Redes: Divulgação de informação ou Big Brother global?

A internet, as redes Wi-Fi e 3G/4G mudaram o mundo permitindo maior partilha de informação do que nunca. Mas infelizmente tal trouxe um problema aos governos de certos paises que tentam agora arranjar forma de espiar tudo o que podem. E o actual escândalo com a NSA serve apenas para relembrar uma realidade. Tudo o que está ligado a uma rede é passível de ser espiado.

Big-brother

Em 1949 George Orwell publicou um livro de nome 1984 e no qual o autor descrevia um mundo onde todas as pessoas eram constantemente vigiadas pelas autoridades, nesse mundo fictício as pessoas eram lembradas constantemente dessa realidade pela frase constantemente repetida “O Big Brother está-te a ver”.

Desde essa altura o termo Big Brother entrou no léxico mundial como um sinónimo do abuso do poder governamental, particularmente no tocante aos direitos civis e à vigilância em, massa.

Mas infelizmente, apesar de ainda estarmos longe dos extremos que George Orwell descreve no seu livro, a realidade é que, ao que tudo indica, caminhamos a passos largos para lá. E a criação de redes de informação e comunicação parecem ser o caminho ideal para que atinjamos uma total e completa vigilância em massa do mundo por parte dos governos.



Curiosamente os primeiros passos para essa realidade eram dados 3 anos antes da publicação do livro de George Orwell, com o acordo de UKUSA assinado entre os Estados Unidos e o Reino Unido, e que mais tarde se estendeu ao Canada, Austrália e Nova Zealandia. O objectivo: A partilha de informações entre governos num acordo tão secreto que, alegadamente, só em 1973 o primeiro ministro Australiano teve conhecimento da existência do mesmo, apesar de este estar em efeito.

Associado a este acordo, surge pela primeira vez em 1960 o termo ECHELON, um sistema global de intercepção de comunicações comerciais e privadas criado para permitir a monitorização de comunicações militares e diplomáticas entre a União Soviético e o seu Bloco de Este durante a guerra fria.

Em 2000 e 2001 as capacidades do sistema ECHELON e as suas implicações políticas foram investigadas por um comité do parlamento Europeu, sendo que o mesmo referiu no seu relatório que o mesmo se tratava de um sistema de recolha de informação capaz de interceptar a analisar conteúdos de chamadas telefónicas, faxes, e-mails e todos os outros tipos de tráfego global criado

James Bamford, um escritor famosos pelos seus livros e especializado no estudo das metodologias da National Security Agency (NSA), descreveu o sistema como o software que basicamente controlava toda a recolha e distribuição de telecomunicações civis, e apesar de inicialmente se acreditar que o sistema apenas conseguia interceptar comunicações satélite, testemunhos perante o parlamento Europeu revelaram que este era capaz de interceptar comunicações independentemente do meio usado, satélite, microondas, rede celular ou fibra-optica.

Tudo o descrito mostra a simples realidade. A espionagem existe, e as comunicações dos privados são analisadas a partir do momento em que entrem numa rede de comunicações. A privacidade, algo que tanto prezamos e que legalmente deve ser mantida, de nada vale perante estes sistemas.



Curiosamente, em 2011 o FBI admitiu publicamente que possuía a capacidade de escutar qualquer conversação telefónica. Mas mais ainda possuíam a capacidade de aceder ao telefone, quer este estivesse ligado ou desligado, e aceder à sua geo-localização usando o seu GPS interno, ou mesmo escutar as conversas nas proximidades do mesmo. Esta foi uma notícia presente em todos os noticiários Norte-Americanos, e que agora parece esquecida.


Actualmente a geo-localização já não necessita de um GPS. Produtos como o iPad não possuem GPS e são capazes de indicar com grande pormenor a localização onde o aparelho se encontra, utilizando com precisão softwares como o Google Maps, bastando para o efeito a existência de uma ligação à internet.

E o facto é que toda esta tecnologia nas nossas mãos, mais do que nunca está igualmente nas mãos dos outros. Aceder a um smartphone, mesmo que desligado, permitirá não só o ouvir de conversas, mas se necessária a activação da sua câmara. Aliás em 2012 publicamos uma notícia que dava conta desta situação quando foram encontrados documentos que comprovavam um acordo da Nokia, Rim e Apple com o governo indiano para o fornecimento de uma “backdoor” aos seus telefones. Esta notícia foi entretanto descredibilizada e actualmente pensa-se poder ser falsa, mas no entanto a mesma apenas vinha confirmar aquilo que já se sabia desde 2011 e referido pelo FBI: Há possibilidade de se aceder e activar remotamente um smartphone sem que o seu dono tenha conhecimento do facto.

Mas eis que agora o escândalo rebenta com o conhecimento do programa PRISM, um acordo que permite ao governo acesso a sistemas de controlo para intercepção e análise de dados das principais empresas americanas. O acordo foi firmado em 2007 e a primeira empresa a aderir foi a Microsoft.

Apesar de actualmente as empresas envolvidas, como a Microsoft, Google, Apple, Yahoo e Facebook negarem que tenha alguma vez cedido algum dado sob este protocolo, o certo é que o mesmo era ultra-secreto, e certamente, numa prática corrente, obrigaria as empresas negar todas as situações em caso de exposição. E assim, perante essa realidade, a negação era apenas esperada, seja ela verdade ou mentira. Ou seja, por aí nunca saberemos nunca a verdade sendo que, digam estas empresas o que disserem, o hardware e software das mesmas estará sempre sob suspeita.

A verdade é que até hoje vivemos esquecidos de toda esta realidade, e muito certamente amanhã tudo isto estará igualmente esquecido. Mas o certo é que se vamos continuar a usar hardware e software destas empresas conectado a redes das mais diversas, o que se recomenda é que pensem bem nas potencialidades, para a quebra da vossa privacidade, daquilo a que aderem ou compram. E isto independentemente das promessas que vos façam quanto ao sigilo dos vossos dados.



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