Quantum Break: Análise

Quantum Break é o jogo do momento na Xbox One. Eis a nossa opinião sobre ele!

Nota: A leitura desta análise não é recomendada a quem não acabou o jogo pois a mesma pode conter “spoilers”. Algumas imagens são gifs animados e podem demorar a carregar.

Introdução

Quantum Break é mais um jogo da Remedy e baseado naquilo que a empresa sempre soube fazer tão bem, a manipulação do tempo. Neste caso a história conta-nos a história de Jack Joyce, uma personagem cujo passado é algo desconhecido, mas que em visita à universidade onde o seu irmão Will trabalha vem a descobrir os trabalhos desenvolvidos na criação de uma máquina do tempo, e graças a um incidente, vem a ganhar poderes temporais que o vão ajudar no resto de toda a história.

A história

O jogo baseia-se numa premissa curiosa, a de que aparentemente existem várias linhas temporais, e que todas podem ser percorridas, mas que no entanto tal é apenas uma ilusão pois o destino das coisas está traçado, e dê por onde der, as coisas vão sempre acabar por ser o que estava definido.

E o jogo mostra-nos isso com grande mestria. Ao longo do jogo podemos tomar várias decisões que alteram o curso da história, mas a realidade é que independentemente das decisões tomadas, tudo vai sempre parar no mesmo sítio. E nesse aspecto a história está absolutamente fenomenal, com decisões de vida ou morte, mas que no final acabam sempre por dar no mesmo, e independentemente de algumas personagens poderem ou não morrer nessas linhas alternativas, no final… nada de alterou. E sem ninguem ressuscitar ;). Ou seja, mesmo que certas personagens tenham morrido no passado alternativo, isso não altera a sua realidade naquilo que foi, ou é, o presente. Isso porque o destino está marcado!



Confusos??? Pois… aí está a mestria da história. E para a perceberem… terão mesmo de jogar!

Os episódios TV

Acréscimo: Este capítulo foi corrigido fazendo reflectir a realidade que é possível revisualizar-se os episódios após a sua reprodução, algo que inicialmente não nos apercebemos ser possível.

Ora a história de Quantum Break é um dos seus ponto alto. Não é isenta de falhas, de partes desconexas, e mesmo de ausências de certos complementos que mesmo assim deixam no ar certas questões, isto apesar de a história do jogo ser desenvolvida a um nível muito profundo com a introdução de personagens que quase nem existem no jogo, mas que são tremendamente desenvolvidas nos episódios de TV que se desenrolam de acordo com as ações e decisões tomadas, e que se revelam importantes para a história. E nesse aspecto, apesar de só termos direito a 4 episódios durante todo o jogo, percebemos o motivo pelo qual estes episódios ocupam o módico espaço de 75 GB. É que eles variam conforme as escolhas, criando múltiplos desenvolvimentos.

Estes episódios são introduzidos após cada capítulo de jogo, tendo a duração de 22 minutos cada. Este é um ponto a ter em conta pois afinal 22 minutos ainda é um bom pedaço de tempo a despender sendo que a visualização dos episódios, apesar de não ser fundamental, é importante para a boa compreensão da história. No entanto o jogo deixa perceber de forma clara que o capítulo de jogo foi terminado e que vamos passar ao episódio, pelo que caso consigamos saber com antecedência que não vamos poder dispender os 22 minutos, não recomendo que se começe o capítulo. A alternativa é ter a consola no modo de arranque rápido (algo que nem todos tem por defeito), o que nos permite parar o video para depois o retomar quando religarmos a consola caso necessitemos de sair.

O grafismo

Quantum Break apresenta uma qualidade de modelação fantástica. Mas na realidade não é esse o factor que o distingue dos demais. Já vários jogos nos apresentaram modelações com elevada qualidade, e nesse aspecto, alguns até o superaram!

O que distingue Quantum Break dos demais é a qualidade da luz. A luz neste jogo está ultra realista, e quando associada à modelação cuidada existente o efeito torna-se quase foto realista.

No entanto, este grafismo e esta luz não conseguiram ser feitos sem sacrifícios. Como a equipa confirma, o jogo não era passível de ser realizado a 1080p nativos num hardware como o da Xbox One

Assim, a Remedy arregaçou as mangas e tratou de nos trazer aquilo que foi possível. Um jogo realizado a 720p que por uma metodologia de reconstrução temporal baseada em quatro fotogramas a 720p, reconstrói uma imagem a 1080p. O resultado é algo um pouco estranho, mas que rapidamente começa a passar despercebido. E apesar de não estarmos a ver um jogo 1080p nativos, com um aliasing e uma qualidade de imagem que ficam ao nível dos 720p, a definição de textos e objectos acabam por ficar num patamar bastante superior. Por vezes, parece mesmo que estamos com resoluções mistas no ecrã dado o detalhe de alguns pormenores que aparentam estar a 1080p ou bastante lá perto, mas onde a definição global da imagem não parece acompanhar.

Diga-se no entanto que é uma solução muito interessante, e que permite a Quantum Break correr a 30 fotograma bloqueados e sem perdas na Xbox One. Acaba assim por ser daquelas proezas que tanto gostamos, formas dos programadores, sacrificando um bocadinho aqui, um bocadinho ali, superarem aquilo que são os limites físicos do hardware. Algo que caracteriza e sempre caracterizou a programação optimizada das consolas e que raramente vemos no PC.

No entanto o realismo gráfico é manchado por outras questões. É que infelizmente há uma série de animações em falta, como é o caso de a personagem nem sequer se abaixar para apanhar as armas. Estas pura e simplesmente aparecem na mão. Se já tivermos uma arma na mão, a antiga e despejada para o chão aparecendo a nova na mão, e dá-se mesmo a curiosidade de mesmo que a arma que acabamos de largar ainda não tenha chegado ao chão já a podemos apanhar de novo. Isso quer dizer que com um pressionar do X constante temos uma animação onde novas armas vão aparecendo sequencialmente na mão da personagem, e largadas. É uma espécie de fonte, onde a personagem jorra… armas!

Mas pior ainda, mesmo que possuindo consigo duas armas de grande porte, a personagem não as transporta. As mesmas pura e simplesmente desaparecem quando retiradas das mãos, voltando a aparecer quando precisas. São pormenores gráficos associados à jogabilidade que são totalmente contraproducentes face à qualidade geral e realismo do grafismo apresentado.



O jogo tambem não é livre de bugs, especialmente relacionadas com a luz.

A jogabilidade

A jogabilidade é um saquinho de surpresas. E nem todas são exatamente boas!

A parte boa passa exatamente pela manipulação do tempo. A personagem pode criar bolhas que paralisam os inimigos e que podemos explodir (algo que se vai tornando menos útil com o passar do tempo), criar explosões sobre as personagens, criar uma bolha protetora de si mesmo, fazer pequenos troços em elevada velocidade, manter-se em elevada velocidade por algum tempo, podendo incapacitar inimigos durante o uso, e mesmo focar a mira com o tempo abrandado.

Apesar de no global estarmos perante aquilo que já vimos em tantos jogos, um jogo de tiro, estes poderem criam um variedade enorme e ajudam à diversão. O jogo torna-se interessante e original devida a tal.

Mas a jogabilidade é manchada por algumas situações: Um ponto fraco é o facto de a personagem disparar para o ponto de mira que está no ecrã. É irrelevante se a arma fica sobre o seu lado direito e a personagem possui a frente da mesma encostada a um pilar. Desde que o ponto de mira esteja desobstruído de objetos, os tiros passam através das paredes ou pilares, indo atingir o alvo. Isto associado a um sistema de cobertura dinâmico que se revela pouco satisfatório são pontos que mancham uma qualidade geral bastante elevada.

A física tambem deixa por vezes a desejar, com situações extremamente irrealistas, e outras fantásticas. Eis um mau e dois bons exemplos.

Mas a parte pior, e que mata completamente o ritmo e a vontade de jogar, prende-se com a repetição de níveis. Sempre que se morre o nível é recarregado, o que pode demorar algum tempo. Mas mais ainda, caso o início do nível possua alguma “cutscene”, o nível re-inicia-se sempre antes dela, obrigando a ver a mesma novamente. Na batalha final, que diga-se não é exatamente pera doce, especialmente nos modos mais difíceis, desesperei com o ter de voltar tudo ao início, mas ainda ter de ter a “cutscene” repetida em todas as vezes, sendo que passar a mesma à frente… demora o mesmo, ou até mais, que a cutscene pois o nível é carregado durante a sua reprodução.

Depois temos outras situações que vão cortando a jogabilidade. Por exemplo, no capítulo 4 apercebi-me que o jogo só nos deixa usar os poderes quando entende. Há alturas onde apesar de não haver nada que nos impeça de usar os poderes, eles nos estão negados. Sim, é certo que na maior parte desse capítulo não vamos precisar deles, mas mesmo assim, porque motivo não os podemos usar? Há uma “scriptação” muito grande no jogo que não é exatamente aparente até se explorar bem a coisa.

Mas defeitos à parte, a jogabilidade é boa. O jogo é muito extremamente interessante, original e oferece-nos diversidade (apesar que a nível de inimigos a diversidade aparece até ao terceiro capítulo, mas depois é a mesma coisa até ao fim), possui uma boa história e bom grafismo.

Tive infelizmente o azar de no final do quarto capítulo, a cena reproduzida (muito certamente video rendido com o motor do jogo) não reproduzir (e não dando para se rever, perdi-a). Apenas ouvia o audio, com o video bloqueado no primeiro fotograma. Não sei se é uma bug geral ou se foi um problema pontual, mas tive pena de ter perdido um pouquinho da história devido a isso.

Mas independentemente de tudo, este sem dúvida um grande jogo, um jogo que se recomenda, e acima de tudo uma das proezas técnicas da XBox. É um jogo que todos devem experimentar se quiserem ter noção daquilo que a Xbox One pode fazer, e que vos impressionará pela qualidade da luz e do grafismo.

Nota final

Esta avaliação e o que aqui é dito não será surpresa a quem já leu os nossos artigos introdutórios, nomeadamente este e este.

Análise: Quantum Break
Gráficoswww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
O jogo sofreu algum downgrade face aos video prometidos, mas mesmo assim o resultado final é pura e simplesmente fantástico. As modelações permitem reconhecer facilmente os actores, e todo o cenário é criado com elevado cuidado. Mas o ponto forte é mesmo a qualidade da luz que permite oferecer a todo o grafismo um efeito quase foto realista. É fantástico, mas infelizmente deitado abaixo por questões menos cuidadas como faltas ou falhas de animação que cortam o efeito de fotorealismo que o jogo por vezes tão excelentemente nos oferece, bem como por alguns atalhos gráficos que a equipa teve de tomar, bem como bugs de luz irritantes. Um patch não calhava nada mal.
Somwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Destaca-se da média pelos seus efeitos 3D e uso da tecnologia UMBRA, usando Raycasts para determinar onde o som é cortado e por onde se propaga. No entanto, apesar da tecnologia o resultado final não é verdadeiramente nada de assombroso ou que se distinga assim tanto da média face ao que outros jogos tem vindo a apresentar.
Jogabilidadewww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
Não é exactamente muito variada e dada a igualmente pouco variedade de inimigos repete-se até ao final do jogo. Mas no entanto é altamente divertida, e os poderes oferecem formas originais de abordarmos o problema. No fundo não é por aqui que o jogo peca, tornando-se este ponto valorizado pela originalidade do oferecido.
Atracçãowww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
O jogo oferece uma variedade de história enorme, com diversas ramificações possíveis. Apesar de no final a história acabar sempre da mesma forma, e de as consequências passadas não terem qualquer significado, as ramificações são variadas, e as escolhas podem significar a vida ou morte das personagens dentro dessa linha temporal. Há por isso o interesse em se repetir o jogo para se ver mais. Assim, o jogo não só atrai como parece oferecer interesse para ser repetido por algumas vezes para vermos todas as alternativas possíveis.
Overallwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.comwww.dyerware.com
As análises a este jogo parecem mostrar que o mesmo é susceptível a avaliações diversas, com as componentes menos fortes a pesar mais para alguns do que para outros. No entanto na nossa maneira de ver o jogo possui uma qualidade muito elevada, apesar de manchado por situações que certamente poderiam ser resolvidas ou pelo menos minimizadas. Mas no global a qualidade deste jogo mantêm-se intocada, pelo que o recomendamos seriamente pela variedade e riqueza da sua história e do seu grafismo.

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