Praticas da EA estão-lhe a sair caras

A situação prova que o mercado é o que é graças às escolhas dos gamers. Mas também mostra de forma clara que eles é que mandam no mercado, e que como tal não tem de aceitar o que lhes dão, mas podem impor o que querem. Basta unirem-se e votar com a carteira! E esta é a segunda vez nesta geração que essa demonstração de poder é usada!

Em 2013 a comunidade Gamer uniu-se a votou com a carteira contra a Microsoft e as políticas implementadas na Xbox One. Agora o mesmo sucedeu à EA e às suas práticas relacionadas com microtransações e loot boxes que se traduzem claramente na prática abominável do Pay 2 Win.

A resposta não se fez tardar e como consequência, mesmo tendo sido a situação passada em meados de Novembro, as águas ainda fervem para os lados da EA devido a toda a polémica ligada a Star Wars: Battlefront 2. A situação irritou a comunidade, e esta tem sido bastante verbal na revolta contra o assunto, com políticos a meterem-se no assunto, a Disney a intervir, e as acções da EA a cair.

Há aliás uma petição, já com 130 mil assinaturas que pede à Disney que remova os direitos da licença Star Wars à EA, acreditando que esta empresa está a fazer mais mal do que bem à imagem deste franchising de sucesso.

Depois as vozes, como não podia deixar de ser, são discordantes. Há quem refira que isto foi um cataclismo para a EA, há quem diga que isto nem sequer se pode considerar relevante. Mas tenham quem tiver razão, há coisas que não podem ser deixadas de ser constatadas por serem factuais. A EA está a pagar e a pagar forte e feio pelas suas acções.



Onde a situação se revela clara é nas suas acções. E apesar de sabermos que não se pode medir a realidade de uma empresa de forma pontual, ou apenas com o sucedido em um jogo quando empresas como a EA publicam jogos em quantidade, a realidade é que o Star Wars Battlefront 2 estava previsto como um dos jogos que mais venderia e mais lucros traria nas receitas da EA fora do mercado móvel.

A realidade é que, mesmo que este jogo não seja definidor só por si das performances da EA, uma análise ao mercado mostra que um número recorde de investidores comprou acções da EA a contar com que este jogo da saga Star Wars fosse um sucesso de vendas e uma gigante fonte de receitas.

Apesar que, mesmo com todos estes revés, o jogo certamente venderá, ainda assim, mais do que muitos outros jogos, os dados que tem vindo a público mostram que o jogo só pode estar a vender abaixo do previsto. Os dados do Reino Unido mostram que o jogo teve uma quebra de 60% nas vendas físicas face ao jogo do ano passado. Mas mais do que isso, há um claro indicador nas lojas que demonstra que há um boicote claro e preciso ao jogo. As fotos das prateleiras demonstram isso, com stocks acumulados por vender.

As fotos de baixo mostram prateleiras onde todos os restantes jogos esgotaram, mas Star Wars Battlefront 2 está por vender!



A comprovar as fracas vendas temos informações que o jogo está a ser vendido em alguns locais bastante abaixo do preço normal, e isto fora de promoções como a Black Friday. Se isso é pouco comum em jogos AAA, pior é num jogo Star Wars!

A comunidade ataca ainda o jogo em outros campos, como o metacritic, onde o jogo tem uma avaliação dos utilizadores de 0,9 valores.

Mas mais importante do que tudo é perceber-se que há reacção dos investidores e que as mentalidades dos jogadores foram atingidas com esta atitude. A controvérsia foi discutida em vários locais, em vários países, e há mesmo comissões a investigar o que aqui se passa, com a indicação que há já projectos lei a serem esboçados que planeiam proibir estas atitudes em jogos para menores de 21 anos. Basicamente, se alguém está ligado aos videojogos já ouviu falar da controvérsia!

O meu caso foi flagrante. O jogo estava na minha lista de comprar, juntamente com o NFS Payback. Mas ambos saíram dela por estarem feitos para abusar do jogador de uma forma ou outra. E a realidade é que no futuro irei estar de olho nos jogos da EA e nas práticas que ali existem. Até porque o que compramos vindo da EA não é necessariamente o que teremos durante toda a vida. Basta ver o Battlefield 1 e a forma como a EA alterou a jogabilidade do mesmo com os patches acrescentados.

Agora a EA está ou não a ser prejuízo com tudo isto? Vamos ver os números reais:

A polémica estourou a 13 de Novembro, O valor das acções da EA era cerca de 112.01. Sete dias depois estava a 107.64, e atualmente está a 103.45.

Para se perceber o que isto significa, quem comprou 50 acções da EA perdeu 428 dólares em três semanas. Quem tinha 500 perdeu 4.280, quem tinha 5 mil perdeu 42.280 dólares… 42 mil, 280 dólares. Quem tinha 500 mil perdeu quase meio milhão de dólares!

Naturalmente há argumentos que podem ser usados. As acções da EA estiveram este ano a 76.87 e subiram. Com altos e baixos subiram! E estas oscilações são normais no mercado. A questão aqui acaba por ser mais relevante por dois motivos. O primeiro é que estamos perante um lançamento de um jogo que deveria, à partida, atirar a EA para cima, e que acabou por a atirar para baixo, e segundo pelo facto que tudo isto está a ter consequencias enormes no mercado que se vão fazer repercutir no futuro.

E uma das maiores fontes de receitas da EA pode até vir a ser regulamentada, proibindo tudo que não sejam compras directas, mas meras hipóteses de sair, o que resultará num corte radical de muitos dos seus lucros.



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Carlos Filho
Visitante

Boa análise Mário. Creio que o caso da EA será benéfico para a indústria por conta da fúria com que os players se voltaram a ela. Players do mundo,unir-vos! Kkkk

By-mission
Visitante

Não é de hoje que é eleita a pior empresa do mundo, quanto a minha não levam um único centavo, já se passaram duas semanas a última vez que joguei Bf1. Aquilo está uma vergonha.

bruno
Visitante

Nesta geração ainda não tenho um único jogo da EA. O único que vou comprar é o Mirror’s Edge Catalyst, porque adorei o primeiro.

By-mission
Visitante

Se vier com qualquer sinal de treta (pay tô win, lootbox etc) não perdia meu tempo… Essa geração não comprei um único jogo da Bugsoft.