Porque motivo as baterias se estragam com a falta de uso, e como prevenir isso.

 

Com toda a certeza já tiveram uma situação em que resolveram reactivar um vosso velho telemóvel, armazenado com cuidado, e que se encontrava plenamente funcional na altura em que foi guardado, verificando agora que a bateria já não carrega ou está com uma capacidade de carga super reduzida. E essa até nem era uma situação existente na altura do armazenamento do telefone que até só esteve parado alguns meses.

Porque motivo isso acontece? O que leva as baterias a degradarem-se quando deixam de ser utilizadas de forma frequente?

Infelizmente as baterias são algo que possui uma vida útil que mesmo nas melhores condições nunca é muito grande. A bateria funciona à base de reacções químicas que se vão deteriorando com o tempo, perdendo assim capacidade de carga e, eventualmente, deixam de funcionar de todo.

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Numa bateria nova os iões fluem de forma livre entre um ânodo e um cátodo.  Carregar a bateria força os iões a deslocar-se do cátodo para o ânodo e usar a bateria faz com que os mesmos se movam em sentido contrário. Infelizmente a repetição deste ciclo causa desgaste no cátodo, o que resulta numa perda de capacidade de carga, e em média pode-se afirmar que a cada 1000 ciclos de movimentação dos iões uma bateria perde cerca de 20% da sua capacidade, mas esta situação não é matemática sendo que a qualidade dos componentes usados se revela de extrema importância para a durabilidade de uma bateria. Mas em média, 1000 ciclos correspondem a 500 usos com carga/descarga da bateria, o que num telefone que carregue diariamente, e considerando a bateria de boa qualidade, esses 20% de perca podem começar a verificar-se após cerca de ano e meio de uso.

Mas há que referir igualmente que as cargas erráticas e o sobre-aquecimento da bateria aceleram esta perda. Quer isso dizer que um telefone que gaste a bateria toda num único dia, mas o faça com 20 chamadas criará menor desgaste na bateria do que um outro que a gaste toda numa única chamada, e isto devido ao aquecimento excessivo a que a bateria vai ficar exposta. Da mesma forma um telefone que vá ao carregador por tudo e por nada vai ter maior desgaste que outro que vai com menos frequência. Estas são, naturalmente, situações que a prática pode parecer não indicar quando comparámos o nosso telefone mal tratado com o de um amigo bem tratado e que já tem a bateria em pior estado, mas recorda-se que por esta ser uma situação de desgaste químico, o processo não é exactamente igual de bateria para bateria, pelo que quando se abordam estes assuntos apenas o podemos fazer de uma forma geral e falando em médias.

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Mas a questão aqui é o motivo porque as baterias se degradam com a falta de uso. É que infelizmente os 20% de perda que referimos em cima não se verificam apenas com as cargas/descargas, mas também com a ausência delas. Se o telefone do exemplo de cima perde 20% da capacidade da sua bateria em um ano e meio, se o mesmo fosse armazenado com a bateria carregada, este perderia os mesmos 20% de capacidade em apenas um ano. E quem o afirma é uma empresa de testes a baterias denominada Cadex Electronics.

Este desgaste criado pelo armazenamento é igualmente influenciado por outros factores como a temperatura ambiente normal do local onde está armazenado, e que pode aumentar o ritmo de desgaste. Quanto maior a temperatura, maior o desgaste, uma situação em tudo semelhante ao desgaste causado pela temperatura da bateria quando a mesma está em uso.

Mas o maior problema das baterias é quando são armazenadas vazias. E esta é uma situação que acontece quase sempre uma vez que quando arrumamos o nosso telefone na gaveta não lhe retiramos a bateria, e como tal, mesmo que inicialmente carregada, o contacto com o telefone, mesmo desligado, vai acabar por drenar completamente a carga existente. Por esse motivo, ao ficar dentro do telefone, ter a bateria carregada ou vazia acaba a longo prazo por ser idêntico a um armazenamento com a bateria descarregada.

E as baterias descarregadas caem no que é chamado tecnicamente por “descarga profunda”, uma situação em que o circuito de protecção da bateria ,e que existe para impedir a energia de chegar a células de armazenamento defeituosas, se activa na totalidade da bateria, impedindo-a assim de voltar a carregar.

Se querem um conselho para armazenarem o vosso telefone e poderem activa-lo de nova sem problemas daqui a um ano ou mais, recomendamos que removam a bateria do interior do mesmo, mantendo o conjunto num local seco e sem grandes temperaturas. Idealmente a bateria deve ser armazenada nem cheia, nem vazia, mas com a carga à volta de 50%.

De salientar porém que mesmo com estes cuidados armazenamentos mais extensos como de 2, 3 ou mais anos não garantem que estas medidas sirvam para alguma coisa, mas seja como for, aqui fica o conselho.

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