Quantum Break e um colosso visual mas que desaponta em outras situações

Finalmente Quantum Break foi lançado ao público. E já o pudemos jogar! Eis as primeiras impressões.

Nota: O artigo que se segue é baseado nas primeiras impressões do jogo. O jogo não foi ainda jogado na sua totalidade, pelo que a perspectiva pode estar incompleta.

Percalços iniciais e de estrutura

Foi curioso ver ontem inúmeros dos meus amigos online na Xbox One, e todos eles a fazer o mesmo. A jogar Quantum Break!

Este era um dos jogos mais esperados para a Xbox One e finalmente ontem ficou disponível. Mas não sem alguns percalços!



O jogo vem num Blu-Ray de 50 GB, mas mesmo assim requer um patch inicial de um pouco mais de 4 GB, e isto para não falar que jogar o jogo obriga a um consumo de tráfego de internet de 75 GB adicionais relativos às sequências video (e nesse sentido recomenda-se a quem tiver espaço que as saque uma vez que o tráfego é o mesmo e ao menos podem ser visualizadas novamente sem consumos adicionais).

Ora este foi o primeiro ponto negativo do jogo. 75 GB + 4 GB de tráfego perfaz algo que ronda os 80 GB… Um valor que mesmo nos dias atuais é elevadíssimo. Não se justifica aliás que as sequências não sejam fornecidas com o jogo para instalação no disco forçando ao uso da internet e, mesmo para todos aqueles que, mesmo tendo internet, não possam dispor (e há vários motivos para isso) de 80 GB de download sempre que visualizam essas cenas.

Mas apesar de tal me ter atrasado o início do jogo, de forma a ter tudo preparado no disco local, ainda assim pude jogar o mesmo ontem.

Primeiro impacto

O primeiro impacto é… WOW! O grafismo arrebata imediatamente ao ponto de não se perceber se estamos a ver video ou se estamos a ver jogo. Está efetivamente assim tão impressionante!

No entanto, quando o motor do jogo nos liberta o controlo da personagem, apesar de a passagem entre as cutscenes (meu Deus a qualidade das modelações das faces é abismal) e o jogo ser perfeita, dá para perceber que a qualidade gráfica das modelações não está ao mesmo nível de antes. Basta para isso rodar a câmara para mostrar as feições da personagem, e vermos que esta está longe da qualidade dos videos, isto apesar de em muitas vezes a mesma ainda manter uma qualidade acima da média.

Eis o ator em video, em cutscene, e ingame.

Apesar que as linhas anteriores podem parecer uma crítica, na realidade elas são apenas uma mera discrição do que ali se passa, mas nesse aspecto não há que iludir, Quantum Break faz a transição entre o jogo e video como nenhum outro fez até hoje, e os resultados são pura e simplesmente fantásticos.

E nesse aspecto o jogo cativa imediatamente. A sensação de realismo é extrema graças à qualidade gráfica. E apesar de a resolução nativa ser apenas 720p, e isto apesar do output ser feito a 1080p devido a uns tratamentos inteligentes de imagem, a realidade é que a qualidade de imagem do jogo está fantástica. Pena no entanto que para a admirarmos no seu total esplendor tenhamos de parar a câmara e aguardar alguns fotogramas para que a resolução se componha.

Mas independentemente de tudo isso, os primeiros minutos do jogo surpreenderam-me como já à muito tempo um jogo não o fazia. A qualidade gráfica estava… de tirar o fôlego, e até custava a acreditar que o que estava a ver era um jogo de consola.



Entrando no jogo

Os primeiros minutos são cada vez mais impressionantes. A interação com as personagens, e alguns componentes dos cenários, a qualidade gráfica, da luz, das personagens, as animações, as expressões faciais, a integração com o video… WOW…

Mas o fascínio não dura sempre. Apesar de tal não ser perceptível mal começamos a jogar o jogo, assim que entramos em combate começamos a ver outros pormenores que matam o realismo que estávamos a viver até ali.

A personagem possui apenas os movimentos básicos de correr, andar e disparar, com o cover a ser automático e longe do que se faz de melhor atualmente, não se permitindo disparar às cegas e semdo apenas eficaz para se recuperar dos danos. E ao disparar… a posição em que a personagem segura na arma deixa algo a desejar pois nem há um esforço para apontar.

Pior ainda, a personagem apanha armas e munição como em jogos tipo Doom. Não há uma animação para a recolha da arma ou das munições, apesar que a mudança da arma requer que se pressione o X durante alguns segundos. Mas nem por isso há uma animação da personagem a alcançar a arma, ela apenas nos aparece na mão. E o mesmo se passa com a troca de armas.
Ao contrário de jogos como Uncharted 4 ou Metal Gear Solid 5, entre outros, a personagem não transporta as armas que possui, mudando entre elas com uma animação. Elas pura e simplesmente desaparecem quando não estão em uso, e aparecem nas mãos quando chamadas.

Mas pior ainda, o disparo é feito sempre para o ponto de mira que está no ecrã, não havendo o cuidado de verificar a trajetória da bala entre a arma e o alvo e a presença de objectos entre os dois. Isso quer dizer que mesmo que a personagem esteja claramente atrás de um objecto, se esse ponto de mira estiver livre, as balas vão ter ao alvo, mesmo que atravessem objectos para o fazer. São atalhos pouco perceptíveis nas mecânicas para um jogo que tanto primou pelo realismo visual.



Apesar de muitos, mas mesmo muitos jogos fazerem isso, eles não conseguem ou apontam para o realismo visual de Quantum Break, não escondendo o seu estilo arcada, e daí que neste caso esta situação salte mais à vista. O realismo visual é de tal maneira quenos esquecemos mesmo que estamos num jogo. Mas infelizmente, essas situações recordam-nos disso a cada momento, e isso não era esperado num jogo que se preocupou com o detalhe a este nível. Infelizmente apenas na parte visual.

Outra situação que surpreende pela negativa é física dos objecto, nomeadamente no que toca ao seu peso. A personagem em corrida ao bater contra uma cadeira projeta a mesma vários metros para a frente. E se numa cadeira até poderíamos esquecer isso, quando vemos a personagem a bater contra um chassis de uma viatura em ruínas com um peso de várias centenas de quilos, e esta a ser empurrada como se fosse de esferovite é certamente decepcionante.

Quanto à jogabilidade… para já é difícil de dizer. O jogo ainda se limitou a apresentar novas mecânicas e poderes. Daí que a fase de deslumbre ainda está activa e como tal é cedo para dizer.

No global Quantum Break impressiona e muito, mas se retirarmos a história e os visuais ao jogo, o que ali está… não é exatamente nada de inovador ou de excelentemente implementado com as mecânicas de jogo a sofrerem de bastantes atalhos. Mas misturando tudo, a qualidade gráfica e a história são de uma qualidade tal que atiram a média para cima!

Pessoalmente gostei do resultado final, considerando-o bastante positivo, mas os desiquilíbrios de qualidade entre as várias componentes do jogo estão lá e são uma realidade.



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