Políticas da Microsoft podem voltar a decepcionar na próxima geração de consolas!

Estamos a um ano do lançamento de uma nova geração de consolas. E com elas espera-se grandes evoluções e mesmo revoluções nos jogos e jogabilidade. Mas se a Sony sempre disse que acreditava no conceito de gerações, a Microsoft deu a entender que as mesmas já acabaram. E as suas últimas declarações dão a entender isso mesmo, e que os jogos Scarlett, correrão igualmente nas actuais consolas.

A nova geração está à porta… e com ela uma revolução a nível de capacidade de processamento gráfico, e acima de tudo de processamento genérico. Ou seja, esta geração que se avizinha deverá dar um salto tanto no CPU como no GPU.

Ora um salto no GPU não é algo verdadeiramente impeditivo de se manter os jogos de nova geração nas consolas actuais. Basta cortar efeitos, cortar animações, cortar na resolução, cortar aqui e cortar ali, e é sempre possível manter a essência de um jogo, re-escalando o mesmo para sistemas mais fracos.

Mas o mesmo não pode ser dito no que toca ao CPU. Mundos mais interactivos, corridas com mais oponentes geridos pela IA, melhor IA, melhor interacção, melhor física, etc, são coisas que pura e simplesmente não podem ser reduzidas para CPUs de menor capacidade sem alterações radicais ao jogo.

E o que dizer do SSD? De que adianta um jogo carregar rápido se tiver de esperar pelos outros jogadores de consolas ou PCs que não o tem, para se poder jogar?



Muito simplesmente, isso quer dizer que um jogo que explore as características totais de uma consola de futura geração, não pode, pura e simplesmente, ser adaptado à actual geração. E manter a compatibilidade entre elas implica que as evoluções para as futuras consolas são apenas estéticas, o que implica que os jogos se mantêm na actual geração, apenas melhorando graficamente. E para isso, não é necessário melhorar o CPU.

Ora se bem se recordam a Microsoft sempre disse que as gerações de consolas tinham acabado, ao passo que a Sony sempre disse que continuava a acreditar no conceito de gerações. O que isso implicava, era algo que nunca se deu grande atenção… até agora!

Em entrevista, Matt Booty, responsável pelos Xbox Game studios, vem referir o seguinte, após o anuncio de uma boa quantidade de jogos novos para a Xbox –  fonte:

Talvez nos sintamos confiantes sobre o nosso conteúdo em pipeline de forma que não temos de guardar tudo para a Scarlett. Mas também tenho de dizer que, para qualquer aparelho nos dias actuais, quando se lança um novo aparelho, não se está a eliminar todos os aparelhos da família.

Quando a Scarlett foi laçada, ainda teremos aí a Xbox One S, ainda teremos aí a Xbox One X, e temos de nos aproximar dessa família de aparelhos, da mesma forma que nos aproximamos do PC – Escalando o conteúdo para se ajustar aos aparelhos. Penso que tal será o caso para todos.

Claro que nos vamos apoiar no poder da Scarlett, pensamos que tal será a melhor forma de jogar, e que será a melhor coisa que poderemos colocar na sala de estar, mas queremos que as pessoas compreendam que existirá uma família de aparelhos Xbox no mercado.

Esta situação mostra claramente a ideologia da Sony. Jogos multi geracionais que, tal como no PC, se escalam conforme as capacidades do hardware. Esta é, aparentemente, uma postura extremamente contrastante com a da Sony, que aparenta olhar para a PS5 como mais uma geração, com a diferença que haverá toda uma retro compatibilidade com as anteriores.

Basicamente, e ao contrário da Microsoft, a Sony atualmente não tem estúdios First Party a trabalhar em jogos PS4, sendo que o foco de todos os estúdios passou para a PS5. Tal sempre foi dado a entender e percebe-se pela falta de anuncios de jogos da consola, tendo sido algo que Daniel Ahmad, analista da Niko Partners diz confirmar – fonte:

Em geral, o foco das equipas First Party da Sony está na PS5

Basicamente as equipas da Sony apenas trabalham em jogos PS4 que estavam já na agenda para serem lançados, sendo que alguns deles serão exclusivos PS4, outros serão Cross-Gen, suportando tanto a PS4 como a PS5 (A filosofia até hoje demonstrada da Sony leva-nos a crer que não seja o mesmo jogo com conteúdo escalado, mas sim duas versões do jogo – Cross Buy). Mas o resto será destinado à PS5, sendo que a PS4, tal como sempre aconteceu, manterá suporte por alguns anos, mas um suporte secundário e maioritariamente vindo de terceiros, sendo que os utilizadores terão de migrar para a PS5.



Isso fica bem claro nas frases de Jim Ryan da Sony –  fonte:

Há aqueles jogadores que estão em rede e presos e apaixonados à playstation num nível que nunca tínhamos visto nas gerações anteriores. À medida que nos movemos para uma nova geração em 2020, uma das nossas tarefas – provavelmente a nossa principal tarefa –  é pegar na comunidade e pô-la a fazer a transição da Playstation 4 para a Playstation 5, numa escala e a um ritmo como nunca entregamos antes.

Basicamente estamos aqui com dois conceitos diferentes. Ambas as empresas pretendem ter jogos Cross Gen, e ambas pretendem lançar novas consolas. A diferença é que a Sony quer a passagem para a PS5, deixando claro que quer a passagem o mais rápida possível. Já a Microsoft fala em manter a familia Xbox activa, com suporte escalado a todos os aparelhos como no PC.

Estes dois conceitos aparentam ser totalmente diferentes, e acima de tudo incompatíveis. A Microsoft lança exclusivos no final de vida da Xbox não os reservando para a Scarlett, pensando numa família de aparelhos, e sacrificando a optimização específica. A Sony limita o anunciado para a PS4, provavelmente pensando em lançar os últimos títulos PS4 em ambas as gerações, mas guardando os novos títulos para a PS5, de forma a dar a esta um grande suporte dedicado que justifique a compra e a transição.

E com um mercado com jogos criados especificamente para uma consola mais potente, sem preocupações de compatibilidade com sistemas inferiores, a Sony aparenta estar bem melhor posicionada para entrar com o pé direito numa nova geração.

Repare-se o exemplo de Halo Infinite. Não estamos a falar de um mero jogo, mas de um MMO que se espera manter activo por muitos e muitos anos, com suporte a toda a família de consolas Xbox. E tal é uma limitação! Com excepção de melhorias meramente estéticas, o jogo nunca pode ser verdadeiramente de nova geração, com IA ou física avançada, com novas capacidades de interacção e outras situações. O facto de estar preso a consolas com CPUs inferiores limitará o jogo para sempre às capacidades mais baixas, pois aqui não podemos mudar a qualidade da física ou da IA, como se faz com a redução de resoluções ou corte de efeitos gráficos meramente estéticos. É uma politica limitadora que pode criar severas diferenças naquilo que a PS5 pode apresentar caso o suporte da Microsoft não seja exclusivo da Scarlett.



Notas finais

O artigo de cima é uma constatação baseada em declarações reais de representantes das marcas, e de pessoas ligadas à industria. Não há aqui especulações da nossa parte sobre o suporte!

Aceitamos porém que aquilo que é a mensagem transmitida por ambas as partes possa não ser totalmente completa e representativa daquilo que é o desejo das empresas, podendo as coisas virem-se a revelar diferentes daquilo que actualmente se transmite. No entanto, como sempre fizemos, cada artigo é escrito pensando na realidade dos dados que existem no momento em que é escrito e não naquilo que se pode vir a saber amanhã.

E os dados que existem actualmente são estes.



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