenas 400 euros (ou melhor se investir um pouco mais)… E 12 Tflops não estarão obsoletos dentro de dois anos!

Um investimento claramente superior!

Conclusões

Resumidamente… neste momento não acredito em nada do que me referem sobre as novas consolas. Seja da Microsoft ou da Sony, pois deixei de acreditar em mabas. Não vejo nelas uma preocupação com o consumidor como sempre existiu, mas apenas uma tentativa de vender consolas e mais consolas como quem vende telemóveis.

Mas infelizmente as consolas não são telemóveis, assim como os jogos não são grátis ou a 2 euros, mas sim pagos, alguns com mensalidades, e a 70 ou mais euros. Para além do mais, se o conceito de telefones novos todos os anos existe desde o aparecimento dos smartphones, o de trocar consolas a cada 2 anos nunca existiu e nem o consumidor destes produtos quer que exista!

Como consequência de tudo isto, neste momento estou mesmo a ponderar de forma séria o abandonar as consolas, apenas mantendo a PS4 e a Xbox One enquanto durarem, e voltando ao PC depois disso.

Afinal, neste momento possui um suporte fenomenal, é o mais potente de todos os sistemas e é a única máquina suportada pela Microsoft que ainda possui exclusivos (não que pense em continuar a comprar jogos da plataforma Xbox, pois a não ser que obrigado a isso, essa opção seria fazer exactamente aquilo que acredito que a Microsoft quer, os gamers consola no PC).

Para além do mais com upgrades a cada 2 ou 3 anos em consolas, estas deixaram de se distinguir de um PC, e isso era aquilo que mais me atraia nas mesmas, o hardware fixo que permitia optimizações extremas, e o não ter de investir mais nas mesmas por um longo período de tempo.

Mas isso… acabou! 🙁

Naturalmente pode haver quem pense de forma contrária. Mas como já disse antes, a questão não passa pelos que concordam, passa pelos que não concordam com tudo isto, pois se antes havia um mercado 100% feliz, com esta atitude o mesmo ficou dividido, e fans de consolas como eu ponderam mesmo deixar as mesmas de lado.

E no meio de tudo isto, é isso que é triste!

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