Privacidade com a próxima geração de consolas? Esqueçam-na!

A Sony também tem telhados de vidro no que toca à possível quebra de privacidade dos seus utilizadores. Mas apesar de tudo os termos da Microsoft estão escritos de forma que parecem mostrar mais remorsos pelo facto.

A Sony lançou uns novos termos de uso relativos à Playstation 4, e nele revela que, tal como a Microsoft o havia feito antes, pode monitorizar e gravar a actividade na PSN, incluindo conteúdo de comunicações texto e voz.

Mais ainda a Sony refere que esta informação pode ser usada pelas empresas associadas à Sony, de acordo com o permitido por lei, em protecção dos direitos da Sony e dos seus utilizadores, para proteger a segurança pessoal de empregados e utilizadores e para garantir o cumprimento dos termos de serviço.

Acerca da monitorização online, a Sony refere que não pode monitorizar toda a actividade da PSN, e que não pretende fazê-lo.



No entanto reservamos o direito de, à nossa discrição, monitorizar e gravar toda a vossa actividade na PSN e remover qualquer do vosso UGM (media gerado pelo utilizador) à nossa discrição, sem qualquer aviso.

O vosso uso da PSN e das nossas características de comunidade podem ser gravadas e colectadas por nós, ou enviadas a outros utilizadores como descrito no ponto 13.1. Qualquer informação colectada desta forma, por exemplo, o vosso UGM, o conteúdo das vossas comunicações voz e texto, vídeos do vosso jogo, a hora e localização das vossas actividades e o vosso nome, o vosso ID online na PSN e endereço IP, podem ser usados por nós ou nosso afiliados para garantir estes termos e os Termos de Serviço da SEN (Sony Entertainement Network), para obedecer ao disposto na lei,  protecção dos direitos da Sony e dos seus utilizadores, para proteger a segurança pessoal de empregados e utilizadores . Estas informações podem ser passadas à polícia ou outras autoridades apropriadas. Ao aceitarem estes termos de serviço, vocês expressamente consentem que tal aconteça.

Os termos referem ainda que o software é apenas licenciado e não vendido, o que quer dizer que o utilizador apenas adquire os direitos de uso e não de propriedade do software. Mais ainda os termos referem que os utilizadores não podem re-vender os seus jogos em disco ou downloads sem autorização da SONY.



Por outras palavras, se os termos da Microsoft eram claros a mostrar que a privacidade dos utilizadores não existia, a da Sony é igual. Aliás, para todos os efeitos, pela escolha de palavras e frases, os termos da Sony parecem bem piores, uma vez que a referência à monitorização e gravação à discrição da Sony parece menos definida e clara que a da Microsoft .

Se a parte do adquirir apenas os direitos de uso de um jogo pode ser explicado como normal (o utilizador compra o jogo para jogar, mas não possui direitos sobre o código contido no BD), e a parte da venda ser algo que a Sony já usa nos seus termos desde 2009 – Citando esses termos actualmente em vigor: “You may not resell Game Software unless expressly authorised by Sony Computer Entertainment Europe” -, o verdadeiro problema está na forma pouco clara e não definida como a Sony refere que pode aceder a dados privados, sem referir como ou quem o pode fazer, e alegando que o fará à sua discrição.

E esta aparente liberdade sem restrições para uma acção violadora dos direitos à privacidade das pessoas, parece no mínimo, chocante e ilegal.

É que sem uma definição clara dos motivos que podem levar à quebra dos direitos de privacidade, estes termos dão a entender que qualquer mero funcionário da Sony que nem sabemos quem é, pode aceder e gravar comunicações pessoais e privadas.

É certo que estes termos são, no global, em tudo semelhantes aos da Microsoft com a Xbox One, mas há uma grande diferença: a forma como estão escritos, e que no caso da Sony parecem tomar a privacidade das pessoas como banal e algo que a empresa pode, por mera vontade de um funcionário que acorda mal disposto, aceder e visualizar, sem que o utilizador tenha depois qualquer argumento para actuar legalmente.

Uma coisa é a NSA aceder a dados para segurança nacional, outra é tal ser feito por um funcionáriozeco qualquer, sem real motivo e apenas porque os termos lhe permitem que a Sony aceda “à sua discrição a esses dados”. E sinceramente, com o uso das palavras “à nossa discrição” essa é a ideia que me passa ao ler estes termos.

 

 

 



Posts Relacionados