Rise of The tomb Raider: os mistérios por detrás da súbita revelação da data de lançamento de outras versões

Quanto pagou a Microsoft pela exclusividade de Tomb Raider. Valeu a pena? E porque durante um ano foi mantido tanto segredo sobre o facto, sendo que agora, vindo do nada, e antes do lançamento do jogo, a Square Enix vem revelar que a exclusividade é de um ano e que o jogo sairá para a PS4? Estes são os mistérios por detrás do jogo!

Rise of Tomb Raider

Nota: O artigo que se segue é meramente especulativo.

Os factos:

Tomb Raider é um Franchising multi-plataforma com mais de 20 anos. E nesses 20 anos a Playstation e o PC, as duas plataformas agora anunciadas como indo receber o jogo mais tardiamente, sempre acompanharam o jogo.

Como com qualquer jogo multiplataforma, e independentemente da idade, não é do agrado dos fans da série, espalhados por diversas plataformas, saber de uma exclusividade do mesmo. Mas o caso actual foi algo peculiar, especialmente por a mesma ter sido rodeada de um grande secretismo e controlo de declarações que não dava a entender que tipo de exclusividade efectivamente existia.

Ora, sendo que todos nós não somos mais do um consumidor, com escolhas muitas vezes diferentes a nivel de hardware, mas todos amantes de jogos, este tipo de exclusividades sobre títulos Third Party e multiplataforma, revelam-se muito pouco correctos para os fans.

E o certo é que durante mais de um ano o jogo esteve envolto num secretismo. Nem Microsoft, nem Square Enix revelavam dados sobre Tomb Raider. E todas as tentativas de se obter informação relativa à exclusividade era infrutífera. Nem mesmo na última E3 as empresas se descaíram avançando com dados, e isto apesar de constantemente bombardeadas com a pergunta pelos jornalistas.

Apesar de Tomb Raider não ser um jogo conhecido por vender milhões, é um nome sonante, e nesse sentido Michael Pachter, um conhecido analista de mercado Norte-Americano chegou mesmo a vaticinar que o custo de uma exclusividade para este título terá custado algo como cerca de 10 milhões de dólares… E nesta previsão, Pachter atirava este valor para uma realidade onde o exclusivo seria apenas temporário, algo que na altura não era 100% claro!

Naturalmente não é possível saber-se ao certo quanto a Microsoft pagou, mas Pachter é um analista à vários anos e é especializado na industria dos videojogos. Daí que apesar de tal ser apenas uma estimativa, a mesma terá certamente fundamento. Aliás tais valores até soam a pouco perante o pagamento de 50 milhões da Microsoft à Rockstar pela exclusividade de um ano de dois DLCs para GTA IV, The Lost and Damned e The Balad of Tony Gay.

Naturalmente compreende-se a vontade da Square Enix em vender esta exclusividade. A seu ver tal não deveria prejudicar as vendas nas outras plataformas, e seriam 10 milhões encaixados sem esforço. E para uma empresa que achava que vender 4 milhões de cópias no lançamento do jogo era pouco, naturalmente este foi um negócio caído do céu! Já a parte da Microsoft nem se questiona pois perante a disponibilidade da Square em vender, ter um exclusivo com o nome de Tomb Raider seria visto como uma excelente jogada. E quem pode censurar a Microsoft por pensar assim? Se a Square se mostrava disposta a vender…

Ora uma das curiosidades desta exclusividade é que, apesar de a Square Enix ter revelado o jogo como multiplataforma em finais de 2014, e após a internet ter explodido posteriormente com o conhecimento da exclusividade, a empresa viu a necessidade de, sem adiantar muito, reconfirmar que o jogo efectivamente era um exclusivo temporário (algo que Phil Spencer já tinha igualmente feito), a realidade é que ao longo dos tempos, mesmo havendo muita insistência por parte da imprensa, nada era revelado sobre qual o período de exclusividade. E tal secretismo quer por parte de uma empresa, quer da outra, acompanhado da revelação adicional de que a Microsoft seria quem faria o Marketing e a distribuição do jogo, levou muitos a pensarem que o acordo de exclusividade pudesse ter sido alterado para um novo nível, com a Xbox a ficar com o exclusivo de forma definitiva.

O facto é que durante quase um ano nada mais foi adiantado sobre o assunto, e todas as referências ao jogo não eram claras. Exclusividade temporária ou permanente? E no primeiro caso, quanto tempo? Eram perguntas sem resposta!

Ora agora, e de forma surpreendente, vinda do nada, a Square Enix veio confirmar não só que a exclusividade é temporária, como é de apenas alguns meses para o PC e de um ano para a PS4. Assim o PC verá o jogo no “início” de 2016, e a PS4 no “final” de 2016. Curiosamente nada foi referido sobre uma versão PS3!

Ora perante os actuais factos várias questões surgem:

1º – Vale a pena um pagamento de 10 milhões por um exclusivo de um ano? Ou seria melhor investir o dinheiro em novos IPs First Party?

Naturalmente a resposta à segunda parte da pergunta é clara. A não ser que o pagamento seja reduzido, é sempre preferível investir em conteúdo realmente exclusivo do que andar a prejudicar fans retirando-lhes títulos multi plataforma. Alternativamente, a investir-se em Third Partys, que se invista em novos Ips que nunca foram multi plataforma. Esta é e sempre foi a nossa posição, independentemente de quem compra o que!

Já quanto ao pagamento dos 10 milhões, a questão acaba por ser especulativa. Na realidade não há confirmação desse valor, pelo que falar dele apenas pode ser feito a nível teórico. O certo é que se esse foi o valor pago, foi um valor exagerado que a Microsoft não recuperará facilmente. Mas como se disse, é um valor especulativo.

2º – Porque motivo, após tanto secretismo surge agora a revelação da Square Enix? Porque não se aguardou até ao lançamento do jogo, mantendo-se a dúvida até lá?


Bem, certamente o manter da dúvida até ao lançamento do jogo seria do interesse da Microsoft. Afinal quem possui as duas consolas poderá agora que sabe que a exclusividade não é definitiva, ponderar a hipótese de aguardar pela versão PS4. E o mesmo se passa com quem tem uma Xbox e um bom PC que, por uma questão de alguns meses, especialmente dado o fluxo de bons jogos no Natal, certamente esperará pela versão PC. Mas pior ainda, aquele fan que não queria de forma alguma perder este episódio de Tomb Raider e que até ponderava adquirir uma Xbox só para jogar este jogo sabe agora que não precisa forçosamente de o fazer se já tem outra plataforma. É uma questão de esperar mais um pouco.

Quer isto dizer que a revelação, mesmo existindo outras vertentes que poderiam ser analisadas e que seriam favoráveis às vendas, possui claramente algumas em que vem roubar potenciais vendas à Xbox. E tudo porque, surpreendentemente, e após tanto segredo, se resolveu não se aguardar até ao lançamento do jogo na consola da Microsoft. Daí que a questão do “porque?”, face ao ocorrido e ao acréscimo dos cenários que poderão trazer possíveis quebras de venda associadas à revelação, fica no ar. Após um ano de total secretismo está revelação parece contrariar os interesses da Microsoft, e mesmo os da própria Square Enix.

A especulação:

E dentro das várias especulações que tem aparecido como resposta a esta questão, só parece haver uma que se parece enquadrar-se perfeitamente como justificativa da situação. E ela aparece ao analisarmos uma série de situações passadas.

E por esse análise acredita-se haver um conjunto de factores acumulados que levam a Square Enix a recear que o seu jogo possa ficar aquém das vendas esperadas. E eles são:

– A internet mostrou-se enraivecida com a atitude e a cedência da exclusividade. Bastava acompanhar foruns e comentários a notícias para se ver que eram aos largos milhares as ameaças de utilizadores de afirmavam a pés juntos que consideravam a exclusividade neste franchising multiplataforma com 20 anos, uma traição, e que como tal não comprariam o jogo mesmo que ele viesse a ficar disponível posteriormente para os sistemas que possuem.
Esta atitude e o receio a ela associado poderá ter pesado na Square Enix. Recentemente surgiu um rumor que se veio a confirmar como verdadeiro de que a exclusividade seria de um ano, e que a PS4 veria o jogo em finais de 2016. Mas o mais interessante do rumor, que se baseava em supostos documentos internos da Square Enix, e que foi agora confirmado nem era isso. É que o mesmo acrescentava que nesses documentos a Square Enix estava efectivamente receosa com a retaliação dos fans nas duas plataformas com maiores bases de potenciais compradores, a PS4 (e que foi a que mais vendas apresentou no primeiro jogo) e o PC (com um mercado potencial muito superior ao de todas as consolas somadas). Ao ponto de o rumor referir que nesses documento a empresa indicava que planeava lançar o jogo na PS4 ao mesmo preço que ele estivesse na altura na Xbox One, e não a 69,99 euros. Tudo isso para facilitar as vendas!

Este ponto, a ser verdadeiro, mostra um claro receio pelo fracasso de vendas do jogo nas restantes plataformas, mas só por sí não justifica o facto da Square não poder aguardar mais um pouco para a revelação da data. O que justificaria então?

Naturalmente vemos entrar no campo da especulação, mas o que a nosso ver justificaria tal atitude é pura e simplesmente uma expectativas de vendas abaixo da idealizada! (não necessariamente fracas vendas) 

E tal é uma situação bem possível. Ao analisarmos a oferta da Xbox One para 2015 vemos que ela foi extremamente escassa durante o ano, mas é super rica para o período de Natal. E tal poderá não ser exactamente algo de positivo pois as ofertas de exclusivos da Microsoft, ao concentrarem-se todos no mesmo período de tempo (final do ano) poderão canibalizar-se a si mesmas. Convêm ter presentes que a Xbox One terá até final do anos títulos como Halo 5, Forza 6 e Tomb Raider como exclusivos e Fallout 4, Call of Duty: Black Ops 3, AC Syndicate, Just Cause 3, MGS: Phantom Pain, Star Wars: Battlefront, Rainbow Six: Siege, Need for Speed, Fifa 16, Hitman, Mad Max, etc, como multi-plataforma. É efectivamente muita escolha a nível de títulos de renome e que, perante tanta escolha, poderá fazer com que as vendas de Tomb Raider não se destaquem.

Essa situação seria a única que justificaria a atitude da Square, e igualmente a única que a Microsoft aceitaria para este acto.

Convém perceber aqui duas coisa quanto ao que se espera das vendas deste jogo, pelo que se explica:

Da parte da Square Enix:

– Fracas vendas no lançamento da Xbox One, particularmente sendo o jogo um exclusivo associado a um custo entranhado na cabeça das pessoas (e não necessariamente real) de 10 milhões, poderão condicionar as vendas nas outras plataformas ao passar-se uma ideia de que o jogo não é do agrado dos jogadores. E a empresa já parece temer o que chegue pela hipótese de as outras plataformas venderem menos que o esperado pelo que passar esta imagem poderá não ser o ideal..

Da parte da Microsoft:


– As vendas necessitam de superar as do primeiro jogo. Até ao mesmo numero de vendas poderemos pensar que as pessoas que compraram o primeiro jogo se limitaram a comprar a segunda parte da história de Lara, algo que aconteceria independentemente da exclusividade. Depois há que ir acima disso e ter lucros com a venda de jogos e bundles que justifiquem perante os accionistas da empresa o valor pago pela exclusividade.

Ao se revelar a data, no fundo a Square fica agora com uma potencial desculpa para umas vendas que não sejam assombrosas. Basta passar a imagem de que as pessoas estão apenas à espera das versões nas restantes plataformas, não condicionando assim as escolhas de pessoas que poderiam pensar que o jogo ao não ser um sucesso de vendas não seria um título a adquirir. E ao mesmo tempo a Microsoft poderia justificar o valor pago face às vendas com o facto que a revelação, que a empresa sempre fez por esconder de forma a manter a dúvida do tipo de exclusividade, lhes foi prejudicial a nível de vendas..

Perante essa realidade, esta situação acabaria por ser benéfica para ambos os lados.

Naturalmente isto é pura especulação, mas o certo é que não será pelas vendas do jogo que está teoria será tida como falsa pois o jogo poderá sempre vender acima do esperado uma vez que a realidade das coisas hoje não é necessariamente a mesma de amanhã.

Mas que esta fuga de informação nesta data aleatória e tão perto do lançamento, após o secretismo de tanto tempo, leva a pensar que as empresas se estão a prevenir para o que der e vier, isso leva.

Naturalmente isto é tudo uma especulação e nada deve ser tomado como uma realidade.

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