Rise of the Tomb Raider apenas deverá ter exclusividade temporária na Xbox

A queixas não deixaram de se fazer ouvir, e a pressão parece ter forçado a mão de Phil Spencer e da Square Enix que deram claras indicações de que o jogo não é um exclusivo permanente.

rise of the tomb raider

Imaginem estarem com muita paixão a ler no vosso sofá e com o vosso candeeiro, os primeiros capítulos de um livro que vos está a apaixonar. Estão apaixonados pelos personagens, ansiosos por conhecer mais, desvendar os segredos do livro. Mas de repente, chegam a um capítulo e reparam que ele só pode ser lido com um sofá e um candeeiro diferente. E que ou adquirem esse novo mobiliário, ou não poderão ler.

Foi assim que os fans de todo o mundo se sentiram quando se soube que a Rise of the Tomb Raider, seria um exclusivo. Após 18 anos de suporte às plataformas Playstation e PC, o jogo era anunciado como exclusivo Xbox.

A revolta não se fez esperar. E independentemente de o jogo poder ser ou não um exclusivo temporário, o dano está feito. A revolta contra a Square (e note-se que ninguém censura ou critica a Microsoft) e o facto de se ter vendido é grande e no seu website as mensagens de fans que se dizem decepcionados são em grande quantidade. O simples facto de haver primazia a uma plataforma que nunca foi a que mais cópias do jogo vendeu é motivo para grande revolta, e a exclusão do PC, um outsider no meio destas guerrinhas de exclusivos, é outro factor.



Toda esta revolta forçou a mão da Microsoft que diga-se agiu durante algum tempo, na minha maneira de ver, com um pouco de má fé. Se o jogo é um exclusivo temporário, é um exclusivo temporário. Ocultar esse facto nada invalida que se trata de um exclusivo temporário, e é uma pressão que se coloca no consumidor que não considero correcta. É um ocultar de uma realidade com o intuito de vender, mesmo que com isso o cliente seja induzido em erro. Chama-se a isso… enganar!

Mas actualmente a Microsoft possui na liderança da Xbox um Homem que se destaca face ao que existia antes. Um homem que por muito forçado que seja pelas sua posição a manter posturas é ele próprio um gamer e um amante dos videojogos. É a pessoa que conseguiu transformar a Xbox de uma caixa de televisão que corria uns joguinhos para uma consola de jogos completa com funções avançadas, incluindo TV. E quando pressionado, sentido a necessidade de manter a sua imagem de frontalidade e transparência que o tem distinguido da liderança anterior, mas que ainda se nota em alguns outros funcionários da Xbox, cedeu, mas sem quebrar de forma completa devido às funções que ocupa (e sim, sou admirador da forma como Phil Spencer agiu e actuou até hoje):

Eis as suas palavras em uma entrevista da Eurogamer:

Q – Então, qual é, exactamente, esse negócio?

R – Terei o Tomb Raider a sair para as lojas nas próximas férias exclusivamente na Xbox. É a Xbox 360 e a Xbox One. Não estou a enganar ninguem em termos do que a coisa é. O que eles fazem com o franchising a longo prazo é com eles. Eu não o controlo. Dai que só posso falar do acordo que temos. Não sei para onde mais o Tomb raider vai.

Q – Há um tempo limite no período de exclusividade?

R – Sim, o acordo tem uma duração. Não o comprei. Não possuo o franchise.

Q – Pode-nos dizer qual é essa duração?

R – Não. Porque não estou a mover a cabeça para dar a entender uma falsa mudança de direcção a ninguém. É um acordo entre nós e o nosso parceiro. As pessoas perguntam quanto pagamos. Há certas coisas que não vou falar porque é um acordo entre nós e eles. Obviamente o acordo tem uma duração. Não comprei o IP de forma perpétua.



Qual a duração do acordo? Bem, isso é algo que não sabemos, mas no entanto há uma frase engraçada da Square Enix em resposta às queixas dos fans e que refere:

…acabamos de anunciar que Rise of the Tomb Raider, lançado nas férias de 2015, é um exclusivo Xbox.

A tradução é um pouco difícil de manter a totalidade do sentido da frase, pelo que se calhar é melhor referir a frase original.

“…we’ve just announced that Rise of the Tomb Raider, coming Holiday 2015, is exclusively on Xbox”

O curioso é a palavra entre virgulas. Se é certo que uma virgula pode significar uma mera pausa na leitura, de acordo com as regras o escrito entre virgulas pode ser algo que podemos retirar da frase sem lhe alterar o sentido, mas que acrescenta algo adicional à frase.

Tal como: O que eu queria dizer, sem tirar nem por, é que a roupa é azul.



Retirando a frase “sem tirar nem por” não altero o sentido à frase, mas com ela acrescento dados novos. Acrescento, por outras palavras,  que era exactamente aquilo que eu queria dizer.

Ora por esta lógica aplicada ao entre vírgulas aqui a exclusividade seria o lançamento nas férias de 2015, e não o jogo em si, o que confirma as palavras de Spencer. Isto quer dizer que, no mínimo, o jogo poderá ser lançado em outras plataformas desde que o período de férias de 2015 esteja superado. Mas claro, o período pode ser maior.

Resumindo e concluindo, ao que tudo indica, e salvo má interpretação de palavras, a exclusividade será apenas temporária, mas agora falta saber os danos que a Square causou à série, e para isso recomendo que visitem a página do Tomb Raider e vejam a quantidade de fans que dizem que vão abandonar a série devido a serem tratados como segunda escolha.

Cito apenas uma das mensagens lá colocadas, pois o sentimento deste senhor é semelhante ao de muitos jogadores que sempre jogaram os jogos desta série:

Sou um gamer PC da Dinamarca, que crescer com o Tomb Raider, começando na PSX, e depois passando para o PC, e ver os meus sobrinhos lutar o grande T-Rex foi a minha primeira experiência com a Lara e a causa desta relação de amor que dura à 18 anos.

Também li a afirmação que o acordo não é permanente, mas como dizia o TheHoodedMan (um outro gamer que escreveu no blog): Isto vai-vos custar muitos dos jogadores dedicados de Tomb Raider.

Até este dia, consigo encontrar pessoas para jogar no sistema multi jogador online – já o meu amigo com uma Xbox tem sorte se conseguir um jogo.

Mas perceberão eventualmente quando o acordo com a Microsoft terminar. NÃO –  não quero ver um meu amigo ou vizinho a sentar-se e jogar o novo Tomb Raider pelo qual anseio, enquanto me sento com um semi chato “Templo de Osiris”

Mas, vocês entretanto terão o espetacular “Templo de Osiris”! NÃO – Não quero um jogo “entretanto” – Quero jogar o Rise of the Tomb Raider, e acredito que muitos mais pensam como eu. A petição de fans que estána internet deverá tornar isso bem claro.

É isto que dão aos fans após 18 anos de lealdade? Quando é que a Xbox foi lançada? 2001? Pelo que sei, Tomb raider nem saiu para a primeira Xbox. Mesmo assim preferem dar preferência a uma base que é relativamente nova em vez de uma que vos acompanha à 18 anos?

DESAPONTADO.



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